• FMI tem visão pessimista quanto a adoção de criptomoedas na América Latina;
  • Os argentinos criticam exigências estabelecidas em acordo de dívida como o FMI.

Quando Nayib Bukele outorgou a Lei do Bitcoin em El Salvador, o Fundo Monetário Internacional (FMI) não teve papas na língua para criticar a política econômica que acelerava a adoção de criptomoedas na América Latina. 

“A adoção do bitcoin como moeda legal levanta uma série de problemas macroeconômicos, financeiros e jurídicos que requerem uma análise muito cuidadosa”, disse o porta-voz do FMI, Gerry Rice, na época.

Agora, a autoridade financeira global está tentando frear a adoção de criptomoedas em outro país latino americano, mas os argentinos não se calaram. 

Argentinos criticam exigência do FMI de desacelerar adoção de criptomoedas no país

Legisladores da Câmara dos Deputados da Argentina aprovaram, na última sexta-feira (11), por 202 votos a 37, o projeto formulado em conjunto com o Fundo Monetário Internacional para refinanciar a dívida do país com a entidade.

A votação ocorreu após uma extensa discussão durante a noite, enquanto protestantes atiraram pedras e atearam fogo em frente ao Congresso argentino, lembrando de acordos desastrosos feitos anteriormente com o FMI.

“Um pequeno grupo de manifestantes começou a atacar intensamente com pedras o Congresso. As imagens que vocês estão vendo são do meu escritório depois das pedras”, disse a vice-presidente da Argentina, Cristina Kirchner em vídeo.

Uma cláusula controversa sobre criptomoedas no acordo recém-aprovado fez os argentinos falarem em público sobre as implicações que isso pode ter na adoção de criptomoedas no país.

O acordo de reestruturação da dívida, que serve para negociar a dívida de aproximadamente R$ 230 milhões (US$ 45 milhões) que o governo argentino tem com o organismo internacional, dará ao país um prazo bem generoso para pagar essa dívida.

A declaração debatida inserida no projeto de lei que aprova o referido refinanciamento da dívida declara:

“O Governo Nacional, para uma melhor salvaguarda da estabilidade financeira, irá desencorajar a utilização de criptomoedas na prevenção de fraudes e da informalidade, da mesma forma, a digitalização dos pagamentos terá incentivos oficiais e proteção adicional será dada ao consumidor financeiro.” 

Além de deixar claro para o governo argentino que o FMI prefere CBDCs do que moedas digitais com protocolo de código aberto, de acordo com alguns no país, a exigência do acordo sugere o estabelecimento de regulamentos e medidas que podem retardar a adoção de criptomoedas no país

Hermanos criticam medida do FMI

A comunidade cripto na Argentina já está tentando entender as possíveis repercussões do acordo. A maioria concorda que ainda não há muita informação para examinar os efeitos dessa declaração no dia a dia do investidor de criptomoedas.

Por isso, a Bitcoin Argentina, organização sem fins lucrativos voltada a incentivar o uso e o conhecimento do bitcoin, encaminhou uma carta ao governo solicitando todos os dados referentes à aplicação dessas novas medidas direcionadas ao mercado de criptomoedas no país.

Outros agentes importantes deste mercado criticaram diretamente essa parte do acordo, dando declarações que apoiam a adoção de criptomoedas.

É o caso de Franco Bianchi, CMO da Lemon, startup argentina que oferece soluções de pagamentos em criptomoedas. Bianchi disse ao CriptoNoticias que o melhor foco seria “trabalhar em um contexto de regras claras que incentivam a adoção de criptoativos como alguns países estão fazendo, o que promoveu leis positivas sobre o uso de criptomoedas.”

Franco Amati, co-fundador do Buenos Aires Bitcoin Center e da ONG Bitcoin Argentina, afirmou suspeitar que isso poderia ser destinado a sufocar uma possível tentativa de financiamento de bitcoin, como a que El Salvador está adotando.

O FMI está certo em exigir essas cláusulas no acordo de dívida? Deixe sua opinião nos comentários e acompanhe as notícias do mercado cripto nas redes sociais | Telegram | Twitter | Facebook | Instagram | do Cointimes.

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