O Fundo Monetário Internacional publicou uma análise sobre as stablecoins e seus efeitos positivos e negativos na economia global.

O artigo começa mostrando o lado positivo das stablecoins e como elas podem gerar inclusão, acelerar o comércio e tornar fácil o uso do dinheiro digital:

O maior atrativo vem das redes que prometem tornar as transações tão fáceis quanto o uso das mídias sociais. Os pagamentos são mais do que o simples ato de transferir dinheiro. São uma experiência fundamentalmente social.

Risco para os Bancos Centrais

O artigo também dá diretrizes para as autoridades e destaca alguns riscos para o sistema financeiro, dentre eles está o risco para os bancos atuais:

os bancos podem perder seu lugar como intermediários caso percam depósitos para os fornecedores de stablecoins. Mas os bancos não serão alvos fáceis. Certamente vão procurar concorrer oferecendo suas próprias inovações (e taxas de juros mais altas). 

Apesar de verem a possibilidade da perda de lugar para empresas de tecnologia, eles acham que isso é improvável visto que a maior parte dos bancos está tentando inovar nesse setor:

Em suma, é improvável que os bancos desapareçam.

Outra instituição que estaria em risco, segundo os analistas do FMI, seria a figura do Banco Central:

as stablecoins poderiam provocar a perda de “senhoriagem”, que permite aos bancos centrais obter lucros com a diferença entre o valor de face de uma moeda e seu custo de fabricação.

O FMI também destaca a possibilidade de um novo tipo de dolarização, principalmente em países com moedas fracas e alta inflação. Essa é uma das tendências que apontamos para 2019 e que aos poucos está se tornando realidade.

O uso ilícito é outro fator preocupante para o órgão, hoje já é possível enviar e receber stablecoins usando a mesma tecnologia do Monero, a moeda mais anônima e privada do mercado.

Apesar de interessante, o artigo não cita as stablecoins baseadas em DAO, como a DAI na rede Ethereum, ainda mais disruptivas e inovadoras. Elas estão fora do alcance dos governos e são praticamente impossíveis de regulamentar.

Se o FMI está falando das stablecoins centralizadas agora, em breve veremos nosso parlamento tentando regulá-las. Mas será que antes disso veremos uma dolarização? O uso massivo do Bitcoin? Ou as moedas privadas como a Libra do Facebook vão tomar conta?