Ontem o preço do bitcoin chegou a cair mais de 10%, dentre outros motivos, por conta de um boato de uma forte regulamentação nos Estados Unidos que adicionaria burocracia paras as corretoras de criptomoedas.

Foi o CEO da Coinbase, Brian Armstrong, quem compartilhou suas preocupações em relação a isso no Twitter, desencadeando em uma série de discussões sobre o assunto, e como isso impactaria negativamente o mercado.

Na manhã desta sexta-feira (27), Danny Scott, CEO da exchange britânica CoinCorner, explicou como o Reino Unido já tentou aplicar a mesma regulamentação no país e foi além de prejudicial, ineficaz em sua justificativa.

Regulação sobre carteiras pessoais?

Fundada em 2014 e escolhendo as Ilha de Man como sua sede, a CoinCorner enfrentou uma regulamentação em 2015 muito similar com a que Armstrong alertou todo o mercado na quinta-feira, possivelmente fazendo o mercado desabar com FUD (medo, incerteza e dúvida).

“Em 2015, estávamos trabalhando com a Ilha de Man FSA na regulamentação que faria com que os negócios de criptomoedas se enquadrassem primeiro na “Lei do Produto do Crime” e, em seguida, na “Lei de Negócios Designados”. Durante este processo, destacamos a eles que podemos não saber para onde o cliente está retirando seu Bitcoin (sanções/motivos criminais etc.)

Então, eles queriam a confirmação do cliente de que os fundos que estavam enviando iriam para uma carteira “controlada por eles”. As capturas de tela eram um pensamento óbvio (algo que agora acredito que a Holanda introduziu)”

Como uma opção alternativa, Scott explicou para os reguladores que era possível provar a posse de uma carteira através da assinatura de uma mensagem (em uma funcionalidade própria das wallets de bitcoin). “Eles aceitaram que isso substituísse as screenshots. Nós descobrimos que poderíamos automatizar do nosso lado, então concordamos em fazer um teste de 1 mês para ver como isso afetava os negócios.”, disse.

O processo era:

  1. Cliente insere endereço de retirada
  2. Exchange manda uma mensagem aleatória para que o cliente assine o endereço de retirada usando as chaves
  3. O cliente assina com a carteira pessoal
  4. Eles mostram a assinatura após entrarem no site da corretora
  5. A exchange verifica a assinatura automaticamente

No entanto, isso causou um verdadeiro caos para os clientes sacarem suas criptomoedas, porque muitos usuários sequer entendiam o que era a assinatura de mensagens, segundo o CEO da empresa. Além disso, muitos aplicativos de carteira não tem essa funcionalidade embutida de forma fácil.

Com essa regra, também ficava impossível comprar produtos enviando as moedas diretamente da corretora. E usar uma carteira como intermediária para a compra de produtos pode deixar o processo mais demorado e custoso.

“Explicamos muito sobre como o Bitcoin funcionava e que, devido à natureza do Bitcoin, um cliente poderia contornar essa prevenção de várias maneiras, considerando-a um exercício inútil…

Por exemplo, pedindo a um amigo/criminoso/etc para assinar a mensagem por eles ou mandar para carteira própria completando o processo – depois mandar do pessoal para o amigo/criminoso/etc.”

Ele ainda explicou que atividades similares como retirar dinheiro em um caixa eletrônico não possuía regulamentações semelhantes. É perfeitamente possível que alguém entregue seu cartão e PIN para que um terceiro saque dinheiro por ele em um ATM. Ou essa mesma pessoa pode sacar e entregar para um terceiro imediatamente, isso nunca foi um problema.

O usuário do Twitter Mr Hodl levantou exatamente esse questionamento nesta quinta-feira.

“Estou tentando descobrir como adicionar mais 1 passo de verificação de identidade tem qualquer efeito negativo em um usuário que já é verificado nessa exchange. Como uma bolsa pode controlar o que você faz depois de colocar os UTXOs [saídas não gastas de bitcoins, ou seja, as moedas] em custódia própria?”, perguntou MrHodl, adicionando:

“Quanto mais eu penso sobre isso, mais essa notícia me parece um hambúrguer de nada.”

Então Danny Scott explicou para os reguladores que seria forçado a mudar para uma outra jurisdição se a regulamentação continuasse, pois mataria o negócio. “A nova tecnologia precisa de liberdade para prosperar com inovação, não ser estrangulada por regras inúteis que nada impedem”, afirmou ele.

“Eles foram razoáveis e perceberam que isso é algo que na verdade não impede nada, apenas move um “problema” para longe de nós e para a próxima pessoa. Se realmente podemos chamar isso de problema. 5 anos depois, ainda estamos operando sem problemas aos quais esta regra estaria relacionada.

Resumindo, se a regulamentação não consegue acompanhar a inovação, apressar a eliminação de regras não educadas é algo que deve ser evitado a todo custo. Isso irá afetar negócios e clientes, sem resolver nada.”, finalizou o CEO da CoinCorner.

Resta esperar para ver se os Estados Unidos terão a mesma razoabilidade que citou Scott, ou se irão tentar forçar essas regras inúteis e prejudiciais em exchanges de cripto.

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