Você acha que seu dinheiro está a salvo nos bancos? Pense duas vezes.

O governo do Líbano está pensando seriamente em utilizar o dinheiro depositado nos bancos para salvar os próprios bancos e o Estado endividado do Líbano.

O país do oeste asiático enfrenta uma das suas piores crises econômicas mesmo antes da chegada do coronavírus. No começo do mês o governo anunciou que iria dar uma calote de US$1,2 bilhão em dívidas externas.

Enquanto a medida apaziguou alguns críticos do governo, ela não resolveu os problemas estruturais do país. Com uma dívida equivalente a 150% do PIB, o Líbano não consegue se reerguer.

Conforme reportagem do The New York Times, o setor bancário do país está em frangalhos, desemprego em alta e a quantidade de dinheiro nos cofres públicos continua a diminuir.

E qual o plano para salvar a economia?

Talvez, para aqueles que conheceram o plano Collor a ideia não pareça tão inovadora assim. De acordo como Ghazi Wazni, ministro das finanças, o governo estuda um “bail in”. Como assim?

Essa ideia de “bail in” seria feita para salvar o setor bancário, obrigando os clientes a comprarem shares dos bancos usando o dinheiro depositado.

Enquanto no bail out o governo salva os bancos com seu dinheiro de impostos, no bail in os clientes salvam os bancos com o dinheiro de depósitos.

Trazendo para uma situação corriqueira, imagine que você tem dinheiro no banco fictício “Taú” e que ele está perto de quebrar por ser muito irresponsável. Para que isso não aconteça o governo te obriga a ser sócio do banco.

bail in bancos

Para salvar os bancos de uma corrida bancária, o governo impôs restrições de saque e compra de dólares.

O problema se repete

Collor, bail out de 2008, bail in, confisco de ouro…. Basta estudarmos um pouco de história para percebemos que quando a situação dos governos e bancos fica difícil, quem paga a conta geralmente é o pagador de impostos e/ou os clientes.

O mesmo padrão se repete na história, seja em ditaduras, democracias ou monarquias o seu dinheiro sempre esteve em risco de confisco.

Contudo, em 2009 surgiu uma alternativa que impede o controle do seu dinheiro pelo governo ou bancos. Usando criptografia, o Bitcoin virou uma alternativa viável contra confiscos em situação de crise.

Apesar de ainda não estarmos no mesmo nível do Líbano, não custa lembrar que nosso governo já começou a confiscar produtos. Qual será o próximo passo?

Veja também: Banco Central do Líbano é cercado por manifestantes.