Já estamos cobrindo a história do Líbano a certo tempo, e a situação entrou em colapso. Segundo uma estimativa do Fundo Monetário Internacional (FMI), o banco central já possui dívidas de 170 trilhões de libras, além de bailouts e uma desvalorização de 80% da moeda.

Em casas de câmbio locais, a taxa de dólares estadunidenses para libras libanesas está sendo de 8000/1, perdendo cerca de 80% de seu valor no YTD (do começo do ano até hoje).

A informação das dívidas do Banco do Líbano foram relatadas pelo Financial Times: “uma série de trocas de dívida e moeda soberana com credores locais… para fortalecer o setor bancário, atrair moeda estrangeira e estabilizar a libra libanesa”.

“Essa atividade, combinada com o impacto da inadimplência do Líbano em março nas detenções de títulos soberanos do banco e um colapso no valor da moeda, resultou em perdas acumuladas de cerca de L£170tn.”

FMI ao Ministro de Finanças e governador do Banco Central do Líbano

Segundo o FT, as perdas pesam quase 91% da produção econômica de 2019, e equivale a quase todos os depósitos mantidos pelo banco central do país.

A crise começou a se agravar logo após o banco central tentar confiscar o salário do povo, em um projeto que se assemelha ao “Plano Collor Mundial“. Logo após o anúncio, bancos foram queimados no país.

A libra estava atrelada a 1.507,5 em relação ao dólar americano desde 1997.

Protestos de outubro de 2019. Fonte: The New Arab

A diretora gerente do FMI, Kristalina Georgieva, acrescentou: “As autoridades do FMI ainda estão trabalhando com o Líbano, mas não está claro se é possível que os líderes do país, partidos ativos e sociedade concordem em implementar as reformas necessárias para estabilizar a economia e impulsionar o crescimento econômico”.

Porém, caso o país “não aceite o diagnóstico, o FMI irá simplesmente sair de perto”, comentou Henri Chaoul, banqueiro e ex-conselheiro do governo.

Por fim, o diretor geral do Ministério de Finanças do Líbano, Alain Bifani, recentemente anunciou sua resignação seguida das tentativas de negociação com o FMI. Bifani esteve no cargo por cerca de 20 anos.