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Será que custodiar capital com grandes empresas é uma boa ideia? Será que existem fundos de custódia que são “grandes demais para falir”? Vamos ver o que a história nos mostra a esse respeito.

Grande demais para falir… Confia.

Apesar dos avisos de investidores mais experientes, muita gente ainda comete o erro de confiar a custódia de grandes quantias de seu capital (em porcentagem) para empresas centralizadas.

Em diversas situações ainda nos vemos dependentes de intermediários centralizados para custodiar, mesmo que temporariamente, nossas criptomoedas. O maior exemplo disso são as exchanges centralizadas ou demais serviços de conversão para moeda fiduciária, como o Real (BRL).

Nesse caso, a mesma regra chave para investimentos também vale: Gestão de risco é importante. Seja para alocação de capital em ativos, ou ao confiar a custódia (no curtíssimo, curto, médio prazo ou longo) de seu dinheiro a um terceiro.

Gestão de risco para custódia

A gestão de risco para custódia pode ser alcançada ao determinar porcentagens de seu capital/portfólio em que está disposto arriscar perder, por um tempo determinado, para cumprir um objetivo específico.

Isso significa que quando for transferir seu dinheiro para os cuidados de alguém, é importante saber porquê está fazendo isso. Trade? Comprar outra cripto? Trocar por BRL? USD? Manter na exchange para ter mais liquidez e velocidade no caso de uma emergência?

Todos são motivos justos para alguém decidir abrir mão de sua custódia, mas é preciso ter um plano com objetivo, período de tempo e uma porcentagem de sua carteira que não fará falta caso a custodiante trave as operações ou desapareça da noite para o dia, como acontece com bastante frequência no nosso mercado.

Parte da gestão de risco pode ser na escolha de um (ou mais) custodiantes. A diversificação aqui também é interessante. Se, por exemplo, você pretende deixar 20% da sua carteira em exchanges, pode escolher de duas a quatro empresas diferentes e manter de 5 a 10% em cada uma delas.

Além disso, por mais que empresas maiores e mais históricas possuam mais credibilidade e um risco menor, nenhuma é “grande demais para falir”.

“Too big to fail”, alerta de usuário no Reddit

Seguindo essa ideia do “grandes demais para falir”, um usuário publicou um alerta no Reddit /r/CryptoCurrency, onde ele afirma que perder fundos sob custódia em uma exchange centralizada é culpa do próprio usuário.

Apesar dessa afirmação ser incorreta – pois esses serviços normalmente envolvem contratos ou termos de uso que protegem o usuário e casos de roubo, falta de liquidez e falência são, normalmente, culpa e responsabilidade da prestadora de serviços – o usuário tem sim sua “parcela de culpa”. Veja o que ele disse:

texto "Grande demais para falir?" em inglês no reddit.
Fonte: “Too big to fail” – /r/CryptoCurrency

“Este subreddit foi crivado de aviso após aviso e, no entanto, as pessoas ainda ficam chocadas, de alguma forma, quando uma grande exchange ou stablecoin vai à falência e seus fundos são bloqueados ou liquidados. (…) Em termos de onde você mantém sua moeda descentralizada, essa é absolutamente sua escolha.”

“Portanto, antes que qualquer outra exchange caia, entenda que, ao não movimentar suas moedas e permitir que uma empresa centralizada as “guarde” para você, você está aceitando conscientemente a perda potencial dessa moeda.”

Ele também compartilhou um comunicado emitido pela Coinbase em Março de 2022, onde a empresa afirma que, em caso de falência, os usuários terão seus fundos confiscados e utilizados para a liquidação da empresa. O que mostra que nem mesmo uma companhia listada na bolsa de valores é “grande demais para falir”.

Lehman Brothers, Mt. Gox e Celsius eram grandes demais e faliram

Como se não bastassem os tantos exemplos, vale lembrar de grandes casos históricos de empresas que foram grandes demais para falir, mas falharam mesmo assim.

Lehman Brothers era um dos maiores fundos de investimentos do mundo que se despedaçou em 2008 com a grande crise financeira que assolou os Estados Unidos e outros tantos países, sumindo com o dinheiro de seus credores por anos.

Em 2014 foi a vez da Mt. Gox, na época a maior exchange de Bitcoin do mundo, responsável por mais de 70% de todo volume de negociação do mercado. Grande demais para falir? Não.

Saiba mais: Mt. Gox – O maior cisne negro do Bitcoin assombra o mercado com R$15 bilhões

Celsius foi o caso mais recente, ao se tratar de uma grande plataforma de liquidez de ativos digitais que declarou falência travando os fundos de milhares de investidores que confiaram em seus serviços.

A Celsius Network tinha boa credibilidade e era utilizada por várias grandes instituições do mercado cripto para empréstimos, mas nem isso foi o suficiente. E sua queda afetou todo o mercado em um grande efeito dominó.

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