Duas semanas depois de anunciar a recusa de certas transações no coordenador de CoinJoin da Wasabi, a empresa por trás da carteira finalmente prestou esclarecimentos sobre a decisão.

A publicação inicia afirmando que não compartilhará os detalhes legais e regulamentares do assunto, mas o CEO da zkSNACKs, Bálint Harmat, admite no mesmo texto que a decisão de adicionar uma lista negra ao CoinJoin foi feita preventivamente, sem nenhuma pressão legal atual.

Resumidamente, um CoinJoin é uma técnica que une transações de diversos usuários na intenção de misturar suas moedas para aumentar o nível de privacidade. Em larga escala, alguém poderia imaginar que isso aumentaria a fungibilidade do Bitcoin, mas não se o próprio coordenador do CoinJoin distinguir entre as moedas que são aceitas na mixagem.

Por conta disso, a decisão da empresa por trás da carteira de privacidade Wasabi foi considerada um oxímoro por diversos membros da comunidade. Até mesmo alguns desenvolvedores da Wasabi criticaram a decisão.

Motivações da Wasabi fazem sentido?

Na publicação, a zkSNACKs chama a própria atitude de exploração de falha do coordenador da Wasabi, mas afirma que é por uma boa causa.

“Ao explorar a única falha de arquitetura do coordenador não anônimo da Wasabi Wallet: falta de resistência à censura, quebramos um dos maiores tabus do Bitcoin: a lista negra, para alcançar algo maior: a sobrevivência da melhor tecnologia de privacidade do Bitcoin. Ao fazer isso, estamos dando ao anonimato do Bitcoin uma chance de prosperar.”

A alternativa para isso seria, na visão da empresa, o desligamento do zkSNACKs, que poderia significar um “recuo na privacidade do Bitcoin por décadas.”

No entanto, como a empresa admite, não houve pressão legal atual para o descontinuamento do CoinJoin da maneira que ele operava anteriormente.

Não existe um regulamento específico que exige que os desenvolvedores de software de carteira sem custódia coloquem endereços na lista negra ou contratem empresas de vigilância em blockchain, conforme admite a empresa:

“Embora seja correto que não haja legislação que diga especificamente que os coordenadores de coinjoin devem colocar na lista negra os UTXOs de seus clientes, os desafios encontrados para operar o negócio mesmo nas jurisdições mais liberais são numerosos e se multiplicam.”

Mas, para além disso, existem alternativas à Wasabi como o JoinMarket e a Samourai Wallet, com soluções similares e, até o momento, sem censura de transações.

A zkSNACKs continua os esclarecimentos e nega que a decisão tenha sido motivada por “querer banir os russos”, mas alega que simplesmente está no seu direito de escolher quais serão os seus clientes e quais endereços serão negados.

“…uma empresa privada tem o direito de escolher seus clientes e os usuários têm o direito de reclamar. Assim, tudo está sendo como deveria ser. Embora gostaríamos de servir a cada indivíduo neste mundo, essa utopia cypherpunk ainda não está aqui.”

O anúncio da carteira ainda esclarece outras informações importantes sobre a privacidade dos usuários da Wasabi:

“O coordenador do zkSNACKs ter uma lista negra não significa que a Wasabi Wallet monitore ou colete dados do usuário. Nossa arquitetura é projetada especificamente para limitar o poder do que podemos fazer. Ainda não podemos violar a privacidade de nossos usuários, mesmo que quiséssemos. Por exemplo, toda a comunicação ainda passa pelo Tor, então a empresa não tem informações sobre a identidade dos participantes do coinjoin.

Qualquer usuário da carteira Wasabi sem custódia de código aberto ainda pode enviar e receber normalmente.”

Após o desastroso anúncio, o volume do CoinJoin… aumentou?

Por fim, a publicação aborda sobre a suposta morte da solução de CoinJoin da Wasabi, falando que eles mesmos esperavam um impacto negativo no volume. Mas, surpreendentemente, a quantidade de bitcoins entrando nos CoinJoins triplicou, segundo o comunicado.

A evidência apresentada, porém, é apenas um documento de texto, sem provas, onde compara os números de bitcoins no CoinJoin da Wasabi com o CoinJoin da Samourai (carteira de privacidade concorrente). O documento ainda conta com um ataque à carteira Samourai, chamando-a de “Scamourai”.

De acordo com a zkSNACKs, o crescimento pode ser explicado pela nova visão de que os coinjoins da Wasabi não vão aproximar, de certa forma, os bitcoins do usuário a bitcoins de criminosos.

Esses dados, porém, podem ser facilmente fabricados pelo próprio coordenador do CoinJoin, já que não possui custo adicional para participar das rodadas de mixing, chegando até mesmo a prejudicar o ganho de privacidade dos outros participantes. 

A zkSNACKs possui um incentivo para fazer isso, já que quanto maior o volume dos coinjoins maior o ganho em taxas pagas pelos usuários que acham que estão pagando por um nível maior de privacidade, conforme explicou Matt Odell no podcast Citadel Dispatch com participação do desenvolvedor da Wasabi Nopara.

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