Quase 1.000 empresas optaram por se retirar da Rússia após a invasão da Ucrânia e não estão se beneficiando apenas de uma “boa reputação.”

De acordo com o relatório de uma equipe de pesquisa da Escola de Administração de Yale, as empresas que saíram do país estão sendo recompensadas pelos mercados financeiros, enquanto aquelas que permanecem estão sendo punidas.

A equipe, liderada por Jeffrey Sonnenfeld, monitora desde fevereiro quase 1.300 empresas que operam na Rússia com uma lista, continuamente atualizada, de empresas que estão permanecendo ou saindo da nação.

Descobrimos que os mercados acionários estão recompensando as empresas que deixam a Rússia, enquanto punem aquelas que permanecem com desempenho de ações divergente – o que se aplica a todas as regiões, setores e tamanhos de empresas.

A pesquisa mede o retorno total dos acionistas das empresas que saíram da Rússia em relação àquelas que optaram por ficar. A lista é dividida em cinco categorias, de A a F, sendo a última usada para empresas que estão desafiando os pedidos públicos de saída.

As outras categorias são A, que descreve empresas que cessaram operações na Rússia; B, usada para empresas que estão temporariamente restringindo atividades, enquanto mantêm suas opções de retorno em aberto; C, descrevendo empresas que reduziram algumas atividades enquanto continuam outras; e D, para empresas que estão adiando novos investimentos na Rússia mas continuam a maioria dos negócios no país.

As empresas foram organizadas com base nestas cinco categorias e medidas com o método ponderado pela capitalização de mercado e o método de índice igualmente ponderado.

Os resultados indicam que as empresas das categorias A e B se saíram melhor do que aquelas das categorias D e F, sendo “o padrão das empresas com classificação F de desempenho inferior, alinhado com nossas observações informais e subjetivas,” alega o relatório.

Quando a lista foi divulgada pela CNBC pela primeira vez, em 7 de março, muitas das empresas que haviam permanecido na Rússia sofreram quedas de ações entre 15% e 30%, mesmo com os índices de mercado caindo apenas 2% a 3%.

Por outro lado, o relatório também sugere que as baixas de ativos e a perda de receitas por conta da saída da Rússia foram excedidas pelos ganhos de mercado. De acordo com o relatório, pelo menos seis multinacionais tiveram um desempenho positivo de suas ações após o anúncio de suas saídas.

Alguns exemplos são Heineken (HEIA, -1,08% / HEINY, -1,31%), Shell (SHEL, +0,99%), Exxon (XOM, 1,14%), e AB InBev – produtora da Budweiser e Stella Artois (ABI, -0,29%).

Nossa análise dos fluxos globais de capital demonstra a importância que os investidores atribuem à decisão de se retirar da Rússia – e que os investidores acreditam que o risco de reputação global incorrido por permanecerem no país está muito acima dos custos de saída.

Outras empresas como Nike, Starbucks, Embraer e Honda também suspenderam parcial ou completamente suas atividades no país.

 Enquanto marcas como Hard Rock Cafe, Lacoste, Leroy Merlin e Riot Games ainda estão operando na Rússia.  

O número de empresas que saíram da Rússia subiu para quase 1.000 no final de maio, e inclui o McDonald’s (MCD, +0,35%), que vendeu todo o seu negócio no país para um investidor local.

De acordo com Sonnenfeld, os líderes empresariais são recompensados por se manifestarem, pois “são o conjunto mais ascendente de líderes institucionais do mundo visto que líderes militares não têm voz.”

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