Os cortes emergenciais nas taxas de juros são más notícias para a Dow Jones e para o mercado de ações em geral. Além disso, a taxa de mortalidade por coronavírus é pior do que o esperado, de acordo com a Organização Mundial de Saúde.

Resumo da notícia:

  • Historicamente, os cortes emergenciais nas taxas de juros precedem um mercado em baixa.
  • A OMS emite novas orientações sobre a taxa de mortalidade do COVID-19 (coronavírus).
  • Um novo estudo estima que o vírus possa reduzir pela metade o crescimento econômico este ano.

O Banco Central americano chocou os investidores na terça-feira depois de anunciar um corte agressivo na taxa de 50 pontos. A medida pretendia reforçar a liquidez, em um esforço para combater o impacto econômico do coronavírus.

Infelizmente, a grande redução de taxa não elevou o Dow Jones Industrial Average como esperado. Pelo contrário, o índice encerrou o pregão em queda de quase 3%, apesar da intervenção do Fed. Isso indica que o mercado está precificando fatores que não podem ser resolvidos por políticas monetárias frouxas.

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Grandes cortes costumam antecipar o colapso de ações

Nas últimas duas décadas, vimos seis casos em que o Fed reduziu as taxas em 50 pontos-base ou mais. Cada um deles precedeu um bear market (mercado em baixa).

A última vez que o FED cortou juros emergencialmente foi antes da crise de 2008, mas antes disso também tivemos um crash na bolsa em janeiro do mesmo ano. Em 2007, o desencadeamento da crise do subprime, e por aí vai…

Desde 2001, o Fed vem introduzindo cortes emergenciais de 50 pontos base ou mais, na tentativa de evitar uma crise.

A história nos diz que essa estratégia não funciona. Na verdade, virou um sinal de que o mercado de ações está caminhando para uma enorme queda.

queda do Dow Jones coincidindo com cortes emergenciais na taxa de juros
Quedas coincidem com cortes emergenciais do Fed

Em 2001, o Fed reduziu as taxas em 0,5% três vezes em seis meses. O mercado de ações caiu mais de 30%, apesar da intervenção do Banco Central.

É a mesma história em 2007 e 2008, onde o Fed introduziu três reduções agressivas nas taxas. O resultado? Um colapso maciço no mercado de ações de mais de 50%.

Parece que a história está mostrando que os cortes nas taxas de emergência são medidas desesperadas. O Federal Reserve sabe que uma grande crise está chegando, mas sua medida provavelmente não vai parar o sangramento.

Taxa de mortalidade do coronavírus é maior do que se pensava anteriormente

O declínio do mercado de ações, apesar da intervenção de emergência do Fed, é um sinal de que o risco do coronavírus para a economia é maior do que o previsto.

Essa afirmação parece verdadeira quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou novos números sobre a taxa de mortalidade do coronavírus.

Na terça-feira, funcionários da OMS disseram que a taxa de mortalidade global para o COVID-19 é na verdade de 3,4%. Esse número é significativamente superior à estimativa anterior de 2,3%. A gripe sazonal tem uma taxa de mortalidade de 1%.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse em uma entrevista coletiva em Genebra:

“Globalmente, cerca de 3,4% dos casos relatados de COVID-19 morreram.”

O funcionário da OMS, Mike Ryan, mostra uma imagem sinistra de quão pouco entendemos sobre o vírus,

“Aqui temos uma doença para a qual não temos vacina, nem tratamento, não entendemos completamente a transmissão, e não entendemos completamente a causa da mortalidade.”

Nos Estados Unidos, existem agora 137 casos confirmados e nove mortes no total. Globalmente, o número de casos confirmados subiu acima de 95.000.

O gerente de fundos de hedge Will Meade resume a magnitude do impacto do vírus na economia:

A última vez que o FED fez um corte de emergência de 50 pontos foi após o colapso do Lehman em 2008. Alguém diz que o coronavírus não é grande coisa ou é estúpido ou ingênuo.”

Coronavírus pode reduzir pela metade o crescimento econômico dos EUA este ano

Como ilustrado, um corte na taxa de emergência geralmente não é um bom presságio para o mercado de ações. Will Meade, ex-analista do Goldman Sachs, disse que um corte emergencial tão grande significa que a economia iria afundar este ano.

Esse sentimento é confirmado por um novo estudo da Brookings Institution. Brookings concluiu que a pandemia leve de coronavírus acabaria com cerca de US$ 420 bilhões do crescimento deste ano.

Em 2019, o PIB do dólar atual subiu 4,1%, ou US$ 848 bilhões. Em outras palavras, o cenário menos grave reduz pela metade a expansão econômica de 2020.

Se o pior acontecer, Brookings projeta que o coronavírus obliterará US$ 1,78 trilhão do crescimento do PIB.

Segundo o estudo, o PIB global contrairia mais de US$ 9 trilhões caso a pandemia global levasse a um “surto mais sério semelhante à gripe espanhola”.

Em ambos os casos, a economia e o mercado de ações têm uma perspectiva sombria este ano. É provável que nenhuma quantidade de cortes nas taxas de juros impeça a Dow Jones de entrar em um mercado de baixa.