Desde que começaram a circular rumores de aprovação de ETF no Bitcoin, a mídia especializada em criptomoedas passou a repetir exaustivamente que “investidores institucionais” estariam entrando no mercado de cripto. Mas ninguém realmente explica o que são e qual é a lógica deles.

Investidores institucionais, quem são eles?

Eles são o dinheiro de verdade, os provedores de liquidez aos mercados financeiros internacionais. Eles que dão condição para essa roda girar. Os institucionais são capazes de quebrar um mercado só apertando um botão.

São grandes empresas, fundos de investimentos, fundos de pensão, hedge funds e seguradoras. Bancos Centrais, apesar de não serem institucionais, atuam pesado no mercado de câmbio. A diferença entre eles e você é que eles nem sabem que você existe.

Imagine o homem mais rico do Brasil. Imaginou? Ele é pequeno perto desses caras. Estamos falando de titãs do mercado financeiro, que são capazes de movimentar diariamente, facilmente, centenas de bilhões de dólares. Vou listar abaixo quais são esses titãs. Provavelmente você deve conhecer ou ao menos ter visto o nome de algum deles:

O que os investidores institucionais querem?

Eles estão atrás de liquidez. Eles conseguem comprar e vender a um bom preço sem chamar a atenção do mercado. Através de robôs de alta frequência e ordens iceberg (milhares de ordens pequenas separadas em pequenos lotes), eles conseguem ser discretos e prover liquidez a qualquer livro de ofertas, além de ganhar com isso.

Eles conseguem posicionar ordens no topo do livro de ofertas com seus robôs de alta frequência, sem ter intenção de negociar. Eles “travam” os preços no curto prazo e induzem negociantes amadores a negociar no preço que eles querem. Essa é só uma das operações que eles realizam como market makers.

Geralmente eles possuem uma grande carteira de ações, geralmente a longo prazo. Se utilizam de uma equipe extremamente especializada, com um grande conhecimento estratégico.

Eles são extremamente importantes para a economia mundial, os institucionais assumem risco diariamente e são capazes de dar essa liquidez ao mercado financeiro. O preço dos ativos ficam mais estabilizados e grandes investidores conseguem comprá-lo e vendê-los facilmente,

Se cada um deles entrasse no mercado com 1% de sua capacidade financeira apostando contra o Brasil, veríamos um grande tsunami. O dinheiro dessas empresas facilmente ultrapassa a produção de vários países.

E no mercado de cripto?

Agora, você consegue imaginar essas empresas entrando no mercado de criptomoedas? O mercado ganharia liquidez rapidamente e permitiria a entrada de grandes investidores. Muitas pessoas acham que eles vão entrar nas corretoras apertando o botão de comprar e fazendo o preço disparar.

Engano. Quem faz isso é amador que não sabe com o que está lidando. Eles movimentariam os preços de forma extremamente discreta, sempre visando o longo prazo. Eles já poderiam estar atuando no mercado, de forma “não oficial”, através de mesas OTC e futuros na CME e CBOE.

A movimentação já acontece, temos a Bakkt, que será uma espécie de bolsa para atender essa demanda. A Fidelity já se movimenta para permitir seus clientes a negociarem cripto. Grandes bancos também começam a abrir a possibilidade de produtos em cripto.

O mercado, vê essa notícia como positiva e passa a comprar, fazendo o preço subir. Muitas pessoas vêem isso como: olha só, os institucionais estão chegando, eles vão apertar o botão de compra e o preço vai disparar. Mas não vai ser assim.

Eles querem liquidez e bom preço. Jamais comprariam Bitcoin a US$ 19.000. Será uma revolução silenciosa, é preciso tomar cuidado para não cair nesse FOMO (Medo de perder a oportunidade).