Essa semana, o menino Ney gastou R$6 milhões em NFTs e agora faz parte do grupo de Bored Apes. A repercussão foi tanta que a discussão sobre o mercado NFT convergiu para vários argumentos econômicos interessantes.  

Uma perspectiva defendida por Cauê Moura, que tentou teorizar sobre a definição de capitalismo e as relações de troca que ocorrem no mercado NFT, é de que a economia é um jogo de soma zero, isto é, que para algumas pessoas ganharem outras têm necessariamente de perder. 

Além disso, no Twitter teve gente que não entendeu por que alguém compraria um tênis pegando fogo em NFT. Admitindo que a internet não é um meio para criação de riquezas, eles não acreditam que os NFTs tenham utilidade ou algum valor

Comentários “mas porque alguém compra [NFT Burning Shoe]?

Mercado NFT para o homo economicus

Para colocar as ideias no lugar, e aproveitar a repercussão do menino Ney para contextualizar conceitos econômicos, vou te explicar por que o homo economicus compra um NFT. Senta que lá vem a história. 

Primeira falácia

Cauê Moura defende a ideia de que A é pobre porque B é rico, A e B podendo ser pessoas, regiões, países, etnias, gêneros, etc. Tal suposição, derivada da teoria da exploração de Marx, não admite a dinamicidade da história – já que no fim nós progredimos sempre em direção ao socialismo. 

Basicamente o que o criador de conteúdo está falando é que a economia seria uma espécie de bolo, cujo tamanho é fixo e representa toda a riqueza disponível. Sendo assim, cada indivíduo que se apossa de uma fatia está na realidade retirando esta fatia da boca de outro indivíduo.

Essa interpretação alternativa é desalentadora, pois implica que, em toda e qualquer transação, alguém seria o charlatão e a outra pessoa seria o enganado. 

Contudo, as trocas comerciais não ocorrem somente entre bens com igualdade de valor. Se o bem A é trocado pelo bem B, então necessariamente o valor de A deveria ser igual ao valor de B. Consequentemente, nenhuma troca comercial poderia gerar valor, e sim apenas redistribuir valor. Só que não é bem assim que acontece na realidade, como desmistifica os estudos de Carl Menger, fundador da Escola Austríaca de economia. 

Segunda falácia 

O economista deixou claro que, para que uma coisa seja considerada um bem econômico, quatro circunstâncias devem ser observadas: deve existir uma necessidade humana; o bem precisa ser capaz de satisfazer essa necessidade humana; o indivíduo deve conhecer a adequabilidade da coisa em satisfazer sua necessidade; e, por último, o indivíduo tem que ter poder de disposição sobre esta coisa.

Na realidade material em que existimos, a imensa maioria das coisas, na forma como se encontram em seu estado natural, não nos permite satisfazer nossas necessidades. 

Bored Ape 5615 - por Sotheby's
Bored Ape 5615 – por Sotheby’s

Por mais que a banana esteja no cacho, nós ainda precisaremos alcançá-la com a mão e descascá-la para saciar a fome. Em outros termos, a matéria tem de ser trabalhada e transformada por meio do trabalho (e de investimentos).

Em segundo lugar, a incapacidade da banana em satisfazer diretamente nossas necessidades advém do fato de que nós também não conhecemos todas as suas combinações e usos possíveis. 

A tecnologia, a arte de ordenar a matéria para que ela gere o resultado desejado, também não cai do céu; antes, ela deve ser descoberta por meio da investigação e da experimentação, duas atividades que, por sua vez, requerem o uso de outros bens econômicos (instrumentos). 

Por fim, existe mais um adendo. Por mais adequado que seja um bem em satisfazer nossas necessidades, ele será totalmente inútil se não o tivermos ao nosso alcance. Por isso nós temos que produzi-lo e distribuí-lo. 

O homo economicus, ser racional, é um produtor especializado e, ao mesmo tempo, um consumidor insaciável. Demandamos os mais amplos e variados bens econômicos e, em troca, podemos apenas ofertar nossa extremamente limitada e específica especialização. E, ainda assim, as trocas ocorrem.

Por que então alguém compraria um tênis pegando fogo em NFT?” – perguntam os jovens no Twitter. 

Em toda e qualquer transação comercial, cada lado atribui àquele bem que está recebendo um valor subjetivo maior do que aquele bem que está dando em troca. E é só por isso que ele faz a troca. 

Afinal, se não fosse assim — se você não valorizasse mais aquilo que está recebendo do que aquilo que está dando em troca —, a transação simplesmente não ocorreria. 

Quem popularizou a descoberta de que o valor dos bens não é objetivo, mas sim subjetivo, foi justamente Carl Menger. Em decorrência disso, conclui-se que os indivíduos geram riqueza ao simplesmente trocarem bens econômicos voluntariamente. 

Sendo assim, eles estão recorrendo a um meio (trocas comerciais) para chegar àqueles fins que lhes são mais valiosos – segundo o grau de importância pessoal (subjetiva).

Mercado NFT não é jogo de soma zero

Como disse João Victor Morisson, o criador do Burning Shoe e co-fundador do primeiro marketplace de moda digital do Brasil, em entrevista para o Cointimes, “o brasileiro gosta muito de ter a posse dos bens”.

Ele reforça que o tênis pegando fogo em NFT foi desenvolvido justamente para os entusiastas que entendem o valor dos colecionáveis e estão certos de que a blockchain é o melhor lugar para verificar a escassez no meio digital. 

Em definitivo, a economia não é um jogo de soma zero, uma vez que durante todo o processo de produção de bens e serviços estamos gerando riqueza. Mas é válida a preocupação que o Cauê Moura tem dos charlatões, já que em todo lugar alguém pode querer te passar a perna. 

Chegamos agora ao século XXI, e olha só – estamos gerando riqueza na realidade digital. O metaverso, o espaço de congregação do mundo digital, está intimamente relacionado ao futuro de avanço em produtividade colaborativa. 

O metaverso também está interligado com sistemas interativos de Inteligência Artificial, com a arte, a explosão do consumo sob demanda, a ascensão das criptomoedas, a noção de capitalismo de vigilância, o significativo avanço da computação quântica e por aí vai. 

Como diz Guga Stocco, colunista da MIT Technology Review Brasil, “este é o século da confluência de tecnologias. Onde modelos de negócios competitivos são aqueles já criados a partir do que foi construído digitalmente. O metaverso reunirá todos. Não tem porta de entrada e nem de saída porque não é um ‘lugar’. É o entorno”.

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