Cerca de 9,1 milhões de bitcoins, representando cerca de 51% daqueles em circulação, não mudam de mãos há pelo menos seis meses.

Hype do Bitcoin

Em dezembro de 2017, o bitcoin atingiu seu maior nível de todos os tempos, cerca de R$ 70.000,00 reais. Foi uma jogada impressionante para um ativo que foi negociado abaixo de R$ 3.000,00 reais no início do ano. O hype (euforia) atraiu a todos, desde discípulos de tecnologia até o seu João da banca da esquina.

Mas não durou muito. E ainda não voltou ao que era.

Na última semana de novembro, com o comércio de bitcoin em torno de R$ 31.000,00 reais, apenas cerca de 14% dos 18 milhões de bitcoins em circulação foram negociados ativamente, de acordo com dados da empresa de pesquisa Flipside Crypto. Isso significa que está abaixo de mais de 50% do que outubro de 2018.

A energia que impulsionou o bitcoin e a indústria de criptomoedas durante grande parte dos primeiros anos foi substituída pela realidade preocupante de que a criação de novos padrões monetários globais exigem mais do que um código de computador.

Nada atingiu a velocidade de escape“, disse Ryan Selkis, fundador da empresa de pesquisa Messari. Embora os apoiadores do bitcoin ainda estejam otimistas, o progresso no setor como um todo “ainda é praticamente invisível, pelo menos do ponto de vista narrativo“, disse ele.

Halving do Bitcoin

O mercado busca o próximo grande catalisador do bitcoin há dois anos, e estão crentes que o próximo halving do Bitcoin pode ser o novo estopim. 

As ofertas iniciais de criptomoedas (ICOs) foram e vieram. Os investidores voltaram seu foco para os fundos negociados em bolsa de bitcoins, aplicativos descentralizados (Dapps) e finanças descentralizadas.

Agora, as esperanças recaem sobre os investidores institucionais e houve sinais de progresso nessa frente. A Intercontinental Exchange Inc. lançou sua bolsa de futuros, Bakkt, no início deste ano, com o objetivo final de tornar as criptomoedas suficientemente transparentes e regulamentadas para que os indivíduos usem em compras no varejo.

Enquanto isso, a corretora de criptomoedas Coinbase tem recebido entre US $ 200 milhões a US $ 400 milhões em depósitos por semana, disse o executivo-chefe Brian Armstrong no Twitter em agosto.

No entanto, o número de transações diárias com bitcoins vem caindo ultimamente. Desde o início de novembro, movimentou-se cerca de 307.000 transações, segundo dados do Blockchain.com. Isso está abaixo dos 370.000 da última primavera.

O preço do bitcoin se recuperou de sua baixa de dezembro de 2018, de cerca de US $ 3.100. Mas, como evidenciado pela queda nas negociações ativas, é impulsionado por menos investidores.

Holders

Cerca de 9,1 milhões de bitcoins, representando cerca de 51% daqueles em circulação, não mudam de mãos há pelo menos seis meses, segundo a Flipside. Cerca de dois milhões desses bitcoin não se movem há mais de dois anos.

Em um nível, esse número não é surpreendente. Um grande tema nos círculos de bitcoin é hodl (guardar seus bitcoins ao invés de vendê-los). Alguns defensores do bitcoin dizem acreditar que a criptomoeda está destinada a subir, e se recusam a vender. Mesmo em dezembro de 2017, durante a bolha, o percentual de bitcoins que não eram negociados há mais de seis meses era de cerca de 40%.

Algo que não mudou entre então e agora: praticamente todo o bitcoin parado é mantido por um número relativamente pequeno de pessoas.

Atualmente, apenas cerca de 8,5% de todas as carteiras de bitcoin – as contas online usadas para armazenar bitcoin – detêm 99% de todo o bitcoin em circulação. Isso mudou pouco em relação a 2017 onde eram mantidos cerca de 6% em hold.

Existem cerca de 44 milhões de carteiras online, de acordo com dados do Blockchain.com, o que significa que cerca de 3,7 milhões de carteiras contêm 99% de todo o bitcoin. O número de usuários reais provavelmente é menor, pois uma pessoa ou entidade pode controlar mais de uma carteira de bitcoin.

Não está exatamente claro quantas dessas carteiras pertencem a corretoras, mas isso não muda a conclusão de que a grande maioria dos bitcoins é controlada por relativamente poucos jogadores.

Muitas pessoas estão paradas no momento“, disse Eric Stone, chefe de ciência de dados da Flipside. 

Mas esse bitcoin ocioso é como gravetos, ele sugeriu. “Pode ser o precursor de mudanças dramáticas“.