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O presidente Xi Jinping disse ao líder norte-americano Joe Biden durante uma ligação na semana passada que “quem brinca com o fogo acaba queimado,” em referência a Taiwan, que a China considera como seu território. 

Com a Presidente da Câmara Nancy Pelosi pronta para desembarcar em Taiwan na terça-feira (02), o mundo está agora se preparando para a resposta da China.

Como noticiado ontem pelo Cointimes, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Zhao Lijian, disse na segunda-feira que o Exército da Libertação Popular “não vai ficar parado” se Pelosi, de fato, visitar Taiwan.

Ao que tudo indica, nem Xi nem Biden têm interesse em desencadear um conflito que poderia causar ainda mais danos econômicos, e a ligação da semana passada indicou que eles estavam se preparando para sua primeira reunião cara a cara como líderes nos próximos meses.

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Biden disse em maio que Washington defenderia Taiwan em qualquer ataque da China, embora a Casa Branca tenha esclarecido que ele quis dizer que os EUA forneceriam armas militares em conformidade com os acordos existentes, não a costumeira invasão do país.

“A grande restrição ainda é o risco de uma guerra que seria muito cara da perspectiva de ambos os lados,” disse Andrew Gilholm, diretor de análise da China e do Norte da Ásia na Control Risks. Ainda assim, ele acrescentou, “a preocupação é que os riscos serão assumidos por motivos domésticos.”

Segundo a Bloomberg, estas são as opções de ações que a China poderia tomar:

1. Incursões de mais aviões de guerra 

Com incursões diárias na zona de identificação da defesa aérea da ilha já como norma, o Exército de Libertação Popular precisaria enviar uma série de voos particularmente grandes. O recorde diário é de 56 aviões em 4 de outubro, o que coincidiu com os exercícios militares próximos liderados pelos EUA.

Cerca de 15 aviões voaram ao redor do lado leste de Taiwan, em vez das rotas habituais do sudoeste, após uma visita de uma delegação do Congresso dos EUA em novembro, por exemplo.

2. Aviões de guerra diretamente sobre Taiwan

O jornal do Partido Comunista sugeriu que a China deveria realizar um voo militar diretamente sobre Taiwan, forçando o governo do presidente Tsai Ing-wen a decidir se deveria atirar nos aviões ou não. No ano passado, o Ministro da Defesa de Taiwan, Chiu Kuo-cheng, advertiu: “Quanto mais perto eles chegarem da ilha, mais forte nós atacaremos de volta”.

3. Teste de mísseis perto de Taiwan

Pequim já testou mísseis no mar perto da ilha em 1995, parte dos protestos da China contra a decisão do presidente Bill Clinton de deixar o primeiro presidente eleito de Taiwan, Lee Teng-hui, visitar os EUA. A China declarou zonas de exclusão em torno das áreas-alvo durante os testes, perturbando o tráfego marítimo e aéreo.

4. Problemas econômicos

A China é o maior parceiro comercial de Taiwan, por isso, Pequim poderia aproveitar essa vantagem, sancionando os exportadores, boicotando alguns produtos taiwaneses ou restringindo o comércio bidirecional. 

A China também poderia interromper o transporte marítimo no Estreito de Taiwan, uma rota chave do comércio global. As autoridades militares chinesas nos últimos meses disseram repetidamente aos homólogos norte-americanos que o Estreito não é considerado como águas internacionais. Ainda assim, qualquer movimento que atrapalhe a navegação comercial só prejudicaria a economia da China.

5. Protestos diplomáticos

O jornal do Partido Comunista advertiu na terça-feira (01) que a administração Biden enfrentaria um “sério” contratempo nas relações China-EUA com a viagem de Pelosi. Isso poderia significar a convocação do Embaixador da China, Qin Gang, que assumiu seu cargo no ano passado.

6. Invasão de uma ilha

Pequim tem outras opções militares além de montar uma invasão arriscada através dos 130 quilômetros do Estreito de Taiwan, tais como tomar uma das menores ilhas periféricas detidas pelo governo em Taipé, embora esta forma de provocação seja altamente improvável.

Os EUA encarariam qualquer apreensão desse tipo do território de Taiwan como algo que poderia testar os limites do contraditório “compromisso militar com a democracia” de Biden.

Ainda assim, uma ação desse tipo também acarreta riscos diplomáticos para Pequim já que a apreensão de uma ilha sob o controle de Taiwan poderia levar os EUA a acrescentar mais sanções à China e alarmar os países vizinhos na Ásia, muitos dos quais também têm disputas territoriais com Pequim.

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