O mercado já vem especulando sobre uma possível troca de governança no FED (Federal Reserve – Banco Central americano), após sinalização no começo da semana por parte do presidente do setor bancário do Senado, Sherrod Brown, que disse que foi informado por funcionários da Casa Branca para esperar um anúncio de nomeação em curto prazo do presidente Joe Biden.

Alguns setores do mercado de criptomoedas vem também se perguntando como a escolha de um ou de outro pode influenciar nosso mercado. E, inclusive, se essa expectativa é um dos fatores que está colaborando para um momento de lateralização e dúvida que estamos observando nos preços.

Pode ser que sim, a expectativa da nomeação tenha participação na indecisão do mercado. Mas, se observarmos o caso à fundo, tanto o atual presidente, Jerome Powell, quanto o presidente alternativo do FED, Lael Brainard, são vistos como tendo aproximadamente o mesmo impacto para as criptomoedas.

Brainard é vista como favorita para substituir Powell e foi um dos poucos reguladores proeminentes a mergulhar no assunto “criptomoedas” desde o início.

Para analistas políticos e econômicos, ambos possuem políticas monetárias consideradas Dovish. Eles também, de modo geral, compartilham a convicção de que as criptomoedas não devem crescer sem restrições, pois podem ameaçar o sistema financeiro existente.

FED e a postura Dovish

O termo dovish é um neologismo que deriva da palavra pombo (dove, em inglês), que reflete uma postura mais favorável à taxas de juros mais baixas e menor preocupação com a inflação.

Aqui no Cointimes noticiamos diversas vezes indicativos de uma postura “mais tolerante” com a inflação por parte do Federal Reserve e seus efeitos no preço do Bitcoin, como esta matéria, por exemplo.

E “mais tolerante” talvez seja um eufemismo dos grandes para falar sobre a postura do FED (e da maioria dos bancos centrais nos últimos anos) no que se refere à inflação, pois não parece apenas que estão tolerando, mas sim que o objetivo final é realmente de incentivar um aumento inflacionário para favorecer os cofres públicos e usar essa cobrança indireta de imposto para financiar campanhas políticas eleitoreiras.

Lembrando que a inflação é o aumento da oferta financeira circulante e o aumento dos preços apenas uma consequência inevitável desse aumento da oferta de dinheiro.

Os controladores do suprimento financeiro “imprimem” mais dinheiro, enchem os cofres públicos e depois é a população (normalmente a mais pobre) quem se vê afetada pelo aumento dos preços no final da cadeia alimentar.

E o FED não se diferencia disso, tendo quebrado recordes do aumento da oferta do dólar, mentindo constantemente sobre inflação ser um fenômeno transitório.

Gráfico de aumento do M1 - Suprimento monetário do FED até 2020.

Como a postura de ambos os candidatos afetam as criptomoedas

No que diz respeito à políticas monetárias inflacionárias, acredito que o mercado de criptomoedas deve se beneficiar, já que ele é utilizado por muitos como fundo de segurança contra a inflação e como reserva de valor.

Ao olharmos para o lado de maior pressão regulatória, podemos sim ver um impacto negativo de curto e médio prazo, pois algumas decisões políticas podem dificultar o acesso (prejudicando a liquidez) para os norte-americanos às criptomoedas.

Muitos negócios construídos em torno do ecossistema também podem ser obrigados a fechar, se mudar ou continuar suas operações de forma ilegal; podem ser cobrados novos impostos, o que afasta uma parcela de investidores; entre outros tantos possíveis efeitos que podem variar de acordo com a criatividade, determinação e sadismo dos responsáveis na tomada de decisão.

A própria Hillary Clinton recentemente convocou uma maior regulação ao mercado de criptomoedas com a justificativa de que ele é uma ameaça ao sistema financeiro tradicional.

O que ela, o novo possível presidente do FED e outros órgãos reguladores não entendem, é que esse foi um dos principais motivos pelo qual o Bitcoin foi criado e pelo qual as milhares de outras criptomoedas surgiram, evoluíram, amadureceram e ganharam valor.

As criptos são uma tentativa de solucionar os problemas existentes no mercado financeiro tradicional altamente regulado por instituições centrais. O grande valor dessa tecnologia está em ser descentralizada, incensurável e incontrolável pela arbitrariedade de alguns poucos que afetam a vida e a propriedade privada de muitos.

Não foram poucas as tentativas de imposições regulatórias, proibições e criação de barreiras para o crescimento do mercado de criptoativos e, apesar desses eventos terem causado consequências negativas no curto prazo, logo em seguida o mercado sempre se recuperou, encontrou soluções e aumentou ainda mais seu valor, pois ele existe exatamente por isso. A cada nova tentativa de supressão, as criptomoedas se levantam mais fortes.

Gráfico relacionando notícias na China com o preço do Bitcoin em Dólar

Brainard poderia ser o gatilho para o dólar digital

Lael Brainard atua no Conselho de Governadores do Fed desde 2014 e anteriormente atuou como subsecretária do Departamento do Tesouro dos EUA. Ela tem mestrado e doutorado em economia pela Harvard University.

Brainard tem sido uma porta-voz do Fed que vêm se destacando quando o assunto é criptomoedas desde 2016 e recentemente tem investigado a possível emissão de uma moeda digital emitida pelo banco central (CBDC).

“Ao introduzir dinheiro seguro do banco central que seja acessível a famílias e empresas em sistemas de pagamentos digitais, um CBDC reduziria o risco da contraparte e a proteção ao consumidor associada e os riscos de estabilidade financeira”.

Lael Brainard

Essa postura também pode ser preocupante, já que a emissão de CBDCs vem ganhando pauta entre governantes no mundo todo e especula-se que um dos objetivos para isso seja oferecer uma concorrência com melhor chance de vitória contra as criptomoedas, bem como facilitar o controle estatal sobre as finanças pessoais.

Inclusive congelando ou confiscando fundos de forma arbitrária, como pontos em um jogo, para punir os “jogadores” que não seguirem regras, muitas vezes, de cunho autoritário, como é o caso da China com o yuan digital.

Na minha opinião, o crescimento dos CBDCs acaba caindo na mesma cesta das pesadas regulamentações, podendo trazer um efeito negativo de curto prazo, quando a maior parte da população se acomoda com uma solução digital oferecida pelo governo.

Mas também pode trazer consequências benéficas de médio e longo prazo para as criptomoedas, pois um contato com dinheiro digital emitido pelos bancos centrais pode ser uma primeira experiência com tecnologia de moedas digitais (estamos vendo isso acontecer no Brasil com o PIX), deixando as pessoas mais confortáveis para provar as alternativas descentralizadas como Bitcoin, Nano, Monero, Ethereum e todas as demais.

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