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O interesse pelo metaverso, ambiente gerado pela convergência de mundos virtuais, realidade aumentada e serviços de internet, explodiu nos últimos meses.

Ao oferecer uma experiência virtual coletiva, o metaverso introduziu novas oportunidades para criadores, jogadores e artistas, que pode representar um mercado de receita anual de mais de US$ 1 trilhão, segundo a Grayscale em um relatório no início deste ano. 

Para adicionar estilo e elegância ao mundo virtual do metaverso, algumas empresas do setor de moda estão montando seus desfiles no espaço digital. Algo que pode parecer desejo de consumo só para personagens de The Sims, agora impacta não só a economia do mundo real, como também o meio ambiente. 

Entenda melhor como a nova proposta da indústria da moda no metaverso tem conquistado as passarelas do mundo todo, inclusive no Brasil. 

Passarelas digitais 

O conceito de moda digital e 3D tem o desafio de mostrar que existe sim espaço para a construção de uma indústria de vestuário mais rápida e sustentável. 

As empresas denominadas de digital fashion house, responsáveis pelas coleções 3D de algumas das grandes marcas (Prada, Gucci, Adidas e Puma) reduzem o tempo de fabricação de uma peça física, que já poderá ser ajustada sem a necessidade de novos cortes ou costuras, facilitando a produção das peças pilotos.

Além disso, a moda digital permite que você tenha menos erros de produção e crie peças mais assertivas ao público aumentando a variedade de produtos e modelos sem aumentar a produção de suas amostras. Com isso todo o processo fica mais sustentável, já que o número de amostras desnecessárias é reduzido. 

“A Hol surgiu para resolver dois problemas da indústria da moda, que é a superprodução de roupas e a limitação criativa”, disse Bernardo Nery, gerente de relacionamentos da digital fashion house brasileira Hol Studio, em entrevista ao Cointimes. Ele ainda adiciona: 

“Então se hoje as empresas pararem de produzir roupa, a humanidade ainda teria 20 anos de roupas novas – para você ter uma ideia do quanto de roupa que é produzida a mais do que a gente consome. Conforme o consumo se otimiza, as tendências mudam e essas roupas vão ficando obsoletas e antigas, e o destino delas é o lixão, ou serão incineradas. Além disso, a indústria da moda, em questão de criação, fica na mão de cerca de 20 corporações, e o resto só copia”. 

Desperdício de roupas, dados

Sendo assim, as empresas que trabalham com moda digital oferecem uma alternativa ao comportamento de compra online que está obtendo retornos em massa e paralisando as marcas de moda que, como resultado, lutam para controlar seus estoques.

O fim do fast fashion ? 

A Zara é uma empresa espanhola, já muito criticada por seus famosos escândalos de casos de funcionários escravos e más condições de trabalho. Atualmente, ela tenta se redimir com o público. A marca se tornou referência em investimentos em tecnologia, já trabalhando com dados filtrados para recomendação de coleções e moda digital, o que facilita a produção dos produtos, nas etapas de prototipação e desenvolvimento das atividades da empresa.

É interessante notar que até as fábricas da China, desesperadas para aumentar sua produção, já trabalham com softwares de visualização 3D e, já fazendo uso dessa tecnologia para as pré-vendas das suas coleções, antes de pilotar a peça.

Um case de sucesso aqui no Brasil é da empresa Movin, do Rio de Janeiro, que com o uso do processo digital conseguiu reduzir o tempo de pilotagem da peça de 30 dias para de 1 a 2 dias, enquanto a sua assertividade (índice de acerto em vendas da coleção) sobe de 15% para 55%.

Além disso, como disse Nery ao Cointimes, as casas de moda no Brasil estão formando parcerias para criar soluções mais rápidas e criativas no cenário de moda aqui no país. Segundo ele, “fomos atrás de parceiros brasileiros, dentre eles a De-fash, primeiro marketplace de moda digital do Brasil. Eles validaram que o brasileiro gosta muito de ter a posse, por isso desenvolveram o Burning Shoes – um tênis em NFT”. 

A moda no metaverso conquistou um tubarão
Caito Maia, Fundador da Chilli Beans e apresentador no Shark Tank usando o Burning Shoe –  Fonte: De-fash

De acordo com Nery, o 3D ainda é o modelo principal de renda para a empresa nesse setor, mas como ainda há muito caminho para trilhar nesse nicho de mercado, novas oportunidades e eventos ainda surgirão. 

A moda do metaverso ou a moda no metaverso 

Recentemente a plataforma UNXD, que é construída na rede Polygon, e Decentraland, uma plataforma de realidade virtual construída no blockchain Ethereum, anunciou que planeja oferecer uma semana de moda no metaverso com desfiles, lojas pop-up e after-party em março.

O evento, primeiro da Decentraland, acontecerá de 24 a 27 de março. O show permitirá que os usuários vejam a moda em um ambiente virtual e comprem roupas para seus avatares online.

Em um tweet de domingo, a Decentraland pediu que designers, marcas e fashionistas tenham suas coleções virtuais prontas para se apresentar no metaverso.

Em setembro, a UNXD trabalhou com a marca italiana de alta costura Dolce & Gabbana para lançar sua coleção NFT, Collezione Genesi, que arrecadou aproximadamente US$ 5,65 milhões em uma venda. 

Isso mostra que o crescente interesse pelo metaverso não é somente capricho dos que vivem com NFTs no bolso, mas também uma nova proposta econômica e ambiental para setores tradicionais da economia, como é o caso da indústria da moda. 

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