Cartões de crédito podem ser os melhores amigos de uma pessoa. Eles tornam mais fácil passar compras, pagar contas domésticas e tem os benefícios de acumulação de milhas de viagem.

No entanto, eles são os piores inimigos de quem não tem controle sobre as suas contas ou de quem tem vários cartões — e não controla nenhum deles. Os juros dessa ferramenta são destruidores de riqueza impiedosamente eficientes.

Segundo o Banco Central, os juros dessa modalidade podem chegar a 323% ao ano. Mesmo em queda, o Brasil ainda é disparado o país com os mais altos juros do mundo no que se refere ao “dinheiro de plástico.”

Cartões e asas

No meu texto sobre como saí do mundo das dívidas, mencionei as diversas ligações de cobrança que recebia de instituições financeiras. Todas elas cobravam um único tipo de dívida: faturas não pagas no cartão.

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Nesse caso, uma dívida inicial de 1000 reais já havia se transformado em quase 5000 em pouco mais de 18 meses! Ao negociar, reduzi o valor para pouco mais de 4000 reais e parcelar em 60 vezes. Um aumento de quase 400%.

Agora tente encontrar uma aplicação que renda 400% em um ano. A não ser que entremos no mundo de alto risco das criptomoedas, desejo boa sorte na tentativa.

Ausência de liberdade

Longe de significar liberdade, o cartão de crédito acabou sendo um par de “asas de aço” que me obrigou a vender boa parte das coisas que tinha conseguido comprar com ele.

Não foi por coincidência que a minha jornada minimalista começou logo após eu me livrar do cartão de crédito e começar a negociar as dívidas. Como grande parte dos meus gastos irresponsáveis com a ferramenta foi para comprar coisas que eu achava que me fariam feliz naquele momento, algo longe da realidade.

Hoje, a liberdade de não depender de crédito me trouxe a verdadeira felicidade; e me trouxe, também, as ferramentas necessárias para comprar o que realmente desejo de forma segura e planejada.

A alternativa

Após parcelar a dívida, resolvi abrir mão do crédito enquanto não conseguisse quitar tudo. Entretanto, eu precisava de uma forma de conseguir juntar dinheiro para os objetivos de compras que eu tinha.

E foi em 2017 que conheci a que considero a melhor alternativa para isso, ao ter minha conta aprovada no Banco Neon (que não está pagando nada pelo post. Portanto, sem jabá).

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Além de não possuir tarifas de manutenção e ter taxas muito baixas de TED e emissão de boletos, outra razão pela qual considero o banco a melhor alternativa ao cartão de crédito é a seção de Objetivos.

Os Objetivos permitem que possamos programar depósitos em uma espécie de CDB. Nele é possível definir qualquer objetivo (ex: viajar para Londres no fim do ano), assim como colocar o prazo e o valor desejado (ou deixá-los indefinidos).

O dinheiro fica armazenado em um CDB que rende mais do que a poupança. A retirada pode ser feita a qualquer momento, com um só clique. Ou seja, muito mais praticidade.

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Vantagens

Desde que comecei a utilizar os Objetivos, identifiquei 3 vantagens. Vamos a elas:

Maior controle de despesas

Quando desejo algo, imediatamente coloco como objetivo e defino prazos e valor de parcela para o produto ou serviço que desejo. Com isso, possuo um maior controle sobre os valores que irei pagar e por quanto tempo serão debitados.

Outro fator de controle é o cartão de débito. Compras pagas na hora significam menos faturas para pagar e mais previsibilidade para o mês seguinte. Tudo isso com um clique e sem ter que ligar para saber o saldo de fatura.

Adeus, juros!

Lembram dos 323% de juros ao ano? Nunca mais!

Além de não precisar pagar juros, planejar os objetivos fornece outra vantagem: comprar com desconto.

Cito como exemplo um dos meus objetivos para 2019 (que já está em curso na minha conta): trocar de iPhone. Juntar o dinheiro no CDB significa chegar no ano que vem com o principal + juros, valor maior do que o do celular em si.

E para tornar a tarefa ainda mais vantajosa, a loja online da Apple fornece 10% de desconto para pagamentos à vista, algo que não acontece com o cartão. Isso, somado aos juros, dão uma rentabilidade direta de 20% do valor do aparelho.

E, convenhamos, 20% do valor de um iPhone é uma ótima rentabilidade.

Estabelecer um “limite natural”

Talvez o grande problema de um cartão de crédito seja o constante aumento do limite de gastos. Infelizmente, muitas pessoas ainda encaram o limite do cartão como se fosse parte de sua própria renda.

E isso pode ser um problema grave para quem tem renda de 2 mil reais e um cartão com 20 mil de limite.

Ao usar apenas o cartão de débito e a sessão de Objetivos da minha conta, eu estabeleci o meu “limte natural” de gastos e não coloquei nenhuma alavancagem. Gasto apenas parte do que tenho, controlo melhor todo o meu orçamento e consigo investir em coisas que realmente me geram renda.

Conclusão

Cartão de crédito possui inúmeras vantagens, porém com riscos perversos para quem não tem controle dos seus gastos. Nesse caso, o melhor é realizar um planejamento mais adequado e viver dentro de suas posses, reduzindo o limite do cartão ou mesmo descartando seu uso.

Você tem esses mesmos problemas? Ou abrir mão do cartão lhe trouxe uma vida minimalista assim como para mim? Compartilha com a gente nos comentários.

Artigo publicado originalmente no Medium.