Em termos comparativos com o resto da América Latina, o Brasil foi um dos que teve maior resistência em termos de desemprego durante a crise de coronavírus. Isso porque a economia persistiu na reabertura, independentemente dos crescentes números de infectados e mortos do país.

Segundo dados do Ministério da Economia, o número de empregos formais perdidos foi de 331.901 no mês passado, menos da metade dos 860.503 perdidos em abril. Muito abaixo das expectativas dos economistas consultados pela Bloomberg em uma pesquisa, o consenso apontava para 900.000 empregos perdidos.

Além disso, apesar de começar o ano mal, tendo um dos piores desempenhos de 2020, a moeda nacional começa a ter uma leve recuperação.

Economistas prevêem perda de empregos para 900 mil em maio
Economistas previam perda de 900 mil empregos em maio. Fonte: Bloomberg

De acordo com o Secretário de Segurança Social Bruno Bianco, os setores de serviços e construção civil se beneficiaram disso, além dos 15.993 empregados no setor de agricultura, o único com contratações líquidas.

Os resultados melhores do que o esperado são um reflexo da reabertura de lojas e shoppings e a retomada de construções em vários estados e municípios. Segundo a Bloomberg, essa seria uma estratégia arriscada, tendo em vista que a pandemia está longe de ser controlada no Brasil, com o número de casos do Covid-19 e as mortes ainda aumentando.

“Há também a possibilidade do programa do governo permitir que as empresas reduzam os salários e mantenham empregos esteja surtindo efeito”, disse Adriana Dupita, economista sênior da Bloomberg Economics.

Bianco encerrou dizendo que o programa de proteção de vínculos empregatícios ainda continuará funcionando por mais dois meses, e acrescentou que o governo anunciará um novo plano de estímulo para criação de empregos. Desde maio, o Brasil sofreu com 1,14 milhão de desempregos.