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Como o futebol pode aproveitar tokens para ganhar dinheiro Altcoins

Como o futebol pode aproveitar tokens para ganhar dinheiro

A plataforma da confiança do blockchain pode ser a chave para solucionar problemas de corrupção dos clubes de futebol e monetizar a paixão do torcedor

Mayra Siqueira
Mayra Siqueira

Atrair torcedores para o seu clube de futebol oferecendo artigos e experiências exclusivas em troca de sua colaboração financeira. Parece um bom caminho? Muitos clubes apostam em propostas semelhantes para os seus sócio-torcedores, dando descontos por fidelização. É uma estratégia inteligente e que ganha mais agilidade, transparência e aumenta o leque de possibilidades quando esse programa, semelhante ao conceito de milhagens, vai para os tokens, ou ativos digitais.

O primeiro do Brasil a embarcar foi o Cruzeiro de Cachoeirinha, time que disputa os campeonatos gaúchos de primeira e segunda divisão. Mas o que fez barulho mesmo foi o Avaí, equipe que se reveza entre Série A e B do Brasileirão, anunciar o lançamento de sua própria ICO (oferta inicial de moeda) com objetivo de arrecadar fundos para impulsionar o clube.

Já falamos anteriormente da relação do futebol com criptomoedas e os cuidados necessários que as partes devem tomar antes de embarcar na “modinha” sem o devido conhecimento.

Para os clubes, porém, pode ser um caminho de sucesso e mudança do status quo de como o esporte é levado hoje. Por quê? Pelo simples fato de que o apoio em uma tecnologia baseada na confiança e praticamente incorruptível pode ajudar a eliminar os esquemas escusos, prejuízos provocados pela má administração e corrupção dentro das entidades esportivas brasileiras.

O uso do blockchain ainda tem diversas possibilidades a serem exploradas, e, como toda tecnologia nova, precisa de testes de formas de aplicação em diferentes cenários. Mas a emissão de tokens é uma das formas que tem despertado mais interesse e adeptos. Na Europa, principalmente, embora o Brasil já esteja de olho.

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Para onde olhar?

O modelo de financiamento da ICO pode mudar o modelo financeiro dos clubes, ainda mais apoiado nos seus principais ativos: os torcedores. Através de benefícios claros, que vão além do prazer de desfrutar a paixão futebolística dos jogos e resultados, há uma mudança na relação da torcida com o seu time.

Hoje, os clubes brasileiros de futebol costumam se basear nas mesmas fontes de renda: direitos de televisão (transmissões), patrocínios diversos e bilheteria, além da negociação de jogadores. Dependendo da administração de cada clube, além de sua fatia de direitos de imagem que variam conforme a popularidade do clube e dos critérios arbitrários dos canais televisivos, a conta não fecha.

No caso do Avaí, que hoje disputa a Série B, há uma grande dificuldade de se manter na primeira divisão nacional quando o time consegue o acesso. O clube fez parceria com empresas da Inglaterra e, através da Sportyco, emitirá os “Avaí Tokens”, com valores unitários atrelados ao dólar, custando cada unidade o preço de US$1,00. Na promessa do whitepaper, está o uso de 50% dos fundos arrecadados para investimento em infraestrutura, 25% para o saneamento das contas e 25% para o investimento no time profissional. O token utilizará arquitetura ERC-20 e será baseado no blockchain do Ethereum.

O torcedor ganha, em troca da ajuda, a possibilidade de utilizar os seus tokens para aquisição de produtos oficiais, serviços e experiências exclusivas. Esse é o momento de o clube usar sua criatividade para agradar seu público, e é a grande sacada do modelo: oferecer um produto que interesse aos torcedores e que seja rentável às suas finanças.

Claro, a proposta do Avaí é diferentemente da do Cruzeiro de Cachoeirinha, que envolve até mesmo a possibilidade de palpites na escalação do time por parte do torcedor. O token do Avaí não permite que os donos do ativo participem da gestão do clube ou tenham direitos aos resultados financeiros da entidade.

PSG e Europa de olho

Na mesma semana, o Paris Saint Germain também anunciou sua participação neste mercado. O principal clube da França lançará sua própria criptomoeda em parceria com a startup de blockchain Socios.com, com o objetivo de aumentar o engajamento dos torcedores com o clube.

Paris Saint Germain lança sua própria criptomoeda

Através da plataforma, os torcedores podem participar de votações importantes online via smartphone, ganham recompensas especiais e conteúdos exclusivos. Trazer o torcedor para dentro do clube é visto como filosofia de renovação.

O Arsenal, da Inglaterra, já anunciou uma parceria com criptomoedas, enquanto um pequeno time de Gibraltar avisou que pagará seus jogadores com criptomoedas, para aumentar a transparência das finanças do clube.

A confiança que traz o blockchain ainda pode ser revolucionária para outras questões no futebol, como transferência de jogadores sem o risco de pagamentos e multas indevidas ou até mesmo com o fim dos cambistas através de ingressos emitidos pelo blockchain.

Basta saber como a criatividade e visão dos dirigentes, além da disposição à transparência, vão conduzir os processos do futuro do futebol.

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Mayra Siqueira
Mayra Siqueira

Editora do Cointimes. Jornalista, com trabalhos em rádio, TV e internet. Atuo na produção de conteúdo da Foxbit, e tenho interesse em passar o máximo de conhecimento para mostrar que não existe bicho de sete cabeças. Sonha que mais pessoas busquem, atinjam a liberdade financeira e mergulhem no empreendedorismo.