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A stablecoin multi-colateralizada por outras criptomoedas, DAI, é a moeda pareada ao dólar que mais “troca de mãos” no mercado em relação à sua capitalização e supply, e isso é muito bom. Entenda.

Demanda é o que sustenta os fundamentos de qualquer moeda

Conforme analisamos em uma publicação recente no Cointimes, entre as diversas métricas que podem ser utilizadas para uma análise fundamentalista no mercado de criptomoedas, está a demanda (o uso do ativo) em comparação com seu marketcap.

Saiba mais: 5 métricas para análise fundamentalista do mercado cripto que você precisa conhecer

Para as stablecoins isso não é diferente. As moedas estáveis que refletem o preço de outros ativos, como o dólar, por exemplo, precisam ser utilizadas para que tenham algum valor real e nenhum código milaborante pode mudar esta lei tão essencial da economia.

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Se observarmos um exemplo recente de falha de demanda, podemos falar da TerraUSD (UST), onde sua demanda foi totalmente construída na aplicação de staking no protocolo da Anchor (ANC), que prometia rendimentos anuais de 20%, mas que se provou insustentável, matando toda a demanda da moeda e causando uma corrida bancária que terminou na morte do projeto e na perda de bilhões de dólares no mercado.

A principal demanda das stablecoins, atualmente, está em:

1 – Servir como ponte entre moedas fiduciárias e criptoativos em exchanges centralizadas ou descentralizadas (DEX);

2 – Ser reserva de valor temporária no mercado de criptomoedas em momentos de queda, como o atual ou o inverno cripto de 2018.

Um ponto de preocupação destes casos de uso é que a maioria deles envolve poucas movimentações em blockchain (on-chain) e muitas soluções custodiais, como armazenamento em carteiras de exchanges centralizadas, por exemplo.

Para as três stablecoins com maior capitalização de mercado e que mais cresceram no último ano (USDT, USDC e BUSD), sua centralização é ainda mais evidente já que os projetos em si são centralizados. Pertencentes às empresas: Tether, Circle e Binance, respectivamente.

DAI: Stablecoin descentralizada e mais utilizada on-chain

Um projeto que se destaca por sua descentralização e inovação é a DAI, token controlado pela Organização Autônoma Descentralizada, MakerDAO (MKR).

A DAI é o projeto de stablecoin descentralizada mais relevante do mercado e, até o momento, o único que vem se provando seguro e confiável. O que garante seu sucesso é um método de multi-colateralização.

Para a USDT, por exemplo, sua colateralização é feita em um para um (1:1) com dólar USD. Então para cada USDT em circulação, é preciso haver 1 USD (ou proporcional em outros ativos), nos cofres da Tether.

A DAI possui colateralização superior a 1:1, o que significa que para cada DAI em circulação, existem um valor mais de quatro vezes maior em diversos outros ativos, como Bitcoin e Ethereum, por exemplo, decididos pelos proprietários de MKR, que podem ser resgatados caso alguém queira se livrar de sua stablecoin, direto com a MakerDAO.

Sua característica descentralizada, atrai um tipo especial de investidor ou entusiasta, que vê valor na descentralização, na soberania e em transações peer-to-peer, dificilmente confiando no controle de instituições centrais.

Isso faz com que, segundo relatório da a16z, DAI seja a stablecoin mais utilizada on-chain como pagamento, em comparação com sua capitalização de mercado. E a diferença é gigantesca.

Fonte: Andreessen Horowitz – State of Crypto Report

De acordo com o gráfico, cada unidade de DAI em circulação é movida (ou “trocada de mão”), mais de 110 vezes por ano em transações on-chain.

Mesmo com volume muito maior, USDC e USDT ficam para trás, já que este volume normalmente está concentrado em exchanges centralizadas, sendo pouquíssimo utilizadas em blockchain, de um endereço soberano a outro.

A USDC ainda tem uma presença relevante em exchanges descentralizadas e, por isso, consegue uma “velocity” de pouco mais da metade da DAI.

Teoria da velocidade da moeda

Esta troca de mãos da moeda também pode ser medida pela teoria da velocidade da moeda, ou velocidade de circulação da moeda – no relatório em inglês é chamado de “Velocity”.

Esta métrica indica a frequência média com a qual uma unidade de moeda é gasta em um período específico de tempo – no caso um ano.

Se, por exemplo, em uma economia muito pequena, um fazendeiro e um mecânico, com apenas R$50 entre eles, comprarem bens e serviços um do outro em apenas três transações durante um ano:

  • O fazendeiro gasta R$50 pelo conserto do trator do mecânico.
  • O mecânico compra R$40 de milho do fazendeiro.
  • O mecânico gasta R$10 em queijo do fazendeiro.

Então R$100 trocaram de mãos durante o curso de um ano, mesmo existindo apenas R$50 nesta pequena economia. Esse nível de R$100 é possível porque cada real foi gasto em uma média de duas vezes em um ano, o que equivale dizer que a velocidade foi de 2 por ano.

A velocidade da USDC e USDT no último ano foi igual a 60,38 e 2,52 respectivamente.

Para nossas métricas fundamentalistas, uma demanda tão superior em relação ao marketcap é bastante positivo para o ativo DAI e pode indicar crescimento futuro de supply e valor de mercado.

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