Vijay Boyapati, o autor de “The Bullish Case for Bitcoin” e cientista da computação com experiência no Google, disse que eventualmente as taxas de transação do BTC podem chegar a dezenas de milhares de dólares, e isso pode ser bom para a segurança.

No programa Unchained Podcast, Boyapati debateu sobre a segurança do Bitcoin com Justin Drake, pesquisador na Fundação Ethereum e ex-desenvolvedor do OpenBazaar.

A discussão sobre a segurança do Bitcoin

Drake explicou que a rede Bitcoin possui uma espécie de orçamento destinado à segurança, composto por dois componentes: a recompensa por bloco (emissão de BTC) e as taxas de transação. Agora, para ter um limite de 21 milhões, Satoshi escolheu reduzir gradualmente a emissão de moedas.

A cada quatro anos acontece um evento chamado halving do Bitcoin, que divide por dois a taxa de emissão de BTC, até que a rede chegue ao seu limite máximo de moedas. Portanto, com o tempo, as taxas serão as únicas receitas diretamente destinadas à segurança da rede.

Para Drake, isso é problemático por vários motivos. O volume de taxas nunca é garantido, então por qualquer motivo as taxas podem cair para um nível abaixo do mínimo que tornaria o bitcoin “seguro o suficiente”, ele explica.

Dessa forma, o Bitcoin não tem um fator garantido de segurança que poderia ter com a contínua emissão de moedas. Um dos desenvolvedores mais conhecidos do Bitcoin Core, Peter Todd, compartilha da mesma preocupação, como demonstrou em outro podcast anteriormente.

Taxas serão suficientes para manter o Bitcoin seguro?

Por outro lado, Vijay Boyapati acredita que não há motivos para se preocupar com as taxas serem de alguma forma insuficientes para manter a rede segura. Para ele, só movimentamos bitcoin de forma relativamente barata hoje em dia porque o BTC ainda é visto como “reserva de valor”.

A maioria das pessoas utiliza o Bitcoin como uma forma de poupar dinheiro, e não como moeda corrente, por isso eles não transacionam muitas vezes. Segundo Vijay, isso eventualmente vai mudar e o BTC se tornará muito mais um meio de troca e veremos taxas mais altas.

Porém, essas taxas podem se tornar tão altas que nem todo mundo poderá pagar. Ele explica:

“Ultimamente, eu acredito que o maior uso como meio de troca se dará em segundas camadas (como a Lightning Network) enquanto a camada base do Bitcoin será usada para liquidações entre bancos.

Então grandes instituições financeiras vão transacionar entre si diariamente. Logo JP Morgan e Citibank, por exemplo, vão liquidar US$ 3 bilhões em bitcoin todos os dias porque seus clientes vão estar enviando fundos de lá pra cá e terão diferenças de balanço que precisarão resolver entre si no blockchain.

Acho que quando chegarmos neste estágio as taxas serão muito mais altas, no que chamaremos de padrão de reserva Bitcoin. Nós facilmente veremos taxas nos milhares ou dezenas de milhares de dólares porque as pessoas vão liquidar quantidades massivas de dinheiro.”

Países podem bombardear mineradores de bitcoin, diz especialista

Mas além disso, Boyapati sugere que a teoria dos jogos é mais complexa do que parece e outros fatores garantiriam a segurança da rede. Se os bitcoiners enxergassem um atacante acumulando máquinas de mineração, por exemplo, poderia haver consenso em mudar o algoritmo de mineração e tornar todo o investimento do atacante inútil.

Outra situação hipotética levantada por ele é a possibilidade de vários países se ‘bitcoinizarem’ como El Salvador e estarem dispostos a proteger a rede, até mesmo bombardeando fazendas de mineração de Estados que atacarem o Bitcoin.

Mas qual a sua opinião sobre essa questão? Deixe na seção de comentários abaixo se você está preocupado com a segurança da rede após o fim da emissão de bitcoin.

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