A Câmara deu o recado para Jair Bolsonaro e Paulo Guedes: não vamos tolerar falta de diálogo. A casa aprovou a proposta de emenda constitucional (PEC) do Orçamento impositivo, que obriga o poder Executivo a cumprir todo o Orçamento, incluindo parlamentares, de bancadas estaduais.

Isso diminuiu a pouca margem para o governo manobrar seus gastos. Só 3% do total de R$1,4 trilhão pode ser cortado e realocado. A PEC vai aumentar em quase R$ 4 bilhões o gasto obrigatório com emendas parlamentares. O pior é que a derrota foi grande: 448 votos a favor da PEC, contra 3 manifestações de oposição.

A reação dessa derrota do governo foi imediata no mercado. O Ibovespa caiu mais de 2% logo nos primeiros minutos de abertura, ficando na região dos 92 mil pontos. O Dólar opera a R$3,94, a maior alta do ano, com uma subida de 1,8%. A lua de mel de Bolsonaro com o mercado está chegando ao fim.

Essa derrota dá o recado ao governo: a Reforma da Previdência vai demandar tempo, paciência, diálogo e muita negociação. Além de indicar que dificilmente ela será aprovada com o texto original. Por essa razão, os mercados estão reagindo de forma tão volátil a qualquer agitação política.

O Ibovespa, índice da Bolsa de São Paulo, subiu com a expectativa de uma liberalização da economia e da aprovação da reforma, mas até o momento, existem imprevistos e turbulência. O Banco Central acredita que só haverá crescimento sustentável com aprovação da reforma.

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Exterior também não ajuda

Os mercados internacionais observam com atenção as conversas entre Trump e Xi Jin Ping, da China. Os dois países estão em uma guerra comercial, que está machuncado a economia de ambas potências mundiais e parceiros comerciais.

A inversão da curva de juros, evento que geralmente antecede recessões, está preocupando investidores. Apesar de estar em boas condições, economistas acreditam que a economia dos EUA talvez entre em recessão ainda em 2020.