Coingoback

Estamos próximos do Natal, mas aparentemente não é só o Papai Noel que não existe. Em um documento, Jorge Stolfi, professor de computação da Unicamp, mesma faculdade da ex-presidente Dilma Rousseff, concluiu que “Bitcoins não existem”.

Primeiramente, é necessário apontar o mérito do documento, onde o autor elenca cronologicamente o surgimento das tecnologias que compõem o Bitcoin atualmente, passando desde o desenvolvimento da criptografia de chave pública, chave assimétrica, prova de trabalho e outras.

Porém, a partir da metade do documento, os argumentos elencados dão um tom catastrófico e desastroso para a breve história de vida da criptomoeda, colocando o ativo como uma ferramenta especulativa para criminosos, golpistas e fraudadores, chegando ao glorioso clímax, afirmando que o “Bitcoins não existem”.

Alguns dos argumentos contrários ao Bitcoin afirmam que é uma moeda usada por criminosos, que falhou como método de pagamento, não possui valor intrínseco e não representa propriedade de nada.

No dia 13 de novembro, porém, a Fidelity Investments, através da divisão focada em criptomoedas Fidelity Digital Assets publicou um artigo intitulado “Lidando com as críticas persistentes ao Bitcoin“, onde responde os principais pontos levantados pelo professor.

No dia 15, Stolfi tuitou que enquanto os “fãs de Bitcoin” estavam agitados com a publicação da Fidelity Digital Assets, ela provavelmente se tratava de uma empresa obscura sem relação com “A Fidelity”, empresa conceituada no mundo dos investimentos.

Porém, até mesmo um dos desenvolvedores do Bitcoin Core, Jeff Garzik, foi rápido ao apontar seu erro, e que a grande Fidelity estava sim apoiando o Bitcoin com argumentos.

Ao analisar as principais críticas, podemos perceber que sim, bitcoins existem e vieram para ficar.

Criminosos e mercados da darknet

O professor está correto em afirmar que o Bitcoin é utilizado por criminosos, inclusive um dos primeiros grandes casos de uso da criptomoeda ocorreram nos marketplaces da darkweb. Mas quanto a isso, é possível argumentar três pontos:

  1. Novas tecnologias tendem a ser utilizadas primeiramente por quem tem mais incentivo para fazê-lo. A própria internet sofria até o fim da década de 90 desse estigma, sendo considerado um local perigoso, feito para criminosos. Por conta disso, muitas empresas receavam colocar sites na internet. Porém, a adoção da mesma em escala mundial estava predestinada a ocorrer.
  1. A maneira mais difícil de se rastrear dinheiro ilícito é com papel moeda. Não é muito difícil imaginar o motivo, é a forma mais privada de se transacionar, somente as partes ficam sabendo da negociação. Por outro lado, a rede blockchain oferece um alto nível de transparência e permite o rastreio das transações.
  1. Enquanto somente cerca de 1% das transações na rede são identificadas como possivelmente ilícitas, existem inúmeros outros de casos de uso para o Bitcoin, dentre eles estão:
  • Transferência de valores sem a possibilidade de censura
  • Inclusão bancária para perseguidos políticos e ‘desbancarizados’
  • Remessas internacionais sensivelmente mais baratas
  • Hedge para inflação, assim como o ouro

“Mas ainda não resolveu o problema original!”

O Bitcoin, há mais de 10 anos funciona exatamente como foi projetado para funcionar. Ele pela primeira vez na história conseguiu criar ativos digitais verdadeiramente escassos, uma inovação que permitiu uma nova forma de transacionar pela internet.

Enquanto a rede continuar operando sem a necessidade de intermediários de confiança, o Bitcoin está resolvendo exatamente o que se propôs a fazer em seu white paper, publicado por Satoshi Nakamoto em 31 de outubro de 2008: tornar possível uma rede de pagamentos sem a necessidade de um terceiro de confiança.

“Bitcoin não tem valor intrínseco”

Até o início da era moderna, não existia nenhuma aplicação que justificasse o preço do ouro. Por conta das suas propriedades, o metal amarelo nunca foi bom para criação de armas, escudos ou qualquer coisa semelhante. 

O que torna o ouro tão valioso são suas propriedades monetárias. Não obstante, o metal foi utilizado por diversos povos ao redor do mundo em diferentes épocas como meio de troca.

Até mesmo Satoshi Nakamoto, o criador do Bitcoin, já abordou essa questão em uma discussão no Bitcoin Talk, principal fórum sobre a criptomoeda. Veja sua opinião abaixo.

“Como um experimento de pensamento, imagine que houvesse um metal básico tão escasso quanto o ouro, mas com as seguintes propriedades:

– uma cor cinza feia

– não é um bom condutor de eletricidade

– não é particularmente forte, mas não é dúctil ou facilmente maleável

– não é útil para qualquer propósito prático ou ornamental

Mas com uma propriedade mágica especial:

– pode ser transportado por um canal de comunicação

Se de alguma forma adquiriu algum valor por qualquer razão, então qualquer pessoa que deseje transferir riqueza para uma longa distância poderia comprar alguns, transmitir e então o destinatário poderia vender.

Talvez pudesse obter um valor inicial circularmente, como você sugeriu, por pessoas prevendo sua utilidade potencial para troca. (Eu definitivamente gostaria de alguns). Talvez colecionadores, qualquer motivo aleatório poderia desencadear isso.

Acho que as qualificações tradicionais para dinheiro foram escritas com a suposição de que existem tantos objetos concorrentes no mundo que são escassos, um objeto com bootstrap automático de valor intrínseco certamente vencerá aqueles sem valor intrínseco. Mas se não houvesse nada no mundo com valor intrínseco que pudesse ser usado como dinheiro, apenas escasso, mas nenhum valor intrínseco, acho que as pessoas ainda assim usariam algo. (Estou usando a palavra escasso aqui para significar apenas oferta potencial limitada)”

Em resposta para o Cointimes, Stolfi comentou a declaração de Satoshi dizendo que os fãs de Bitcoin deveriam focar no “talvez”. “[Satoshi] era inteligente o bastante para perceber
suas limitações. Daí o “talvez”…”

“O Satoshi era um desenvolvedor de software bem competente (bem mais do que 99% dos programadores que meteram a mão no projeto depois que ele saiu; muitos dos quais ainda não entenderam bem como o sistema dele funciona…), mas (como a maioria dos computeiros, eu incluso) tinha conhecimento negativo sobre economia e moedas.  Essa mensagem só reflete essa ignorância.”, disse o professor da Unicamp por email.

Mas o que você pensa sobre o tema? Deixe a sua opinião na seção de comentários abaixo. 

Veja também: Investidores subestimam a escassez do Bitcoin, afirma CTO da Glassnode

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