Críticas mais comuns ao Bitcoin

O objetivo desse texto é responder a muitas críticas pertinentes levantadas sobre o Bitcoin. Muitos desses pontos são levantados em discussões, geralmente por pessoas que não acreditam na tecnologia. Vamos respondê-los um por um, confira:

Bitcoin é uma moeda sem intermediários com intermediação

“O Bitcoin, apesar de se propor a ser uma moeda sem intermediários, é altamente intermediada por corretoras, mineradores, corretores e provedores de serviços de carteira.”

Antes de tudo, o Bitcoin é uma moeda que propõe transações sem intermediários. Não precisamos transferir Bitcoin para um terceiro de confiança realizar o pagamento (bancos). O pagamento é apenas registrado na blockchain e verificado por auditores, que são os mineradores da rede. Nesse cenário, não há banco ou qualquer instituição financeira ou governamental. Ele se propõe a ser uma moeda com transações sem intermediários, o que já acontece.

O que é Bitcoin e como funciona essa criptomoeda

As corretoras são um intermediário na compra/venda de Bitcoin e ainda exercem um papel importante nesse mercado. Em relação a isso, essa crítica está correta, mas é perfeitamente possível comprar Bitcoin sem a necessidade de terceiros, através do que chamamos de P2P.

Nesse caso, a transação ocorre de forma rápida e privada, mas um grande problema é encontrar pessoas confiáveis para isso.

Já existem corretoras descentralizadas que se propõem a realizar esse tipo de serviço, como a IDEX e a Cryptopia, que já negociam um volume considerável. Logo, não é uma utopia pensar que a compra/venda de criptoativos seja descentralizada em um futuro próximo.

As carteiras não são exatamente um serviço pelo qual você paga, ou seja, elas são gratuitas e em sua maioria o código é aberto. Carteiras de Bitcoin são feitas por desenvolvedores da comunidade que não cobram nada por isso.

Alto consumo de energia elétrica

“O Bitcoin e o Blockchain oferecem segurança, mas que para isso, demanda uma alta quantia de energia elétrica, o que pode tornar o consumo insustentável.”

Seria irresponsável por minha parte dizer que o consumo de energia elétrica do Bitcoin não é um problema, esse é um ponto da crítica que eu concordo. Mas o grande erro de quem critica esse ponto é olhar apenas para o presente e esquecer que já existem soluções para mitigar os gastos com energia elétrica.

Além disso, não podemos ignorar que os bancos também gastam uma elevada quantidade de energia elétrica para manter toda sua rede de distribuição funcionando. São milhares de agências, caixas eletrônicos e outros meios que demandam energia.

O Bitcoin não vai destruir o meio ambiente

Baixas transações por segundo

“O Bitcoin comporta uma capacidade de um pouco mais de 3 transações por segundo, o que é uma capacidade muito baixa a ponto de tornar o Bitcoin inviável.”

Isso não é que se vê na prática, porque o Bitcoin sem nenhuma melhoria oferece uma capacidade de 7 transações por segundo. 

Com uma maior adoção do Segwit, que é uma solução para aumentar a capacidade de transação do Bitcoin, o número de transações pode chegar a 14 por segundo. O que seria um número maior que as transações realizadas pelo Sistema de Transferência de Reservas (6,9 transações por segundo), operado pelo Banco Central do Brasil.

Além disso, a Lightning Network pode aumentar exponencialmente a capacidade de transação do Bitcoin. Entretanto, é uma tecnologia bem atual que ainda está em fase de testes. Mas de qualquer modo, não podemos descartá-la logo no começo, precisamos ter um pouco mais de paciência. Creio que no longo prazo, a capacidade de transação do Bitcoin está resolvida.

Volatilidade

“O Bitcoin é extremamente volátil. Por conta disso, a precificação seria extremamente custosa e ineficiente em uma economia baseada em Bitcoins.”

Concordo que o Bitcoin seja extremamente volátil, isso acontece porque ele é um ativo que está em descoberta de preços e em processo de adoção, então a tendência é que essa volatilidade diminua.

A segunda parte do argumento estaria correta se essa transição fosse feita hoje. A verdade é que a volatilidade do Bitcoin vem caindo com o passar dos anos, aqueles picos e fundos se tornaram menos frequentes no ano de 2018, a tendência é que ele se torne cada vez menos volátil conforme a sociedade passe a adotar o Bitcoin como meio de pagamentos.

Bitcoin centralizado

“A descentralização também é relativa: estudo realizado pelo Credit Suisse constatou que 4% dos endereços possuem 97% dos bitcoins, ao passo que 86% dos endereços têm apenas 0,6% dos bitcoins, de modo que ajustes marginais nas carteiras dos endereços com mais Bitcoins podem causar grandes variações nas cotações.”

Nessa crítica em específico, é feita uma confusão entre concentração e centralização. De fato, o Bitcoin é extremamente concentrado em poucos endereços, mas isso se deve a seguintes fatores: alta recompensa por mineração no começo do Bitcoin, carteira do Satoshi Nakamoto e carteiras de exchanges.

O fator mais importante é o último: carteiras de exchanges. Os usuários para negociar suas moedas mandam os Bitcoins para carteiras de Exchanges, que realizam a custódia. Por segurança, a maioria mantém uma grande parte dos fundos em carteiras sem conexão com a internet.

Conforme a demanda por saques aumenta, as exchanges movem seus fundos da carteira fria para uma carteira aquecida, que por sua vez abastece as carteiras quentes responsáveis por realizar o saque solicitado pelos usuários. Por conta disso, é natural que haja concentração dos Bitcoins em poucos endereços.

Mas um ponto importante é: a quantidade de Bitcoin que uma pessoa tem não determinaem nada a centralização da rede do Bitcoin. O único poder que essa pessoa tem é o de controlar (talvez) o preço da moeda.

Ninguém é capaz de arbitrariamente propor mudanças, estornar pagamentos ou exercer qualquer controle sobre a rede. Para isso, ela deveria ter o controle da maioria simples dos nós de rede do Blockchain, o que é teoricamente impossível.

Conclusão

Antes de fazer quaisquer críticas ou dar qualquer veredito precisamos nos lembrar que o Bitcoin ainda é uma tecnologia muito nova que tem um longo caminho pela frente.

Muitos pontos levantados ao se fazer uma crítica, podem estar sendo resolvidos mais rápido do que pensamos, e alguns talvez já estejam resolvidos. O maior problema do Bitcoin atualmente é a baixa adoção das pessoas em geral, ainda é muito difícil usá-lo no cotidiano, porque não encontramos estabelecimentos que aceitam.

Além disso, falta uma experiência de usuário amigável para pessoas que acabaram de conhecer o Bitcoin. Mas conforme dito, a tendência é que isso se resolva no longo prazo. É muito mais fácil usar Bitcoin hoje do que em 2013.

A verdade, é que o Bitcoin está muito longe de ser uma euforia, ele é uma realidade. Ele junto de outras criptomoedas está ajudando venezuelanos a combater a fome, está ajudando as pessoas a encontrar um meio de guardar riqueza de forma não confiscável e atemporal.

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