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A criptomoeda Litecoin (LTC), muitas vezes vista como a prata digital, em comparação com o ouro digital (Bitcoin BTC), adicionou uma funcionalidade de privacidade, que embora tenha sido muito aguardada por alguns usuários, foi mal recebida por exchanges.

Para melhorar a privacidade dos usuários de Litecoin, a equipe de desenvolvedores por trás da moeda implementaram a MimbleWimble (sim, o nome vem da mágica do Harry Potter onde o bruxo cala a boca do adversário). A proposta originou um blockchain auxiliar – uma extensão do blockchain principal – que registra transações com menos dados expostos à rede.

No entanto, com a chegada da atualização, algumas corretoras removeram por completo a criptomoeda de suas listagens. Esse foi o caso das sul-coreanas Upbit, Bithumb, Korbit, Gopax e Coinone. A exchange internacional, mas que opera no Brasil, Binance foi mais específica e removeu suporte apenas às transações de LTC que utilizam o protocolo MimbleWimble.

“A função MWEB [MimbleWimble] permite que os usuários enviem transações confidenciais de $LTC, sem revelar nenhuma informação de transação, o que significa que não podemos verificar o endereço do remetente. Para garantir a segurança de seus fundos, não deposite $LTC através da função MWEB.”

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Embora exista um grande apreço pela privacidade no meio de entusiastas de criptomoedas, as exchanges seguem uma série de regulamentações estatais que incluem medidas anti-lavagem de dinheiro e financiamento de atividades ilegais. Essas regras vão na direção contrária de revelar menos informações sobre as transações e as análises on-chain realizadas pela maioria das corretoras se beneficiam de falhas de privacidade dos blockchains.

Nos últimos dias, tentamos contato com uma série de corretoras que operam no Brasil, incluindo a Binance, sobre a posição da empresa em relação à atualização de privacidade da Litecoin e se haveria a remoção da moeda. Nenhuma delas respondeu a tempo da publicação desta matéria.

Porém, em 2020 tivemos uma revelação do CEO da Bitcointoyou, uma das corretoras mais tradicionais do Brasil, de que o governo brasileiro e grandes bancos se preocupam com Monero e Dash. Segundo ele, alguns bancos ameaçaram encerrar a conta da corretora se ela listasse alguma dessas moedas de privacidade. Ainda de acordo com o empresário, uma conversa (não contada ao Cointimes em detalhes) com um agente do governo o pressionou a não apoiar moedas focadas em privacidade.

Atualização: A Foxbit afirmou que não irá remover a Litecoin por hora, mas a equipe deve “acompanhar de perto” até decidir como proceder.

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