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Matando a fake news do “voto nulo invalida as eleições” Opinião

Matando a fake news do “voto nulo invalida as eleições”

Quais as consequências de ficar em cima do muro?

Roberto Cury
Roberto Cury

Olá, amigo leitor de artigos de fontes confiáveis e não de correntes whatsappianas, seja bem vindo à morte de uma clássica fake news em período eleitoral. Aposto que você leu ou ouviu de alguém nas últimas semanas que o ideal seria “todo mundo votar nulo para invalidar as eleições”. Confirma (ops)?

Pois bem, trago verdades. Antes de mostrar o porquê essa afirmação é uma grande mentira ventilada aos quatro cantos, queria reforçar a tristeza de não me sentir representado por nenhum dos candidatos que lá estão (tanto para a presidência quanto para o governo do Rio, onde voto e vejo de forma melancólica o quanto se deteriora ano após ano).

Um fato é: a força das abstenções e anulações aumenta a cada eleição. Sobre o total de possíveis votantes em 2006 esse número de abstenções, brancos e nulos era de “apenas” (cof cof cof) 23,76%, subiu para 27% em 2010 e chegamos a vergonhosos 29% no primeiro turno destas eleições.

Seja pela obrigatoriedade ou pela falta de boas opções, vemos que o povo participa cada vez menos eleição após eleição, de forma gradativa.

A anulação das eleições

Sobre a grande mentira da anulação das eleições: isso não é possível com o sistema eleitoral que temos em vigência. Essa mentira se deu muito por conta do que existia até 1997, quando o voto em branco era contado como válido nas eleições proporcionais de deputados e vereadores.

Basicamente, agora, o que conta para a eleição são os votos válidos. Se, em uma situação hipotética, todos os eleitores se revoltassem com a situação e votassem branco ou nulo e apenas um eleitor votasse em um candidato, seria exatamente ele o eleito.

Ah, mas isso é um absurdo, Roberto! Se a maior parte da população foi contra os dois, o certo seria nenhum deles entrar”. Concordo com você, caro leitor, mas não será possível que novas eleições aconteçam. Simplesmente porque nosso sistema eleitoral não funciona dessa forma.

Eu sei, você está chateado ao ler isso, te entendo. No fundo seu voto nulo ou branco era um voto de protesto e você queria que isso fosse “ouvido”. Mas não é, nem um pouco. Segundo a nossa Constituição Federal de 1988: “é eleito o candidato que obtiver a maioria dos votos válidos, excluídos os brancos e os nulos”.

Agora que você já está 50% chateado comigo, eu vou completar sua chateação com os outros 50%: com sua anulação ou ausência você está, indiretamente, aceitando quem está na frente nas pesquisa (falando em pesquisas, recomendo esse texto que mostra o malefício da indústria das pesquisas no resultado das eleições).

Claro que não, Roberto, estou me abstendo, não dando voto para o primeiro!”. Concordo, seu voto não será computado para o primeiro lugar, outra mentira que rodava muito por aí, mas você está sendo conivente com quem está lá, simplesmente pela sua abstenção. Ainda nesse caminho recomendo muito que você assista a essa campanha sensacional do Burguer King e repense.

Para finalizar as polêmicas, o Cointimes é um portal imparcial, com espaço para a visão de todos (mais uma recomendação de leitura aqui) e estou aqui trazendo minha parcialidade e recomendação: escolha um lado, saia da sua bolha.

Se para uma vaga de emprego na sua empresa você entrevista 10 pessoas, pelo menos, lê mais de 20 CVs e ainda faz testes, porque na hora de eleger seu presidente ou governador você se abstém? Leia (de fontes confiáveis), estude, entenda os possíveis impactos da eleição do candidato X ou Y. Muito melhor você sabendo do que ouvir de alguém depois um “você não pode falar nada, você não votou”.

Fontes:

https://www.portalt5.com.br/noticias/politica/2018/10/143438-voto-branco-x-voto-nulo-saiba-a-diferenca-e-para-onde-vao

http://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2018-10/saiba-qual-e-diferenca-entre-votos-brancos-e-nulos

https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2018/10/01/votar-nulo-ou-em-branco-nao-faz-diferenca-no-resultado-da-eleicao

Roberto Cury
Roberto Cury

Roberto Cury, 30 anos, recém entusiasta de bitcoin. Formado em Administração pela UFF e pós-graduado marketing pela FGV. Trabalha com marketing há mais de 10 anos, tendo passado por agência e empresas como Peixe Urbano, OLX e Méliuz.

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