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Com o ‘The Merge’ se aproximando, transformando o Ethereum em uma blockchain totalmente validada por PoS; a ameaça de centralização no Ethereum 2.0 é real e preocupa até mesmo Vitalik Buterin.

Possível centralização no Ethereum 2.0

Uma das maiores críticas em relação à vindoura atualização na rede do Ethereum, apelidada de “The Merge”, que vai mesclar a blockchain principal – atualmente em Proof of Work (PoW) – com a Beacon Chain (validada por Proof of Stake – PoS), é sobre a possibilidade de centralização na Ethereum 2.0 com a concentração de “stake” em poucos validadores.

Esta ameaça existe, já que, em teoria, tudo o que uma entidade maliciosa precisa para atacar o consenso da rede é depositar uma quantidade suficiente de ETH para conseguir mais de 50% do total de Ether depositado em staking pelos nodes validadores.

Para se tornar um validador, o node precisa fazer staking de, no mínimo, 32 ETH – que na cotação atual equivale a cerca de US $32.000, mas durante a alta histórica do Ethereum seria algo em torno de US $160.000.

Mesmo no possível “fundo de preço” em relação ao dólar, é fácil enxergar que são poucas pessoas que possuem $32 mil dólares disponíveis para serem travados em staking, ficando sem nenhuma liquidez por um período de tempo/blocos pré-definidos.

Além disso, quanto mais ETH é depositado, maior o peso dos votos na hora de validar as transações. Entenda mais sobre descentralização.

Saiba mais: Entenda o que é descentralização de uma vez por todas

Centralização no consenso e coeficiente de nakamoto

Ao possui uma limitação tão grande sobre o “stake” dos nodes que podem validar a rede, é normal que muitos investidores se juntem em pools de staking ou plataformas de staking para concentrar ETH suficiente, se tornar um validador e participar da recompensa de bloco proveniente da inflação no Ethereum 2.0 – ou na atual Beacon Chain.

No gráfico abaixo, observamos este fenômeno, com 42,3% dos ETH depositados serem de pools de staking, que funcionam mais ou menos como uma pool de mineração.

Gráfico pizza dos maiores depositores por categoria: 42,3% pools de staking, 31,7% outros, 17,7% exchanges, 8,31% baleias.
Ethereum: Maiores depositores por categoria” – Fonte: EtherScan – Beacon Chain

17,7% são de exchanges, que funcionam mais ou menos sob a mesma lógica, ao disponibilizar a ferramenta de “staking” para seus clientes. Apenas 8,31% são de endereços de grandes investidores (baleias) e o restante de outras categorias.

Ao analisar por endereços únicos, vemos que quatro entidades possuem mais de 55% de todo o ETH depositado em proof of stake: Lido (31,8%), Kraken (8,56%), Baleias (8,07%) e Binance (6,81%).

Centralização no Ethereum 2.0 através da Lido com 31,8% e outros nodes com 31,6%.
Ethereum: Maiores depositores por endereço” – Fonte: EtherScan – Beacon Chain

Ao compreender que “Baleias” pode envolver mais de uma diferente entidade, podemos concluir que o Coeficiente de Nakamoto (NC) do Ethereum 2.0 é maior que quatro (NC > 4).

Então ainda é ruim em termos de centralização do consenso, mas como medida comparativa, consegue ser melhor do que o do Bitcoin (BTC), cujo NC = 4, mas em alguns momentos chega a ficar igual a três (3).

Gráfico pizza mostrando pools com mais hashrate no Bitcoin. Foundry USA 20,1%, F2Pool 15%, AntPool 14,2%, Binance Pool 12,7% e outros.
Bitcoin: Distribuição das pools de mineração” – Fonte: BTC.com/stats/pool

Ainda como medida comparativa temos a Nano (XNO), com NC = 9 no momento, mas que normalmente flutua entre 10 e 12.

Gráfico pizza com o coeficiente de nakamoto e a descentralização da Nano. 9 entidades sendo as maiores: 17,84%, 10,9%, 10,36%, 9,08%, 6,15%, 4,71%, 3,96%, 3,16%, 1,97%
Nano: Distribuição do Peso dos Votos dos Principais Representantes/Entidades” – Fonte: NanoCharts

O Coeficiente de Nakamoto mede a quantidade de entidades que precisam ser corrompidas para que ocorra centralização no consenso. No caso da Beacon Chain, a centralização no Ethereum 2.0 precisaria de mais de 4 entidades corrompidas no estado atual da rede, mas existe uma preocupação com o aumento gradual dos depósitos da pool de staking, Lido.

Centralização no Ethereum 2.0 preocupa Vitalik

Em entrevista para a Fortune, quanto questionado sobre o caso, Vitalik respondeu:

“(…) estou definitivamente preocupado. Acho que é uma das maiores questões em que estamos pensando ao tentar descobrir como mudar para ‘proof of stake’ no longo prazo. Mas também acho importante não catastrofizar demais a questão, porque é isso que muitas pessoas fazem.”

O criador do Ethereum reconhece que a preocupação sobre a centralização no Ethereum 2.0 existe e ele continua, explicando sobre o caso do maior depositante:

“Mesmo com o Lido, por exemplo. Lido tem cerca de um terço [dos depósitos de Ether na cadeia Beacon]. Em primeiro lugar, se você tiver um terço, não poderá reverter a cadeia ou qualquer outra coisa. Há algumas coisas que você pode fazer. Mas, realisticamente, o pior que você pode fazer é fazer com que a finalidade pare de acontecer por cerca de um dia ou mais, o que é inconveniente, mas não é tão terrível.”

O que ele quer dizer com isso, é que já no estado atual da rede, a Lido poderia criar problemas para o Ethereum 2.0. Mesmo não sendo possível algum tipo de ataque de 51%, com um terço do consenso o node pode se recusar a validar as transações. Com um mínimo >67% para atingir finalidade determinística, a recusa de um validador com 33% criaria atrasos temporários na confirmação.

Apesar de Buterin dizer que é “apenas um inconveniente”, para uma rede como o Ethereum, este atraso significaria bilhões de dólares perdidos, nas centenas de protocolos e plataformas ou milhares de negócios que já dependem da rede para rodar.

É importante que os investidores estejam conscientes disso e tomem medidas para proteger seus investimentos. Uma das medidas possíveis é que os participantes das pools parem de depositar na Lido, escolhendo outros prestadores de serviços ou tentando descentralizar e distribuir mais os Ethers (ETHs) em staking.

Uma ameaça constante é o surgimento de novos ‘players’ com grande concentração de riqueza, como a BlackRock, por exemplo.

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Grandes fundos que custodiam capital de terceiros podem conseguir dominar o consenso temporariamente e ameaçam tornarem-se “donos da Web 3.0”, em uma possível centralização do Ethereum 2.0.

O monitoramento pró-descentralização deve ser constante e encarado com seriedade.

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