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Um olhar completo sobre as stablecoins Altcoins

Um olhar completo sobre as stablecoins

O que são, quais os modelos e melhores propostas?

Neto Guaraci
Neto Guaraci

Hoje vou fazer uma análise sobre as stablecoins, o que são, quais os modelos de stablecoin existentes e darei alguns exemplos para ilustrar cada uso.

Também vou passar por oportunidades que tais moedas podem criar, uma ótima dica para empreendedores, inovadores e curiosos.

O que são Stablecoins?

Julian Assange do Wikileaks segurando jornal

Quando conheci o bitcoin em 2012 fiquei intrigado com um ponto, sua enorme resiliência. O maior governo que o mundo já viu não conseguia bloquear as transações ao Wikileaks (saiba mais sobre o episódio). Quando voltei a vasculhar sobre o Bitcoin, agora em 2014, logo após o hack da Mt.Gox, outro ponto me chamou mais atenção, sua enorme volatilidade.

No gráfico abaixo (clique para ampliar) vemos o preço do bitcoin em dólares antes e  após o hack da Mt.Gox (exchange que transacionava mais de 70% do volume de bitcoins do mundo).

hack da mt.gox 2014 bitcoin não é uma stablecoin

Mesmo antes do hack a variação no preço do bitcoin era e  ainda é altíssima (neste post eu falo sobre os motivos). A grande variação no preço sempre impediu a adoção em massa do bitcoin, o risco que um comerciante corre ao aceitar a criptomoeda (não convertendo-o) é enorme.

Como resolver isso? Como poderemos ter uma moeda descentralizada, livre de coerções governamentais (como as sofridas por Assange) e ao mesmo tempo sendo estável o suficiente para um comerciante aceitá-la?

Aí surgem as stablecoins, elas são criptomoedas ou tokens digitais usando o blockchain, a ideia é que seu valor se mantenha o mais estável possível. Comparemos o gráfico do bitcoin acima com o gráfico do Dólar/Euro.


Até nos momentos de mais instabilidade o par USD/EUR é extremamente mais estável do que BTC/USD.

Stablecoins e oportunidades

Segundo o site The Money Project, o total de notas bancárias, moedas e dinheiro nos bancos somam  aproximadamente 90.4 trilhões de dólares.

É um número tão absurdo que é difícil mensurar, por isso coloquei o gráfico abaixo neste artigo. Ele coloca em perspectiva o tamanho de uma pilha de 1 milhão, 1 bilhão e 1 trilhão de dólares em notas de cem.

pilha de 1 trilhão de dólares

Com “apenas” 1 trilhão já teríamos uma pilha de dinheiro chegando no espaço, multiplique essa pilha por 90 e você terá o tamanho que o mercado de stablecoins pode “engolir”.

Já imaginou os ganhos para a economia global em digitalizar todo esse dinheiro, torná-lo descentralizado e resiliente como o Bitcoin? Pois bem, muitas pessoas já pensaram nisso e alguns modelos de moedas estáveis surgiram ao longo desses 8 anos de revolução financeira. Vamos dar uma olhada em alguns.

Nem todas as stablecoins são criadas iguais

Dai x Tether luta de box
Dai x Tether fonte: medium.com/moatcoin

No mundo das stablecoins há basicamente três modelos fundamentais, são eles as stablecoins baseadas em IOUs centralizadas, aquelas com colateral descentralizado e por fim moedas com suprimento elástico.

Calma, vou explicar cada uma delas, começando pelo tipo mais usado atualmente.

IOUS centralizadas:

IOU (I owe you) é  um documento ou instrumento qualquer que indica o direito a algum bem ou serviço.

Neste modelo uma companhia gera tokens que dão direito a uma moeda (geralmente dinheiro estatal, como o dólar), as moedas ficam em um banco e os tokens são apenas representantes dos dólares (ou qualquer outra moeda). O valor do token está, claro, diretamente ligado com aquilo que ele representa.

O maior exemplo dessa classe de stablecoins é o Tether (USDT).Ela uma moeda envolta em muitas polêmicas, justamente pelo modelo adotado.

Por ser uma moeda centralizada seus criadores podem emitir a quantidade de USDT que quiserem, ou seja, é necessário confiar na empresa emissora. Isso gera riscos de insolvência e custos em auditorias.

Tether ajudou a alavancar preço de criptomoedas

Se essa classe de moedas não resolve nosso problema por conta da centralização, que tal descentralizar tudo?

Colateral descentralizado

Se o principal problema das IOUs era sua centralização, as stablecoins com colateral descentralizado parecem a solução para esse problema. Neste modelo é gerado um token que representa um ativo descentralizado, como uma criptomoeda ou token no blockchain.

Um exemplo é token Dai貸, é um contrato inteligente que tem como objetivo alcançar certa paridade com o dólar (cada 1Dai = 1 dólar), para conseguir isso o contrato inteligente arrecada ethers como colateral.Veja um vídeo sobre o projeto:

 

Mas calma lá, como o preço do Dai vai ficar pareado com o dólar se o token ether é tão volátil quanto o bitcoin?

Para resolver esse problema os criadores da moeda criaram algumas regras.  A primeira é que para cada 1 Daí gerado é necessário depositar 1,5 USD em ether. Isso significa que temos um colateral de 150% a mais, logo para cada 100 dólares criados de Dai, é necessário um depósito de mais 150 dólares em ether.

Esse mecanismo cria certa segurança para o usuário comum, de tal forma que mesmo com uma queda substância no preço do ether, o preço tenderá a se manter próximo de 1 dólar.

O segundo ponto é o custo para sacar os ethers, há uma pequena taxa de saque. A ideia aqui é garantir sempre um volume de ethers cada vez maior para cada Dai no mercado.

A grande vantagem é que você não precisa confiar em uma empresa para sacar seus ativos e nem se preocupar com a quantidade moeda gerada, pois qualquer pessoa pode enviar ether para o contrato inteligente e receber uma quantidade da stablecoin.

Mas será que o sistema funciona mesmo? O gráfico abaixo mostra o preço da Dai/Dólar, do seu lançamento até o dia de hoje.

 

stablecoin dai gráfico paridade com o dólar

 

Reparou na queda para quase 0,88 centavos de dólar? Ela aconteceu justamente no inicio de uma queda mais acentuada no preço do ether. Esse é um dos problemas das stablecoins com colateral descentralizado, se acontecer uma queda maior do que a quantidade de ether no colateral, o preço pode despencar.

Stablecoins com supply elástico

Stablecoins com suprimento de moedas elástico copiam o modelo usado pelos bancos centrais, porém algumas utilizam algoritmos pré-programados ou fórmulas conhecidas por todos na rede. É o único modelo que não requer o uso necessário de um outro ativo para colateralizar o preço.

Inicialmente, como estratégia para manter certa paridade de preço, a stablecoin pode ter seu colateral em alguma moeda como dólar, bitcoin ou real. Entretanto, depois de certo tempo o que definirá o preço da moeda será a quantidade dela no mercado.

De acordo com a demanda a quantidade monetária irá crescer ou diminuir. Mas como conseguir o aumento ou redução da quantidade de moedas no mercado? Para aumentar é muito fácil, basta criar mais tokens e para diminuir?

Há alguns artifícios, um deles é o uso de bonds, ou seja, a compra de moedas com promessa de pagamento futuro com juros ou desconto. Tudo isso usando algoritmos, regras conhecidas por todos.

Para os curiosos, um exemplo deste tipo de moeda é o projeto Basis. Veja o site do projeto para mais informações.

Como vimos, cada stablecoin tem pontos negativos e positivos. Nenhuma conseguiu resolver todos os problemas para conseguirmos um dinheiro escalável, descentralizado e estável.  Até agora

Uma velha solução para novos problemas

Hayek apontando o caminho para stablecoins
Hayek, nobel de economia em 1974 pelo seu trabalho pioneiro sobre a teoria da moeda.

Como vimos, todas as soluções anteriores tinham alguns problemas ou pequenas defasagens, fora que ainda necessitam do sistema tradicional.

Entretanto, algumas mentes inovadoras estão resgatando velhas teorias para solucionar o problema das stablecoins. 

É o caso da Boreal, uma stablecoin que utilizará as teorias de Hayek para manter a estabilidade do preço.

Hayek imaginava um sociedade na qual agências privadas pudessem emitir suas próprias moedas, tais agências iriam competir entre si para conseguirem mais usuários.

Para ele, as agências emissoras iriam escolher uma cesta de produtos e utilizá-los como base para o preço da moeda. Proposta parecida com as stablecoins com supply elástico que falamos acima.

É isso que a Borel quer fazer, mas em vez de utilizar produtos como arroz, carne, feijão, como teorizava Hayek, eles vão utilizar uma cesta de criptoativos.

A proposta da Boreal conta com um banco descentralizado, um sistema de contratos inteligentes e uma exchange descentralizada.

As stablecoins estão apenas começando, muitos empresários e cientistas estão trabalhando em novos protocolos, teorias econômicas e fundando empresas usando esse novo paradigma.

Você também pode criar uma stablecoin, no post abaixo mostro como criar um criptoativo para ICOs, olha lá e não fique de fora:

Onde criar um ICO? Veja as melhores plataformas

 

Neto Guaraci
Neto Guaraci

Sou estudante de Gestão de Negócios e Inovação na Fatec-Sebrae. Trabalho na Foxbit, ajudo na criação de conteúdo. Amo falar sobre criptomoedas, liberdade financeira e empreendedorismo. Se você também gosta, entre em contato. :)

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