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A inflação do Bitcoin pode estar influenciando a queda mais recente e a dificuldade de superar os US $20.000, com taxas recordes de vendas por parte dos mineradores, a partir das moedas recém criadas pela atividade.

Mineradores vendem 100% das moedas mineradas em maio

Uma pesquisa da Arcane Research, publicada na terça-feira (21/jun) mostra que a porcentagem de venda das moedas mineradas vem crescendo em 2022, com todo o cenário macroeconômico e outros casos de insolvência e crashs – como da LUNA, Celsius, 3AC, entre outros – levando o preço do Bitcoin para baixo.

Isso gera um efeito dominó que acaba criando outras fontes de pressão vendedora, como por exemplo proveniente da inflação do Bitcoin que, neste halving, é de aproximadamente 27.000 BTC por mês – considerando 900 bitcoins por dia, com 6,25 BTCs a cada novo bloco minerado, que acontece aproximadamente de 10 em 10 minutos.

A inflação do bitcoin é muitas vezes ignorada como possível pressão vendedora, graças a expectativa das 21 milhões de unidades máximas, que deve ocorrer no ano ~2140.

Mas o Bitcoin está sujeito às mesmas leis econômicas que qualquer bem ou serviço e, com a criação de novas moedas através da mineração, a oferta de Bitcoin aumenta com o tempo (em ~900 unidades por dia). Caso a demanda não acompanhe este aumento, apenas a mineração já pode ser um fator de queda no preço, por conta da lei de oferta e demanda.

Mineradores têm custos altos e a mineração é um negócio que precisa ser lucrativo para se manter. Normalmente as vendas de mineradores são feitas apenas para cobrir estes custos e o pro-labore dos sócios; quando precisam ocorrer, já que muitas empresas são financiadas com investimentos de terceiros e capital de giro que evita a venda de curto prazo.

No entanto, com a queda do preço dos últimos meses, muitos destes negócios estão se vendo obrigados a vender maiores quantidades do Bitcoin minerado por eles. O aumento começou nos primeiros meses de 2022, marcando uma média aproximada de 30% de venda do total colocado em circulação.

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O que significaria cerca de 8.100 BTC por mês, ou US $162 milhões, considerando 1 BTC = $20 mil dólares.

Gráfico mostrando o grande aumento de 30% para 100% do total de bitcoins minerados sendo vendidos no mesmo mês.
“Bitcoin vendido por mineradores públicos em 2022” – Arcane Research

Mas o mês de maio apresentou volume recorde de vendas, com os mineradores vendendo mais de 100% da quantidade minerada no mês. O que significa que venderam todas as novas moedas criadas, mais moedas acumuladas em hold dos meses anteriores.

Considerando 100% de vendas, isso resultaria em um volume de cerca de 27.900 BTC, ou US $540M, na mesma cotação ($20 mil USD). Sabemos que foi maior.

Um puxa o outro

Com isso, as entidades validadoras da rede, que garantem a segurança da blockchain do bitcoin, se demonstram pessimistas em relação ao curto prazo futuro do preço do ativo e poderia indicar possível descapitalização da atividade, o que afetaria momentaneamente sua solidez e poderia expor algumas vulnerabilidades sobre o consenso.

Todos estes fatores estão atrelados entre si e, infelizmente, “um puxa o outro”, podendo causar ainda mais quedas, que causariam mais quedas, dúvidas, incertezas, medos, com mais quedas… Até que em algum momento encontre o ponto de equilíbrio.

Por outro lado, a venda massiva das posições também significa que entidades estão em fase de capitulação, o que normalmente indica fundos de preço. Argumentando que o pior já passou e o preço deve voltar a subir, melhorando todo o cenário como consequência – “um puxa o outro”.

O futuro é incerto. O que você acha que vai acontecer?

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