O economista austríaco Fernando Ulrich disse que os bancos centrais poderiam acabar com o Bitcoin se criassem outro Bitcoin. Ulrich é uma grande referência sobre o tema no Brasil – cujo trabalho eu admiro à nível pessoal e profissional.

Fernando Ulrich respondendo a pergunta sobre proibição mundial acabar com o bitcoin.

Assista o vídeo publicado por Ulrich onde ele trata do tema.

O governo pode acabar com o Bitcoin?

A discussão sobre a possibilidade do governo acabar com o Bitcoin é recorrente na comunidade e entre os investidores. A famosa pergunta voltou a ser feita, dessa vez para Fernando Ulrich, economista da Escola Austríaca de Economia e entusiasta do Bitcoin.

Seu seguidor perguntou se: “uma proibição mundial pode acabar com o bitcoin” – e ele respondeu que não.

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“Não, uma proibição mundial não acabaria com o Bitcoin. Poderia trazer uma pressão no preço no curto prazo, mas a longo prazo poderia até se valorizar, como acontece com quase todos os produtos que são criminalizados e que vão para o mercado paralelo”.

Em seguida, o economista explicou que a ameaça real por parte dos governos contra o Bitcoin, seria caso os bancos centrais criassem uma moeda igual ao Bitcoin.

“A grande fragilidade do Bitcoin seria os bancos centrais passarem a oferecer tudo o que o bitcoin oferece. Em termos de: independência; autonomia; descentralização; e uma oferta monetária que não sofre pressão política, que não pode ser inflacionada como eles bem entenderem”.

– Fernando Ulrich

E ele conclui: “se eles um dia acordarem com essa visão aí pode ser que o Bitcoin esteja sob ameaça. Hoje eu não vejo isso acontecendo”.

Proibição mundial e possíveis consequências

Concordo em partes com o que foi dito e acho que é um tema muito complexo que o economista fez o melhor possível para responder em um curtíssimo vídeo de um minuto, mas gostaria de ir um pouco mais a fundo nesta questão.

A teoria de Fernando Ulrich sobre possíveis consequências de uma proibição do Bitcoin a nível global, no entanto, aborda apenas uma questão do Bitcoin, que é o preço unitário de cada moeda. E como toda previsão de preço (sobe ou desce), é bem difícil saber exatamente o que vai acontecer.

A grande ideia por trás do Bitcoin e o que, em tese, garante seu valor e seu motivo de existir, está em ser um sistema de dinheiro eletrônico peer-to-peer que não depende da aprovação de governos.

A resposta mais correta neste caso, seria de que não, nenhuma proibição mundial pode matar o bitcoin, pois mesmo que ele seja utilizado por apenas um pequeno grupo de pessoas, ele continuaria vivo. Independente do preço.

No que se refere ao preço, duas coisas podem acontecer:

1 – O acesso fica dificultado, mas a demanda não diminui. As pessoas continuam vendo valor em sua existência e, com uma menor acessibilidade ao BTC, apenas através de mercados negros, o ativo assume uma característica “premium”. Aumentando diversos custos relacionados, não apenas em preço (com a escassez de oferta), mas também de operação (mineração, taxas de rede e taxas de negociação).

2 – O acesso fica dificultado e a demanda diminui. Isso poderia causar uma perda de segurança na rede, já que os mineradores não estariam sendo recompensados pelos riscos assumidos. As pessoas também preferem utilizar alternativas, o que causaria uma diminuição do preço, mas não necessariamente resultaria em acabar com o bitcoin.

O problema de limitar a análise ao preço, é excluir todas as outras características que envolvem o bitcoin, como a adoção do sistema eletrônico de dinheiro sem intermediários proposto por Satoshi Nakamoto, por exemplo. Preço cair não é o mesmo do fim do bitcoin, a menos que ele seja considerado apenas como um ativo financeiro qualquer e não como o que o trouxe até aqui, para começo de conversa.

Bancos Centrais criam sua própria versão do Bitcoin

Se falamos do Bitcoin como ativo, moeda ou marca, a existência de alternativas que sigam os mesmos princípios e possuam características importantes do Bitcoin como: “independência; autonomia; descentralização; e uma oferta monetária que não sofre pressão política, que não pode ser inflacionada como eles bem entenderem”, com certeza poderia ameaçar a dominância do Bitcoin em capitalização de mercado.

Ainda poderia acabar com o bitcoin, pois sempre vão existir pessoas dispostas a utilizar a rede, mesmo que em pequenos nichos.

Se falamos do Bitcoin como ideia, essa possibilidade é irrelevante, já que a ideia do Bitcoin se manteria viva. Para o entusiasta do “Sistema Bitcoin” e do que o Bitcoin proporciona, a existência de outras moedas que cumpram com a mesma função não deveria ser uma ameaça, mas uma oportunidade.

Não deveria importar qual moeda está sendo utilizada para atingir independência, autonomia, descentralização – e, acrescento, soberania financeira – porque o mais importante não é a ferramenta usada para alcançar este fim, mas alcançar o fim em si mesmo.

E é interessante, pois a “pior situação possível para o Bitcoin”, na opinião de Fernando Ulrich, já existe. Ela só não é uma iniciativa dos bancos centrais.

No mercado existem dezenas de moedas independentes, autônomas, descentralizadas e com inflação programada, semelhante ao bitcoin – como o Bitcoin Cash (BCH), por exemplo.

Existem até alternativas completamente livres de inflação, como é o caso da Nano (XNO). Ou aquelas que focam em um problema não levantado pelo economista austríaco, mas que são igualmente relevantes, como a privacidade e a fungibilidade, solucionadas pela Monero (XMR).

Pessoalmente não entendo porque alguns entusiastas do BTC continuam insistindo em ignorar completamente a existência destes projetos e tratar a implementação do Bitcoin desenvolvido pela Blockstream, o Bitcoin Core, como única solução possível para atender as características citadas por Ulrich que, objetivamente e demonstravelmente, são atendidas por outros excelentes projetos.

E os bancos centrais, podem acabar com o bitcoin?

O grande problema de uma tentativa de entrega de um produto como estes por parte de um Banco Central é que, como o próprio nome já diz, ele seria centralizado.

A necessidade de existência de um banco central, se dá unicamente pela “necessidade” de existir um controle centralizado. Então a situação hipotética e levada ao exagero, proposta como fragilidade do Bitcoin, não é nem:

  • (A) intrínseca ao bitcoin, mas ao livre mercado que deveria ser defendido por qualquer austríaco, que vai proporcionar a criação de produtos concorrentes que atendem uma mesma demanda com soluções e trocas diferentes;
  • nem (B) sequer possível de existir através de um Banco Central estatal.

O presidente do Banco Central recentemente disse que a CBDC brasileira possuiria supply fixo, como o BTC, mas eu expliquei neste outro artigo porque isso não é possível.

Saiba mais: CBDC – História para boi dormir, BC diz que real será limitado

De forma resumida, o supply fixo pode até ser criado em uma solução centralizada e permissionada, mas a questão é que as regras a qualquer momento podem ser alteradas pela autarquia, que detém controle absoluto sobre o consenso da rede.

Então mesmo que o governo atual concorde com um supply fixo, na troca de mandato e administração do Bacen, estas regras poderiam ser facilmente mudadas com uma simples canetada, como todas as leis subjetivas e arbitrárias do sistema atual.

Então não, decisões governamentais não poderiam acabar com o Bitcoin.

Ou pelo menos, não podem jamais acabar com a ideia pela qual o bitcoin foi concebido, para começo de conversa, mas a vigilância deve ser constante e não atrelada à um ou outro nome de projeto bonitinho na internet, mas aos princípios que dão vida a esta solução.

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