Enquanto o BC da Rússia se sente ameaçado pelo bitcoin, o Ministério das Finanças do país está propondo a clássica regulação do setor. 

O presidente Vladimir Putin já endossou algumas vezes a vantagem das criptomoedas para o país, por isso, agora o ministério está se sentindo à vontade para determinar quem pode e quem não pode entrar no mercado. 

Entenda como a regulação, no final das contas, impede que haja qualquer “perigo” de livre concorrência.

Ministério das Finanças vai capturar o Bitcoin em vez de bani-lo

De acordo com uma reportagem da mídia local RBU no dia 27, o Ministério das Finanças russo está propondo uma modalidade de regulação que faria as transações de criptomoedas na Rússia serem feitas por meio de instituições financeiras tradicionais. 

Como parte da proposta, o Ministério quer protocolos robustos de KYC para acompanhar as transações regulamentadas em moeda virtual no país. 

Mesmo com o escrutínio do Banco Central quanto à mineração de criptomoedas e, como foi chamado, “esquema de pirâmide”, o funcionário público Ivan Chebeskov, que trabalha no Ministério das Finanças como diretor do Departamento de Política Financeira, se opôs à proposta de proibição geral das criptomoedas. 

Chebeskov disse ainda que a autarquia financeira já preparou um marco regulatório e o submeteu ao aparato governamental.

Segundo o funcionário público:

“Aqui é preciso dar oportunidade para desenvolver essas tecnologias (mineração, etc.). Neste sentido, o Ministério das Finanças está ativamente envolvido no desenvolvimento de iniciativas legislativas em termos de regulação deste mercado.”

Segundo ele, a regulamentação da indústria é um passo melhor a ser adotado.

Regulamentação da indústria é um passo melhor a ser adotado – por que? 

Por não ser um agente econômico produtivo, não gerar riquezas, toda a oportunidade de capturar um setor produtivo é vantajosa para o Estado. Lembre-se que a receita dos governos nacionais advém inteiramente do espólio conhecido como imposto. 

Regular um setor produtivo, foi o método utilizado antes da Segunda Guerra Mundial pelos fascistas para alcançar seus objetivos políticos. Na época também, o objetivo dos comunistas, por outro lado, era a estatização direta dos meios de produção. 

A partir da década de 1980, no pós guerra, o método passou a ser descaradamente utilizado por grande parte das economias nacionais. A moda surgiu na Inglaterra, mas países que adotaram seus próprios programas de privatização criaram secretarias e agências reguladoras como forma de manter o controle estatal sobre os setores agora privatizados. 

Várias agências reguladoras foram criadas para controlar os recém-privatizados monopólios estatais. O resultado é que todos os grandes setores das principais economias do mundo estão hoje diretamente sob o controle de seus respectivos governos – e agora a Rússia quer o controle das criptomoedas.  

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No final das contas, agências de regulação nada mais são do que um aparato burocrático que acabam cartelizando os respectivos setores regulados — formados pelas empresas dos “amigos do rei”. É determinando quem pode e quem não pode entrar no mercado, e especificando quais serviços as empresas escolhidas podem ou não ofertar, que a regulação afasta qualquer “perigo” de livre concorrência.

Putin vê vantagem no Bitcoin

Enquanto o BC russo mantém uma posição dura contra as criptomoedas, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, nos últimos dias, ofereceu algum endosso às criptomoedas, especialmente o setor de mineração. 

Conforme relatado anteriormente pelo Cointimes, Putin argumentou que a Rússia deve ganhar algumas “vantagens competitivas” ao permitir atividades de mineração de criptomoedas. 

De acordo com a Bloomberg, algumas fontes do governo alegaram que Putin está interessado na mineração de criptomoedas regulamentada que utilizará o excesso de fornecimento de eletricidade do país.

Mapa de mineração de bitcoin – Fonte: Cambridge Bitcoin Electricity Consumption index 

A Rússia é o terceiro maior destino de mineração de criptomoedas do mundo, atrás dos Estados Unidos e do Cazaquistão em termos de distribuição de taxa de hash.

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