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A startup Fedi desenvolveu uma solução de custódia de Bitcoin por “second-party” que, em teoria, pode ajudar usuários leigos em questões de segurança e soberania dos fundos, evitando custodiantes centralizados, como ocorre em muitos casos.

Fedi levantou US $4 milhões em rodada de investimentos e fez anúncio inusitado em blockchain

A empresa de desenvolvimento de software Fedi Inc, especializada em soluções open-source relacionadas ao Bitcoin, anunciou na terça-feira (19 de julho) que realizou a captação de US $4 milhões em uma rodada inicial (Seed Round) de investimento privado para financiar seu projeto Fedimint, um protocolo para descentralização de custódia de BTC.

O anúncio da startup também foi bem inusitado, tendo sido registrado eternamente na blockchain do Bitcoin, no bloco número 745521, com mensagem no OP_RETURN da transação de txid: 425c6af7d3017241ddc311238e594cf1c14533529e11ab71a405f6dd3671b0df.

OP_RETURN, Decoded: Fedi has arrived
“Fedi has arrived” Fonte: Blockchair

“Fedi chegou”

Fedimint: Federação da custódia de bitcoin

O “carro chefe” ou, em inglês, o “flagship,” da Fedi é o protocolo open-source chamado Fedimint, que trás o conceito de custódia de bitcoin federada. E daí surge a primeira parte do nome do protocolo. Fedi – de federação.

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O Mint (cunhagem) diz respeito ao modelo de IOU (“I Owe You”) aplicado no protocolo, onde um número de usuários cria uma espécie de “federação” para custódia mútua dos bitcoins de cada um dos federados e, em troca, recebem tokens que funcionam como uma espécie de “vale-bitcoin” que pode ser resgatado do protocolo a qualquer momento, com o consentimento das partes envolvidas.

Algo muito semelhante ocorre na Lightning Network (LN), com aberturas e fechamentos de canais.

Como primeira impressão, – que pode estar errada, faça suas próprias pesquisas – a principal diferença entre o Fedimint e a LN é que: no primeiro, as transações em IOU ocorrem apenas em uma rede privada e permissionada, entre os “federados”. Enquanto na Lightning, elas ocorrem em uma rede pública e semi-permissionada – nodes não precisam de autorização para participar da rede, mas precisam de caminhos permissionados para transacionar com outros pares que não possuem conexão direta através de um canal.

Conforme explicado na Bitcoin Magazine, o Fedimint possibilita que um grupo de confiança (confiança é necessária, nesse caso) crie uma carteira multi-sign (multi assinatura) que passa a ser responsável pela custódia de bitcoin daquele grupo.

Cada membro desta federação recebe, após depósito na carteira, um token próprio da Fedimint que é cunhado em proporção aos BTCs depositados. Isso permite com que os valores sejam resgatados a qualquer momento, após assinatura dos outros membros.

Tanto a cunhagem dos tokens IOU, como o resgate dos bitcoins depende de um número mínimo de assinaturas para acontecer.

Por exemplo: poderão existir carteiras 2-3, onde 3 usuários possuem 3 chaves privadas diferentes, mas apenas 2 chaves são necessárias para movimentar a carteira ou cunhar tokens.

Também poderão existir carteira 3-5, seguindo a mesma lógica de 5 chaves privadas, mas 3 necessárias para assinar as transações.

Qual a vantagem dessa custódia de BTC?

De acordo com a Fedi, este tipo de custódia de bitcoin permite com que, usuários que confiam entre si, possam compartilhar a segurança de seus bitcoins, evitando “pontos únicos de falha” existentes na auto-custódia (single-party) e na custódia de terceiros (third-party), como exchanges.

A Fedimint chamou o conceito de second-party custody, como um ponto intermediário juntando pontos positivos de ambos os anteriores.

Alguns bitcoiners se demonstraram céticos em relação à solução da Fedi, como foi o caso de @shesek, na thread abaixo:

Ele levantou algumas críticas em relação à uma suposta “propaganda enganosa” por parte da startup, na tabela divulgada no post oficial de anúncio do protocolo. A tabela já foi substituída por outra.

Tabela comparativa sobre custódia de bitcoin entre as opções: Fedmint, terceiros, exchanges e carteiras de hardware.
Fonte: Fedi

O usuário também questionou as vantagens, já que algo semelhante pode ser realizado sem apoio do protocolo, ao confiar o back-up da seed (em um papel, por exemplo) a um familiar.

Apesar de que é uma situação bem diferente, já que com a chave privada única o familiar poderia roubar os fundos, enquanto com Fedimint precisaria conspirar com pelo menos outro familiar detentor de outra chave privada diferente.

O projeto ainda é experimental e possivelmente veremos posicionamentos favoráveis, contrários e neutros sobre a solução.

Na minha opinião, a auto-custódia é a forma mais segura de fazer a custódia de bitcoin e outras criptomoedas e é insubstituível, mas é um fato conhecido que muitos usuários não sabem (ou não querem) assumir total responsabilidade sobre seu patrimônio, confiando a custódia de BTC para terceiros, o que gera uma série de fatores de risco.

Então pode ser que a “custódia federada” ofereça uma experiência superior, ao se tratar de um círculo de pessoas conhecidas e que o usuário já confia em seu dia-a-dia, diferente de “confiar” em terceiros desconhecidos, cujos incentivos para manter os fundos seguros são puramente financeiros.

Saiba mais: Mt. Gox – O maior cisne negro do Bitcoin assombra o mercado com R$15 bilhões

Por outro lado, a custódia por contrato (como ocorre com exchanges, por exemplo), pode oferecer proteção jurídica aos donos dos fundos custodiados, possibilitando recuperação no futuro, com o auxílio de um tribunal, como está acontecendo com a MTGOX, desce o hack de 2014.

Veja a linha do tempo dos acontecimentos da maior exchange de bitcoin que perdeu milhões de seus clientes custodiais.

De qualquer forma, o conceito de custódia de bitcoin por “second-party” é interessante e apenas o tempo demonstrará os prós e os contras desta solução.

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