Manter parte das reservas de uma empresa em Bitcoin parecia uma ideia insana há alguns anos atrás. Hoje em dia cada vez mais parece uma boa ideia, com não só a MicroStrategy transferindo 15% da empresa para a criptomoeda, mas com restaurantes e aplicativos de design entrando na onda.

O temor de uma maior inflação, e a expectativa de uma grande valorização a longo prazo do bitcoin explicam o porquê as empresas estão recorrendo à criptomoeda em seus balanços. Mas algo em particular das empresas de capital aberto que também pode ter motivado essa decisão.

Uma nova maneira indireta de investir em Bitcoin

Comprar ações na bolsa de valores é provavelmente a maneira mais fácil de se investir em uma empresa. E dentro das corretoras sempre existem muitas opções, ainda mais quando pensamos no cenário internacional.

Então a competição pelo dinheiro do investidor comum é muito grande, e as empresas listadas em bolsa sabem muito bem o que as pessoas procuram. E o interesse tem se mostrado enorme por um ETF de Bitcoin, que até hoje ainda não foi aprovado.

Como apontado pelo analista PlanB, a MicroStrategy transformar 15% do balanço em BTC, sendo uma empresa listada na Nasdaq, basicamente “criou um ETF”, mas com 85% de exposição ao setor tecnológico (que vem crescendo vertiginosamente na bolsa).

Logo os investidores mais tradicionais poderão se expor ao BTC através da compra de ações de empresas, aumentando o potencial de lucro e ajudando esses empreendimentos a se expandirem.

A MicroStrategy vem apresentando ganhos consideráveis na bolsa de valores, como podemos perceber abaixo:

gráfico da MSTR na bolsa americana NASDAQ

Grayscale que se cuide

Logo após o Bitcoin e várias altcoins começarem a entrar em uma grande bolha em 2017, várias startups surfaram no hype apresentado projetos supostamente baseados em blockchain. Bastava colocar blockchain no nome que angariavam milhões em rodadas de investimento, mesmo tendo os planos baseados em DLT ou outros bancos de dados similares.

Tudo isso se mostrou insustentável, mas uma empresa ao simplesmente trocar parte da sua reserva de dólares por bitcoins, ela não precisa nem sair da sua área de atuação para potencialmente trazer novos investidores e expandir seu negócio. Com isso, também podem atrair novos compradores de Bitcoin e se beneficiar com a alta da criptomoeda.

Adam Back, CEO da Blockstream, empresa que mantém Bitcoin em seu balanço há anos, levantou a questão de que essa nova onda poderia diminuir a atratitvidade da Grayscale, que mantém fundos que investem unicamente em criptomoedas.

“Fique alerta @barrysilbert (CEO da Digital Currency Group) algumas dessas empresas públicas holders de #bitcoin podem acabar com NAV inferior ao GBTC (GrayscaleBTC) mais um valuation de uma empresa por cima.”, tuitou ele.

Provavelmente fazendo alusão ao “premium” que existe na compra de papéis de GBTC, o que quer dizer que investidores pagam mais caro do que o “ideal” considerando a quantidade de criptoativos que o fundo possui.

O NAV representa a quantidade de ativos que o fundo possui menos os custos dividido pela quantidade de papéis. Quando o preço do papel está superior ao NAV, diz-se que o investidor paga um premium, enquanto se está mais barato, o investidor tem um desconto.

Ao que Barry Silbert, fundador do grupo que originou a Grayscale, respondeu:

“Seria um grande problema para nós se um monte de empresas públicas começassem a comprar bitcoin e manter em seu balanço”