O relatório Focus, elaborado semanalmente pelo Banco Central, não traz uma boa notícia: pela sétima vez seguida, a projeção do crescimento da economia brasileira para 2019 foi reduzida. Dessa vez, o crescimento passou de 1,97% para 1,95%. É a sétima redução seguida.

As estimativas para 2020 também apresentaram grande redução: a previsão do crescimento foi cortado de 2,70% para 2,58%. Esse número já foi maior: chegou a 2,80%, atingido no começo de março.

A economia brasileira cresceu 1,1% em 2018, após apresentar uma evolução de 0,1% no quarto trimestre, em relação aos meses anteriores.

Inflação, juros e dólar

Se a atividade econômica é reduzida, haverá menor pressão sobre os preços, especialmente em serviços. Economistas projetam uma menor inflação (IPCA), de 3,81% para 2019. Para 2020, a previsão da inflação foi mantida em 4%.

Em Março, o COPOM manteve os juros (Selic) em 6,5% ao ano, conforme era esperado. A previsão para os juros em 2019 se manteve em 6,5% com uma subida de 7,5% para 2020. Os juros são uma ferramenta de política monetária, já que são capazes de alterar a dinâmica da economia no médio prazo.

As estimativas do relatório Focus apontam para o dólar médio em R$3,78 durante o ano de 2019.

Reforma da previdência se torna mais urgente

O mercado se posicionou de forma a esperar a reforma da Previdência, que traria equilíbrio e maior previsibilidade das finanças do governo, caso seja feita com efetividade. Investimentos estruturais e de longo prazo da iniciativa privada não serão feitos diante de tanta incerteza em relação a economia brasileira.

Diante disso, a geração de empregos, aumento de renda e crescimento da economia, se tornam mais difíceis e menos concretos no curto prazo. A reforma se torna mais urgente como uma condicionante da recuperação para a economia brasileira. Enquanto isso, o mercado segue esperando por mais definições, apesar do apoio a reforma ter crescido no último mês.