Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus e proprietário da Record, voltou a falar sobre Bitcoin. Essa moeda digital é ‘coisa do diabo’?

Segundo ele, em vídeo publicado no Facebook na segunda-feira (30), os fiéis perguntavam se bitcoin era pecado ou não. O bispo afirmou que “aparentemente não é pecado, aparentemente você ganha muito dinheiro fácil, mas você fica na dependência daquilo porque você crê que vai crescer, vai desenvolver…”

“E nós temos visto muitas pessoas se dando pessimamente, nós temos visto pessoas perdendo a fé por causa dessa porcaria, mas o diabo sempre vai apresentar facilidade.”, disse o bispo.

Continuando a explicação, Macedo cita o livro de Gênesis falando que a serpente lançou uma maldição para Adão: do suor do teu rosto retirarás o fruto da terra. “Deus, a partir do pecado de Adão e Eva, cortou as facilidades. A partir de então, o homem teve que trabalhar com dureza, com suor, para tirar o produto da terra.”, concluiu.

O Bitcoin, porém, é uma moeda digital que não entrega juros e nem paga dividendos por si só. Quem já comprou e enxergou a volatilidade do ativo sabe que não se trata de dinheiro fácil, Edir Macedo não está falando só de bitcoin.

Como o texto da publicação, que acompanha o vídeo citado, deixa claro, o problema é com suspeitas de pirâmides financeiras. Algumas empresas utilizam o bitcoin apenas no discurso para convencer as pessoas de que elas são capazes de conseguir (e prometer) lucros exorbitantes.

Igreja Universal e uma suposta pirâmide financeira

De acordo com o Departamento de Comunicação Social e de Relações Institucionais da Universal, as pessoas de boa-fé, especialmente das comunidades evangélicas, são alvos de pirâmides financeiras.

“Todos sabem que o sucesso de uma pirâmide financeira depende da entrada constante de novos investidores. Daí a razão destas empresas buscarem se infiltrar em clubes, associações, corporações e especialmente igrejas, a fim de se valerem do espírito fraterno e de confiança que une seus membros.”, explicou a igreja em nota.

Glaidson Acácio dos Santos, responsável pela GAS Consultoria, preso no dia 25 de agosto pela Polícia Federal, é citado no texto da Universal. Ele obteve treinamento para se tornar um pastor da Universal em 2003, mas, segundo a igreja, foi “desligado pouco depois por não atender aos padrões do ministério”.

“Há alguns meses, a Igreja recebeu informações de que ele estaria assediando e recrutando fiéis e integrantes do corpo eclesiástico para participar de sua empresa, que demonstrava sinais que caracterizavam algum envolvimento com pirâmide financeira.”, disse a Universal.

A Universal inclusive afirma que já havia alertado as autoridades sobre a suspeita de pirâmide e abriu um processo judicial civil solicitando que Glaidson confirme à Igreja que os dízimos e doações que ofereceu como frequentador têm origem lícita.

Outra ação da igreja foi tomada pelos próprios líderes da igreja, que estão alertando os fiéis sobre “dinheiro fácil” com bitcoin, embora aparentemente não estejam fazendo a devida separação entre a criptomoeda com empresas suspeitas de pirâmide. O Brasil já mostrou que tudo pode ser usado para atrair incautos para esquemas milagrosos de dinheiro, desde boi gordo e avestruz até robôs quânticos de trading.

Essa não é, entretanto, a primeira vez que Edir Macedo fala sobre Bitcoin. Em abril deste ano o bispo publicou um vídeo que associava o Bitcoin com a marca da besta, fazendo relações esdrúxulas e espalhando desinformação.

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