Hoje em dia, temos algumas ferramentas muito importantes para otimizar o ecossistema de criptomoedas. Neste artigo, busco esclarecer possibilidades. Por isso, resolvi falar mais sobre o futuro das criptomoedas e seus principais desafios. 

A evolução do dinheiro 

Podemos voltar um pouco no tempo, em meados da década de 70 ou 80, em uma época que muitos acreditavam que a criação de moedas digitais era algo irreal, outros diziam que era impossível o dinheiro evoluir ao ponto de presenciarmos que algo digital poderia ter mais valor que uma cédula física de papel-moeda. 

Claramente, podemos perceber no século que vivemos a evolução do dinheiro e moedas digitais começou efetivamente após a criação do Bitcoin (em 2009), e desde então sua adoção tem sido substancial, e consequentemente, impulsionou os primeiros passos da criação das Central Bank Digital Currencies (CBDC’s), como o yuan digital e stablecoins. 

Assim, pretendo esclarecer os principais desafios sobre o futuro das criptomoedas e elucidar o motivo da digitalização do dinheiro ser quase que inevitável. Dessa maneira, vamos discutir sobre diversos assuntos e tabus que talvez podem ser empecilhos para que tecnologias disruptivas sejam adotadas massivamente, desafios e mudanças políticas e socioculturais que podem ser positivas ou negativas em determinadas circunstâncias. 

O dinheiro será totalmente digital em breve? 

Obviamente, nós não podemos afirmar se o nosso dinheiro será totalmente digital em pouquíssimo tempo, mas podemos perceber que grandes bancos, investidores institucionais e governos estão estudando minuciosamente a tecnologia das criptomoedas. Dessa maneira, identificamos um enorme interesse do mercado em acumular mais frações de Bitcoin e empresas de vários segmentos experimentam uma aplicação prática da tecnologia blockchain nos negócios

Assim, estudiosos e entusiastas de tecnologia e criptomoedas estão surgindo em todo o mundo, as estatísticas nos alertam que os fundamentos estão cada vez mais sólidos e oportunidades positivas a longo-prazo. Por exemplo, podemos concluir que a criptomoeda Bitcoin possibilitou ganhos 12 vezes maiores que o JPMorgan em um período de dois anos (Bitcoin gera retorno de +81% e JPMorgan de +6.3%, segundo dados do Statista). 

Consequentemente, as criptomoedas se tornam um atrativo positivo para países em desenvolvimento e com problemas econômicos como Brasil, Venezuela, Argentina, Sudão,

Angola e Zâmbia por exemplo. Afinal, elas possibilitam retornos financeiros para seus adquirentes e aumentam o poder de compra das pessoas que podem utilizar um dinheiro descentralizado e global. 

Assim, claramente podemos chegar a conclusão do grande interesse em tecnologias digitais de pagamento, oportunidades de crescimento e popularidade das criptomoedas ao redor do mundo. Na China por exemplo, os pagamentos digitais são uma realidade, a aceitação da população perante tecnologias disruptivas tem aumentado exponencialmente. 

De qualquer forma, vemos que o uso de aplicativos de pagamento e o avanço das moedas digitais (centralizadas e descentralizadas) nos permite visualizar o futuro do dinheiro cada vez mais digital. Afinal, mesmo que alguns países ainda não tenham uma regulamentação clara sobre o uso de criptomoedas e ativos digitais, nós enxergamos um futuro muito promissor para os meios de pagamento com base em tecnologia, disrupção e exigência de níveis mais sofisticados de privacidade e segurança da informação. 

Entendemos que a evolução nos estudos sobre o futuro do dinheiro está em constante ascensão, mas ainda não conseguimos afirmar em quanto tempo o nosso dinheiro será totalmente digital. Através de algumas informações, dados do mercado de finanças/payments sabemos que estamos caminhando para uma verdadeira revolução do sistema monetário global que segue silenciosa e ágil. 

O dilema, o medo e desinformação 

Atualmente, podemos perceber que a internet é formada por diversos conteúdos bons e ruins. Assim, informações errôneas são transmitidas por empresas criminosas sobre bitcoin ou outros criptoativos. A desinformação ignora o conceito da tecnologia blockchain, sua confiabilidade e sobre a descentralização dos principais criptoativos, sendo assim, não são controlados por nenhuma empresa ou agente estatal. 

Existem muitas empresas sérias, reguladas e que operam de acordo com a legislação de cada país. Infelizmente, as empresas que prometem retornos exorbitantes e utilizam de artifícios de persuasão para roubar os criptoativos dos clientes acabam causando medo nas pessoas sobre a tecnologia e como ela realmente deve ser usada, principais boas práticas de segurança pessoal e inteligência emocional para lidar com a volatilidade. 

Por isso, o conhecimento sobre como funciona, como usar, como guardar, transferir ou pagar com criptomoedas precisa estar transparente e de uma maneira simples. Afinal, a sabedoria e responsabilidade perante as finanças e melhores condições de prosperidade começam na aplicação da informação racional e individual.

Qual a diferença entre criptomoedas centralizadas e descentralizadas? 

As moedas digitais, tokens ou sistemas de pagamento digital possuem o propósito de ativo de valor que possui características, regras, liberdade e diferenças técnicas. Mas mesmo havendo divergências entre centralização e descentralização, o mercado continua crescendo exponencialmente. 

O lado centralizado busca sempre estar em conformidade com reguladores e trabalhar em colaboração com o sistema financeiro existente. Por outro lado, você tem criptoativos de entidades descentralizadas do mundo, que não estão sujeitas às regras do universo centralizado. 

Podemos perceber que as mudanças ocorrem em vários sistemas de troca, venda ou distribuição de um ativo, até mesmo quando consumimos uma música. A tendência é que tudo fique mais digital nas nossas vidas, afinal, a tecnologia é muito útil no intercâmbio de ativos e/ou arquivos digitais entre pares. 

No momento atual, vivemos um momento histórico no sistema monetário global e sua evolução perante toda tecnologia que temos. O tradicional é que o dinheiro seja controlado por poucos, as entidades estatais estabelecem a moeda e sua distribuição no país. 

As criptomoedas descentralizadas devolvem o controle e poder para as pessoas de maneira igualitária. Afinal, as criptomoedas entram no jogo no momento certo para a mudança do dinheiro que conhecemos. No mundo descentralizado, o dinheiro é livre e controlado por todas pessoas do ecossistema de acordo com a lei da oferta e demanda. 

Claramente, possuímos alguns desafios e precisamos vencê-los para que todos possam atuar no mercado e fazer parte desse ecossistema de maneira ética, completa e inteligente. Por isso, você pode visualizar algumas das principais pautas por trás da complexidade e características de inovação de algo tão recente como as criptomoedas. 

Desafio 1 ~ Educação Tecnológica e Financeira 

No âmbito global, a educação financeira ainda precisa ser aplicada com mais atenção, principalmente em países em desenvolvimento. As pessoas estão se aproximando do conhecimento sobre finanças, ativos digitais, carteira e custódia, por exemplo. Mas existe uma dificuldade que exige uma mudança substancial na mentalidade das pessoas sobre a importância da liberdade financeira, controle de gastos e riscos. 

Dessa forma, com bastante disciplina é possível que algo tão disruptivo continue progredindo exponencialmente. A aproximação das pessoas do mercado de criptoativos será apenas uma questão de tempo, e para que assim, vejamos uma grande mudança. Um estudo da Universidade de Cambridge mostra que foram registradas mais de 101 milhões de carteiras de Bitcoin somente em 2020 (Fonte: Global Cryptoasset Benchmarking Study). Isso quer dizer que as pessoas estão cada vez mais interessadas em criptomoedas, mas

alguns estudos da empresa Cane Island Digital Research (CIDR) informou que desde 2010, cerca de 4% do BTC em circulação são perdidos anualmente, por falta de conhecimento, erros de envio, morte do detentor ou outras causas desconhecidas. 

Desafio 2 ~ Acessibilidade e Inclusão Social 

Atualmente, as estatísticas nos dizem que o acesso a internet está se tornando mais acessível aos poucos, mas muitos países ainda não possuem tantas pessoas conectadas. Segundo dados globais do Statista (julho, 2020), aproximadamente 4,57 bilhões de pessoas eram usuários ativos da Internet em julho de 2020, abrangendo 59% da população global. O celular agora se tornou o canal mais importante de acesso à Internet em todo o mundo, uma vez que os usuários da Internet móvel representam 91% do total de usuários da Internet. 

Por isso, podemos concluir que 41% da população mundial ainda não tem acesso a internet, isso é reflexo da diferença social e de classes, afinal, muitos lugares ao redor do mundo ainda possuem condições muito precárias. Assim, precisamos pensar profundamente em soluções que possam contribuir e gerar inclusão tecnológica e levar mais pessoas para a internet, um pilar fundamental na sociedade moderna, e assim, atingirmos as camadas mais deficientes em quesitos socioculturais e econômicos. 

De acordo com estudos científicos do World Bank, globalmente, a perda de riqueza em capital humano devido apenas à desigualdade de gênero é estimada em US$ 160,2 trilhões. Os afrodescendentes continuam experimentando níveis significativamente mais altos de pobreza (2,5 vezes mais na América Latina) e 90% das crianças com deficiência nos países em desenvolvimento não vão à escola. 

Assim, vemos que é essencial gerar mais inclusão social e visibilidade para projetos que permitem e buscam ampliar maneiras de obter melhores condições de prosperidade para todos ao redor do mundo. Atualmente, podemos ver projetos de plataforma aberta como a Celo.Org, em prol de unir ferramentas e organizações independentes envolvidas no mesmo propósito de criar tecnologias que sejam acessíveis para todos com um smartphone. 

Dessa maneira, todos poderão saber o quanto as criptomoedas mudaram a forma como podemos nos relacionar com o dinheiro. Assim, os paradigmas precisam ser quebrados constantemente e com a ajuda da internet, os mecanismos de pagamento baseados na confiança e segurança como dos bancos digitais, fintechs e criptomoedas podem conseguir abraçar uma fatia ainda maior do mercado. 

Desafio 3 ~ Usabilidade e Regulamentações 

Em 2020, as principais corretoras de criptomoedas do mundo relataram um crescimento entre 15% e 30% nos cadastros em comparação com a média mensal registrada em 2019. Claramente, os novos usuários se cadastrando em corretos de moedas digitais não necessariamente significam mais clientes ativos. De qualquer maneira, no Brasil, por

exemplo, a empresa brasileira Cointrader Monitor recolheu dados de exchanges no país e elas declararam ter movimentado 395.209,48 BTC no período de 1/04/2019 e 31/03/2020. 

Veja na imagem algumas diferenças entre moedas fiduciárias e criptomoedas:

Diferenças entre Bitcoin e dinheiro fiduciário

Bitcoin: uma moeda criada para ser descentralizada, computação distribuída. As transações só envolvem duas partes, não requer intermediários. A criptomoeda é governada por uma regra majoritária (consenso da rede). Dependendo da velocidade da rede, a transação ocorre em minutos. Não é possível ter estorno ou chargeback depois da transação ter sido feita. 

Moeda Fiat: a moeda é emitida por governos e controlada por bancos centrais, precisa uma instituição como banco, meio de pagamento ou intermediário para fazer uma transação financeira. É possível conseguir chargeback ou estorno de pagamentos que já foram realizados. As transações locais e internacionais podem demorar vários dias. 

Além disso, muitos estudiosos sobre meios de pagamento digitais já perceberam a eficiência, segurança e qualidade da tecnologia das criptomoedas e finanças descentralizadas. Por isso, podemos ter estatísticas que mostram que o papel moeda está fadado ao fracasso. Estudos periódicos são positivos! 

Desafio 4 ~ Credibilidade, Confiança e Privacidade 

No decorrer da história do Bitcoin, ocorreram muitos casos de lavagem de dinheiro, uso para compra de drogas na deep web, entre outros casos de uso negativos para a reputação das criptomoedas. Por isso, algumas pessoas ainda possuem uma visão deturpada sobre moedas digitais, mas crimes e casos de corrupção ocorrem com bastante frequência com as moedas fiduciárias.

Felizmente, as criptomoedas estão ganhando muita confiança e credibilidade com o passar do tempo, afinal, muitos projetos sérios ganharam a batalha, se juntaram aos reguladores e trabalham de forma honesta e transparente, algo essencial para um mercado tão novo. A Glassnode, uma empresa especializada no setor cripto, conseguiu contabilizar o número de wallets que possuem, pelo menos, 0,1 BTC. Após os cálculos, o estudo chegou à conclusão de que, hoje, existem 3.054.282 carteiras que preenchem esse requisito. De acordo com a Coinmetrics, o Bitcoin já ultrapassou 30.45 milhões de carteiras registradas em blockchain em 2020. 

Volume de negociações de Bitcoin em cada moeda estatal.
Volume de negociações de Bitcoin em cada moeda estatal. Fonte: Research Gate.

O maior desafio de todos é a privacidade das pessoas e como garantir a segurança dos dados. Além disso, o governo com seus impostos abusivos e regras sem sentido acreditam ter o direito ético de controlar as movimentações financeiras da sociedade. Dessa forma, utilizando blockchain, a sociedade pode ser organizada inteligentemente de forma livre e sem influências de governos e com mais segurança, potencializando a evolução da tecnologia e filosofia, e claro, coisas fundamentais para o fortalecimento efetivo dos direitos humanos. 

Desafio 5 ~ Visibilidade de Negócios Inovadores 

Esse é um desafio que exige mais esforços do ecossistema, bastante profissionalismo, informação de alto nível e melhor qualidade dos projetos existentes, para assim, solucionar os problemas reais da sociedade. Dessa forma, pontos de vistas alternativos e relacionamento íntimo com grandes players do setor tradicional também geram mais

visibilidade para o mercado de criptomoedas, e assim, empresas que criam sistemas simples para a usabilidade e confiabilidade, e claro, que são otimizados constantemente, conquistam a curiosidade das pessoas. E claramente, projetos que valorizam a informação descentralizada tem chamado atenção e atraindo o interesse da sociedade. 

Apesar de todas as ameaças, existem oportunidades incríveis para negócios inovadores que sabem agir com racionalidade e respeito com seus clientes. Existem muitas associações, aceleradoras de startup e programas de venture capital para negócios inovadores no mundo, e podemos ver que a valorização de tais negócios está crescendo imensamente. Isso é um sinal importante, afinal, negócios inovadores do setor de criptomoedas recebem mais notoriedade e respeito, o mercado cresce e mais pessoas começam a se interessar pelas vantagens proporcionadas pelas finanças descentralizadas. 

Conclusão 

As criptomoedas, tokens, sistemas descentralizados e todo o ecossistema de blockchains possuem propriedades tecnológicas e características que são muito superiores ao sistema fiduciário. Por isso, elas estão cada vez mais populares e sua adoção em massa está mais próxima do que podemos imaginar. Concluindo, uma comunidade livre, open source e descentralizada permite que qualquer pessoa com os devidos conhecimentos consiga colaborar de alguma maneira para que sistemas complexos fiquem cada vez melhores, seguros e acessíveis. Welcome to the Blockchain! 

Gostou do conteúdo? 

Você conhece mais algum desafio que as criptos enfrentam? Deixe seu comentário ou envie um donate

Conheça meu trabalho, vamos bater um papo! 

Instagram | Twitter | YouTube | Linkedin 

Siga também o Cointimes nas redes sociais!

Facebook | YouTube | Twitter | Instagram | Spotify

Compre Bitcoin na Coinext
Compre Bitcoin e outras criptomoedas na corretora mais segura do Brasil. Cadastre-se e veja como é simples, acesse: https://coinext.com.br