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Com algumas províncias do país enfrentando cortes de energia nos últimos dias de 2021, o governo argentino começou a levantar questionamentos sobre o consumo de energia elétrica por mineradores de bitcoin no país.

A estatal Cammesa, administradora da energia nacional, solicitou que as empresas que são grandes consumidoras de energia no país, revelassem seu real consumo, para que haja um aumento coordenado de preços e seja levantado capital para se investir em infraestrutura energética.

A solicitação foi feita através de uma notificação formal para todos os grandes consumidores cadastrados na Cammesa, com o objetivo de determinar com mais precisão o consumo por mineradores, e assim poderem direcionar melhor a energia pelo país.

De acordo com relatos da mídia local, o governo argentino pode estar planejando tomar medidas para fazer com que os mineradores paguem mais por essa energia, lançando um novo esquema de tarifas.

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Vale citar que o custo da energia na Argentina é acessível, no geral, e por isso atrai mineradores de bitcoin, como o grupo Bitfarms, por exemplo, que já está construindo um complexo de mega mineração em parceria com outra empresa, que fornecerá a energia sem prejudicar a rede elétrica nacional.

Mas, muitas vezes, existem empresas que se utilizam de meios ilegais e fraudulentos para conseguir energia e pagar menos impostos.

Além disso, especialistas locais em criptomoedas explicaram que algumas empresas mudaram de local para utilizar seu espaço para hospedar operações de mineração de criptomoedas, algo que afetou negativamente a rede.

Os cortes de energia afetaram dezenas de milhares de cidadãos e, para membros do governo, resolver a questão da mineração poderia ajudar a evitar esse tipo de problema.

Inflação e questões sociais

Por lá, uma série de problemas assolam o país. Nada tão diferente da situação no Brasil, mas parece que numa intensidade cada vez maior.

A inflação é uma velha conhecida, e não vem dando trégua nos últimos meses.

A taxa de inflação na Argentina diminuiu para 51,20% em novembro, contra 52,10% em outubro de 2021. Dá uma olhada:

INSTITUTO NACIONAL DE ESTADÍSTICA Y CENSOS (INDEC)
Fonte: INDEC

A taxa de pobreza atingiu 40,6% da população (cerca de 18,8 milhões de pessoas) no primeiro semestre de 2021, segundo a agência de estatísticas INDEC, com 10,7% (4,9 milhões) em extrema pobreza.  

Medidas recentes contra o bitcoin

Mesmo com esses e vários outros problemas importantes em pauta, o governo argentino realmente quis fechar o cerco contra o bitcoin. Em novembro de 2021, o país criou impostos para operações com Bitcoin.

Pouco antes, em maio, depois de impor taxas e restringir acesso ao dólar pela população, o governo adotou medidas para monitorar as compras de BTC em todo o seu território, passando a exigir o fornecimento de dados internos de funcionamento de exchanges e companhias que trabalham com a compra e venda de criptomoedas. 

Com a sua moeda fiduciária perdendo cada vez mais valor, o governo vai aos poucos tentando limitar o acesso às criptomoedas.

Vale lembrar que a Argentina é um dos países que viu explodir a adoção de Bitcoin (além de stablecoins) nos últimos anos, com a inflação local sendo um dos principais impulsionadores que levaram a população a buscar alternativas.

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