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Deveremos ver em breve a divulgação do IPCA de dezembro pelo IBGE. E como vem acontecendo com frequência, espero ver resultados muito acima da meta do BACEN, o que deve gerar uma “surpresa” (sejamos sinceros, ninguém mais se surpreende de verdade) no mercado trazendo momentaneamente o assunto inflação do real de volta à pauta. 

Definindo a Inflação real

Existe uma divergência entre a definição mais utilizada pelas instituições tradicionais (órgãos governamentais, grande mídia, escolas de economia, etc) com a utilizada pela Escola Austríaca de Economia. Acredito que a segunda seja mais correta, e é normalmente a definição que utilizo quando estou falando de inflação real. 

O IBGE, por exemplo, define inflação como: 

“Inflação é o nome dado ao aumento dos preços de produtos e serviços. Ela é calculada pelos índices de preços, comumente chamados de índices de inflação.”

O IBGE produz dois dos mais importantes índices de preços: o IPCA, considerado o oficial pelo governo federal, e o INPC.

Ludwig Von Mises comenta sobre a definição mais aceita pela escola austríaca e também sobre essa divergência conceitual. 

Fonte: https://mises.org/library/defining-inflation

“Inflação, como o termo foi sempre utilizado em todos os lugares e especialmente neste país, significa aumentar a quantidade de dinheiro e notas em circulação, além de depósitos e créditos bancários. Mas as pessoas hoje em dia utilizam o termo ‘inflação’ para se referir ao fenômeno que é uma consequência inevitável da inflação, que é a tendência de aumento de preços e salários.”

“O resultado dessa confusão deplorável é que já não existe mais um termo que define a causa desse fenômeno. Como não podemos falar sobre algo que não tem nome, não podemos lutar contra.”

“Aqueles que fingem combater a inflação, estão apenas combatendo a consequência inevitável dela (aumento de preços). Sua aventura está fadada ao fracasso, pois ela não ataca a raiz do problema. Eles ‘tentam’ manter os preços baixos, enquanto estão firmemente comprometidos às políticas de aumento da base monetária, que necessariamente fazem os preços dispararem.”

“Enquanto essa confusão terminológica não for completamente solucionada, não existe nenhuma possibilidade de combatermos a inflação real.

A definição de inflação utilizada neste artigo será:

“O aumento da oferta financeira circulante”. 

Índices de Inflação 

Como afirmado pelo próprio IBGE, o índice de inflação considerado oficial pelo governo brasileiro é o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), mas ele tem pontos falhos e não produz resultados eficientes em medir o aumento da oferta financeira circulante no país.

Além do IPCA, outros dois índices considerados importantes para o mercado financeiro brasileiro são o INPC e o IGP-M

Como o IPCA e o INPC são calculados? 

O IBGE faz um levantamento mensal, em 13 áreas urbanas do País, de, aproximadamente, 430 mil preços em 30 mil locais. Todos esses preços são comparados com os preços do mês anterior, resultando num único valor que reflete a variação geral de preços ao consumidor no período.

O IPCA considera 9 categorias de produtos, sendo elas: 

Alimentação e bebidas; Habitação; Artigos de residência; Vestuário; Transportes; Saúde e cuidados pessoais; Despesas pessoais; Educação e Comunicação. 

Atualmente, a população-objetivo do IPCA abrange as famílias com rendimentos de 1 a 40 salários mínimos. Alcançando até 90% das famílias residentes em áreas urbanas cobertas pela pesquisa. 

Enquanto isso, o INPC possui método muito semelhante, com as mesmas categorias, mas cuja população-objetivo abrange as famílias de baixa renda com rendimentos de 1 a 5 salários mínimos.

Resultados IPCA e INPC 

O último resultado conhecido data de novembro de 2021 e vem com um acumulado nos últimos 12 meses de: 

O que significa que, em média, produtos destas 9 categorias comprados pela população geral aumentaram em 10,74%.

Um produto que antes custava R$1.000,00 (mil reais) 12 meses atrás, hoje custa R$1.107,4 para famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos. 

O que também significa que, para as famílias com renda de 1 a 5 salários mínimos, o mesmo produto de R$1.000,00 12 meses atrás, hoje custa R$1.109,60.

Isso mostra que a população mais afetada negativamente pelo aumento da inflação, que muitas vezes ocorre sob o pretexto de querer “ajudar os mais pobres”, é a população mais pobre. Um paradoxo político.

IPCA acumulado por ano de 2002 a 2020, destoando a inflação real
IPCA acumulado por ano de 2002 a 2020

Por que estes índices não são eficientes para medir a inflação real? 

O primeiro ponto – IPCA e INPC medem apenas o preço final de produtos no último estágio da corrente de consumo.

Ele ignora todos os estágios anteriores e visa estudar apenas o poder de compra de uma parcela da população em uma parcela de distribuição específica.

Todos os outros fatores ignorados, também são afetados pelo aumento do fornecimento financeiro circulante e quanto mais deles são incluídos na análise, mais próximo dos efeitos reais do fenômeno nós chegamos.

O IGPM soluciona esse primeiro ponto. Falaremos sobre ele.

O segundo ponto – que também afeta negativamente o IGP-M, é que o aumento de preços pode ser causado por outros fatores externos, não diretamente ligados à inflação.

Outros possíveis causadores do aumento de preço: 

  • Aumento da demanda do produto (mais pessoas querendo comprar o produto); 
  • Diminuição da oferta do produto (por inúmero motivos como cortes de produção, falta de matéria prima, problemas logísticos e de distribuição, interferência governamental, etc);
  • Aumento de custos fixos e variáveis sobre o produto (energia, câmbio, transporte, mão de obra, etc);
  • Entre outros.

Além disso, existem ferramentas econômicas que ajudam a controlar o aumento dos preços, mesmo em um cenário inflacionário. Como é o caso do aumento dos juros (SELIC).

Como é calculado o IGP-M/FGV 

O Índice Geral de Preços foi concebido no final dos anos de 1940 para ser uma medida abrangente do movimento de preços. Entendia-se por abrangente um índice que englobasse não apenas diferentes atividades como também etapas distintas do processo produtivo.

O IGP é a média aritmética ponderada de três outros índices de preços. São eles: 

  • Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) = 60%
  • Índice de Preços ao Consumidor (IPC) = 30%;
  • Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) = 10%

O IGPM/FGV é a sigla para Índice Geral de Preços do Mercado, calculado mensalmente pela Faculdade Getúlio Vargas e divulgado no final de cada mês de referência. 

O acumulado nos últimos 12 meses (com último fechamento em outubro de 2021) está em 21,73%, mas o acumulado nos últimos 12 meses com fechamento em agosto chegou a bater 31,13%

É interessante notar que o Índice Geral de Preços possui como peso apenas 30% do IPC (que seria o índice mais próximo do IPCA) e tem mais da metade de sua importância (peso de 60%) sobre os preços ao Produtor Amplo.

Buscando as primeiras etapas da cadeia mercadológica que acabam influenciando todas as demais, servindo como uma reação mais rápida à inflação. Podemos dizer que ela “sente” os efeitos da inflação antes da etapa final – medida pelo IPCA. 

Ao não possuir um atraso e uma diluição tão grande como ocorre no IPC, conseguimos nos aproximar mais rápido dos impactos do aumento da inflação e tomar as decisões de acordo. 

IGP-M acumulado desde 1995. Inflação real.
IGP-M acumulado por ano – de 1995 a 2021

Temos como saber exatamente qual é a inflação real de uma determinada moeda? 

Sim. Para isso precisamos saber exatamente quanto foi o aumento da oferta desta moeda em um determinado período.

Apesar do dinheiro em moeda, espécie ou notas comemorativas, não ser o único fator de fornecimento financeiro circulante, ele já é uma métrica muito importante e mais próxima do real do que os índices que medem o efeito da inflação e não a inflação em si.

Se observarmos estes dados coletados no site do Banco Central do Brasil (por Vinícius Barbosa para o Cointimes), vemos a quantidade declarada de dinheiro em circulação por ano e seu respectivo aumento em relação ao período anterior. In-fla-ção.

Tabela de dinheiro em circulação por ano - inflação real
Fonte: BCB – Banco Central do Brasil | Dinheiro em Circulação – por Vini Barbosa

Os dados também podem ser visualizados neste gráfico:

Gráfico aumento do dinheiro em circulação - inflação real
Fonte: BCB – Banco Central do Brasil | Dinheiro em Circulação – por Vini Barbosa

Se cruzamos com dados históricos do IPCA ou IGPM acumulados em cada ano, conseguimos perceber a reação tardia do aumento de preços (em ambos os índices), mas ainda diretamente influenciada pelo meio circulante nacional.

Por exemplo, em 2015, IPCA e IGPM atingiram valores recordes superiores a 10%, mas em 2015 a inflação real diminuiu em relação aos meses anteriores, com um aumento de apenas 3% contra os 8% de 2014.

Uma inflação menor só teve efeito nos anos seguintes para os preços e a regra se mantém mais ou menos a mesma para cada período analisado.

Conhecer a dinâmica do meio circulante nacional pode ajudar muito indivíduos e empresas, a se protegerem da consequência da inflação no aumento dos preços e perda do poder de compra.

Conhecer a inflação real pode ajudar nos investimentos

Quando entendemos que o aumento dos preços e a perda do poder de compra são efeitos da perda de valor de uma moeda, causada pelo aumento do fornecimento de dinheiro em circulação, fica fácil entender que o mesmo vale para ativos financeiros.

Quando uma moeda como o real (BRL) perde valor por conta da inflação, os outros ativos que não sofrem o mesmo problema acabam se valorizando, frente à moeda.

Esse efeito não é tão evidente contra o dólar, já que o FED também possui uma inflação alta, mas quando comparado com ativos como o Bitcoin (BTC), esse fenômeno fica mais claro.

Em 2020, o aumento de BRL em circulação alcançou números recordes não vistos desde 1995, após o plano real.

Apenas em 2002 chegamos em valores próximos, com 33%, frente aos 35% de aumento de 2020.

E em 2020 o Bitcoin passou por valorizações históricas contra o real brasileiro. Não foi por acaso.

Em 2021 o BCB declarou pela primeira vez uma retirada de dinheiro em circulação, com deflação monetária.

Em 2021 vimos índices de preços começarem a recuar agora no final do ano (com uma queda de dez pontos percentuais para o IGP-M acumulado de outubro em relação à agosto), o que já pode ser um efeito deflacionário.

Em 2021 também vimos o Bitcoin perder força na metade do ano.

Inflação no Bitcoin

Apesar de possuir inflação muito inferior às moedas fiduciárias, o Bitcoin ainda é um ativo inflacionário.

Com a vantagem de ser uma inflação matematicamente programada e previsível dentro de um protocolo com regras bem estabelecidas, diferente da arbitrariedade da inflação fiat que está totalmente sujeita à vontade do governo vigente que, muitas vezes, usa o poder de decisão para favorecer campanhas políticas eleitoreiras.

A cada 10 minutos, 6,25 BTCs são acrescentados ao fornecimento circulante devido às recompensas de mineração de blocos pagas aos mineradores, gerando um aumento da oferta monetária do bitcoin de 900 BTC por dia, ou 328.500,00 novos bitcoins por ano.

Aproximadamente 1,78% de inflação ao ano. Sem levar em conta as unidades queimadas com perdas de chaves privadas, que acontecem com bastante frequência e poderiam diminuir esse valor.

A cada 4 anos a recompensa de mineração cai pela metade com o halving, diminuindo a inflação do Bitcoin, até quando alcançar o fornecimento máximo de 21 bilhões BTC.

Existem moedas como a Nano (XNO) cujo fornecimento máximo já se encontra 100% em circulação e, cuja inflação é de 0,00%.

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