Bancos tradicionais estão contratando serviços que permitem rastrear seu BTC e investindo em tecnologia de análise on-chain.

Análises on-chain e monitoramento

Existe uma linha bastante tênue entre os benefícios e malefícios da facilidade de rastrear os seus bitcoins através de tecnologias que utilizam análises on-chain para monitorar as movimentações da criptomoeda líder do mercado.

Análises on-chain são uma série de análises que observam estas movimentações de BTC de um endereço para outro e permitem com que investidores, instituições e reguladores consigam tirar conclusões úteis sobre a rede e o ecossistema.

Este monitoramento é possível graças à transparência e auditabilidade da blockchain, ao se tratar de um livro contábil distribuído e descentralizado, que não requer permissão (permissionless) para que qualquer pessoa possa participar e acessar as mesmas informações da rede.

Ao contar com um modelo chamado UTXO (unspent transactions output), é possível que, com as ferramentas corretas, qualquer um consiga rastrear seu BTC com precisão e saber a origem de qualquer fração transacionada na rede, até a coinbase (primeira transação de um grupo de gastos, realizada através de criação de novas unidades com a recompensa de bloco aos mineradores que descobrem um novo bloco na rede).

As análises on-chain são um recurso valioso para traders e investidores, pois fornecem indicadores confiáveis sobre os movimentos de preços.

Para a descentralização da rede, sua auditabilidade também proporciona monitoramento constante e possível identificação de participantes mal intencionados.

Para os reguladores governamentais, elas também são extremamente úteis, pois permite, por exemplo, que fiscais de impostos identifiquem movimentações patrimoniais e lavagem de dinheiro.

Para a polícia, é possível rastrear financiamento do crime organizado, grupos terroristas e até mesmo recuperar valores roubados através de crimes digitais.

Saiba mais: 97% das criptomoedas roubadas em 2022 vieram de DeFi

Grandes bancos investindo para rastrear seu BTC

Tanto o governo, quanto grandes instituições bancárias, têm demonstrado interesse neste tipo de ferramenta de monitoramento, seja com fins puramente financeiros, mas também para poder colaborar com instituições reguladoras e compliance.

As principais plataformas que permitem rastrear seus bitcoins na rede são a Chainalysis, Ciphertrace e Elliptic.

A mais recente parceria se deu neste dia 25, segunda-feira, entre a Chainalysis e um grande banco das Bahamas.

Vamos entender um pouco o histórico e outros casos relacionados.

Elliptic e Santander

Em junho de 2021, o gigante bancário espanhol – Santander – anunciou uma parceria e integração de serviços com a empresa de análises on-chain Elliptic.

Saiba mais: Santander começa a espiar transações de bitcoin com nova parceria

“Durante o exercício, a solução líder do setor da Elliptic, Discovery, foi implantada para ajudar o Santander a avaliar sua exposição indireta à cripto, sinalizando e analisando transações entre clientes do banco e exchanges de criptomoedas.” – afirmou o comunicado do Santander.

O que permitiu ao banco rastrear as movimentações de seus clientes e entender melhor a exposição de risco de cada um deles sobre os ativos como Bitcoin.

Muitos bancos utilizaram esse mesmo tipo de informação para limitar crédito e até mesmo bloquear transações financeiras de clientes com grande atividade em blockchain.

CipherTrace e MasterCard

Apesar de não se tratar necessariamente de um banco, a MasterCard é uma das empresas mais valiosas do mundo em soluções financeiras e de pagamentos.

Seu envolvimento com o Bitcoin é bastante polêmico e vem de alguns anos, conforme relatado no documentário “Quem matou o Bitcoin?.

No documentário, vemos que a MasterCard investiu na empresa Digital Currency Group, que por sua vez é uma grande patrocinadora da Blockstream, empresa responsável pelo desenvolvimento da implementação Bitcoin Core, que é o software do BTC como conhecemos hoje.

Fonte: “Who Killed Bitcoin?” (19’29”)

Sua relação com a CipherTrace é de posse. A empresa foi comprada pela MasterCard em setembro de 2021, mostrando um interesse crescente da gigante de pagamentos em rastrear seus bitcoins e seguir investindo no mercado de criptomoedas e CBDCs.

Saiba mais: Hackers abandonam cada vez mais o Bitcoin por outra criptomoeda, mostra relatório da CipherTrace

Chainalisys e Capital Union Bank para rastrear seus bitcoins

O caso mais recente e interesse em monitoramento e rastreamento de uma grande instituições bancária vem da parceria entre a Chainalisys e o Capital Union Bank.

Anunciado nesta segunda-feira, dia 25, o grande banco sediado nas Bahamas iniciou uma parceria com a empresa de análises on-chain, com o objetivo de melhorar sua gestão de riscos e monitorar seus clientes.

Eles também disseram que irão implementar o serviços de compliance da Chainalysis, para conseguir atender às demandas dos reguladores.

“Como um banco independente nas Bahamas, o Capital Union Bank está se posicionado de forma única para construir uma ponte entre investidores sofisticados e os mercados de criptoativos”, disse Patrick Zbinden, CEO.

“Com a Chainalysis ao nosso lado, nos sentimos preparados para fornecer esses novos serviços de maneira segura e compatível com reguladores [compliance].”

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