Uma das figuras mais conhecidas do mercado de Bitcoin no Brasil, Avelino Morganti, surpreendeu a muitos ao afirmar que estava deixando de lado as criptomoedas e que possuía sérias dúvidas a respeito desse mercado que, segundo ele, é ‘arriscado demais’.

É um risco muito alto. E como eu estou investindo no mercado de ouro, eu decidi entrar de cabeça nisso e mover meu patrimônio para isso, em metais.

Vamos compreender as motivações dessa mudança de foco do Bitcoin para metais preciosos e cédulas físicas, pois quando alguém com tanta experiência e propriedade em um assunto fala, é necessário ouvir para entender melhor esse novo ponto de vista.

Avelino é holder de criptoativos desde 2014 e trabalhava até então então com o mercado de Bitcoin e criptomoedas. O entusiasta afirmou que é grato por tudo que aprendeu com as criptos e afirmou também que elas o ajudaram muito em suas finanças, especialmente durante sua faculdade. Mas por que essa mudança?

Regulamentação

Um dos principais motivos para a saída do Avelino do mercado é a burocracia regulatória que esse setor enfrenta constantemente.


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Um dos principais motivos para eu ter saído desse mercado é regulamentação. A Instrução Normativa 1888 forçava exchanges e P2Ps a reportarem suas transações financeiras. […] No meio do ano eu vi que seria necessário mudar o Cnae de exchange. […] Aí auditor fiscal chega e fala que você não está fazendo do jeito certo […] advogado diz que é de um jeito, contator diz que é de outro…

A regulação ‘soviética’ que encontramos no Brasil é um dos grandes prováveis motivos para o atraso do país na maioria dos setores. Esse tipo de atitude afasta empreendimentos e inovações.

Um famoso caso é a da empresa de tecnologia em blockchain OriginalMy, que por razões puramente burocráticas, decidiu sair do país e sediar a empresa na Estônia. Vale notar que representando o país europeu, a empresa ganhou um campeonato mundial de startups no maior evento de investidores do mundo.

A legislação regulatória brasileira pode chegar à beira do cômico. O advogado Vinicios Leoncio resolveu compilar a legislação tributária do país em um único livro, confira o resultado:

Esse tipo de complicação regulatória impede o crescimento, especialmente de micro e pequenas empresas que não possuem tantos recursos jurídicos para seguirem operando.

No mercado não regulado como o de criptoativos, todo mês aparece uma coisa. […] Pra mim que era empresário era um saco essa incerteza.”, afirmou Avelino.

Dependência dos Bancos

Morganti também diz se sentir preocupado com a dependência dos bancos em relação ao mercado tradicional: 

Uma coisa que me deixou muito assustado foi que durante o crash, quando deu circuit breaker na bolsa de valores […] um belo dia durante a crise o FED simplesmente bloqueou o câmbio vindo do Brasil. […] Daí o sistema americano falou ‘olha, o câmbio vai cair só amanhã porque a prioridade não são ‘moedinhas virtuais’. E isso me deixou preocupado. […] Mas isso é um problema do sistema financeiro.

O mercado financeiro mundial, incluindo o mercado tradicional de criptomoedas, coordenado por grandes exchanges, ainda é muito dependente do sistema SWIFT (Sociedade para Telecomunicações Financeira Interbancária).

Apesar de ter nascido com a proposta de ser um sistema financeiro interbancário independente, vez ou outra o governo dos EUA o utilizam para cumprir sanções internacionais.

O Bitcoin, por outro lado, é uma forte alternativa a esse sistema, tanto para indivíduos quanto para governos e instituições financeiras. A Venezuela e o Irã já utilizam criptomoedas para envio de remessas na tentativa fugir da sanções dos Estados Unidos.

Além de ser resistente a censura, o Bitcoin pode ser a maneira mais segura e barata para remessas internacionais. As limitações do sistema financeiro tradicional, porém, acabam por prejudicar a liquidez do bitcoin, que é a facilidade de trocar btc por moeda fiduciária e vice versa.

PIX e Real Digital

Avelino afirmou que negociar criptoativos deve se tornar uma atividade quase criminosa devida às imposições do governo para forçar a adoção das moedas digitais dos bancos centrais (CBDCs).

Vai ser uma coisa completamente centralizada, acabou a privacidade e a liquidez vai ser fortemente reduzida […] e talvez o Bitcoin fique até mais caro. […] Como o Estado viu que não pode ferrar com o Bitcoin, ele vai tentar ferrar com a liquidez.

Apesar do pessimismo, esta crítica é extremamente válida. Afinal, você estaria disposto a trabalhar na informalidade para continuar nesse mercado? A questão aqui é que havendo um cenário de alta necessidade do uso das criptomoedas, como a volta da hiperinflação, a busca das criptomoedas (mesmo que proibida por governos) deve aumentar. 

Um grande exemplo disso, é a ampla utilização de VPNs em países como a China que utilizam Firewall para restringir o acesso a internet. Mesmo com a proibição, não é difícil para os chineses utilizarem a internet tradicional.

Mas Avelino prefere não arriscar, “Não sou o Daniel Fraga”.

Eu aprecio muito a minha liberdade e eu acredito que eu posso fazer muito mais coisas pela liberdade estando livre. […] Não sejam heróis. Sejam como Satoshi Nakamoto, façam alguma coisa e ninguém precisa saber que você fez.

Dinheiro físico

Avelino agora pretende desenvolver moedas físicas para que o Bitcoin se torne mais independente das moedas fiduciárias.

Eu estou focado em outra coisa agora que é metais preciosos, porque eu acredito que vai ter uma digitalização do dinheiro fiduciário e vai existir uma demanda por dinheiro físico. Só que dinheiro físico não vai mais existir.

Ele também falou sobre a sua ideia de cédula, o ReAu (Retorno ao Ouro (Au)), que seria uma espécie de chip eletrônico composto pelo metal amarelo. Confira:

Tem a Valame, que é uma nota de ouro, então o que eu pretendo fazer no mercado de dinheiro físico é uma nota de ouro de verificável, um dinheiro eletrônico, o Bitcoin não é eletrônico, ele é digital. […] Não é tão difícil fazer um dinheiro físico melhor que o real.

“Com o fim do dinheiro físico as pessoas só vão poder trocar bitcoins por bens físicos, vai ser muito difícil trocar por moeda circulante.”

Avelino parece estar longe de ter abandonado o Bitcoin, como o título do seu próprio vídeo deixa a entender. Ele na verdade pretende criar um ambiente mais independente para as criptomoedas operarem, focando nos metais preciosos.

Eu não saí do mercado Bitcoin, eu quero criar uma ponte para ele. Meu sonho é ver o par ouro/bitcoin. Eu quero uma moeda de ouro.

E aí, qual a sua opinião sobre essa decisão do Avelino e sobre suas ideias de cédulas físicas? Deixe nos comentários abaixo.


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