O sistema financeiro tradicional não é justo para a maior parte das pessoas, e por isso o Bitcoin pode representar um risco sistêmico para as economias de países menos livres, sugeriu o chefe de tecnologia da Bitfinex e Tether, Paolo Ardoino, em entrevista ao Cointimes.

O sistema financeiro é ineficiente

Ao contar sua história, Paolo revelou que antes de se juntar à exchange Bitfinex em 2014, ele tinha sua própria startup do mundo financeiro tradicional. É por isso que o programador conhece as principais falhas e desvantagens do sistema tradicional.

“Meu trabalho era super chato porque o mundo financeiro tradicional, no aspecto tecnológico, é extremamente lento, ultrapassado e velho. Então todas as tarefas são repetitivas, e você tinha que lidar com bancos e sua infraestrutura, eu não recomendo para ninguém.”

Então ele se encantou com o Bitcoin porque o blockchain tem a beleza da consistência. “Todos que estão participando do blockchain rodando um node podem ver os mesmos dados que os outros estão vendo.”. Enquanto isso, o sistema financeiro tradicional é uma “bagunça de dados”, onde cada um guarda as informações da sua própria maneira.

Mas a ineficiência não é o principal problema do sistema atual, é a falta de justiça.

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O sistema financeiro é manipulado

Ao final de 2013, Paolo disse que já era movido por algo um pouco mais profundo, os aspectos sociais do Bitcoin. A rede do Bitcoin possui uma característica fundamental para a liberdade, a falta de um órgão central permitindo ou barrando a entrada de indivíduos, ou seja, não há necessidade de permissão de terceiros para participar.

Paolo Ardoino é de Génova, uma cidade italiana que criou o primeiro banco moderno do mundo em 1406. Chamado de Monte dei Paschi, este banco foi a primeira instituição a realizar a atividade de emprestar dinheiro. Mas, para Paolo, por séculos a atividade financeira foi elitista, e o Bitcoin, em 2009, foi a primeira expressão realista de liberdade financeira.

Monte dei Paschi, primeiro banco do mundo em Génova, que recebeu um resgate bilionário do governo em 2017. Fonte: Exame.

“Eu acredito que ​​além de ganhar algum dinheiro, há muito mais atrás das cortinas, existe uma mensagem, uma nova oportunidade, uma filosofia [por trás do Bitcoin].”, disse Ardoino.

E, enquanto os entusiastas admiram a liberdade que o Bitcoin pode trazer, alguns políticos a temem na mesma medida. O governo usualmente não quer perder o controle que tem sobre o sistema financeiro.

Exemplos clássicos de como as finanças tradicionais são manipuladas é o caso do confisco da poupança no Brasil no Plano Collor e a Ordem Executiva 6102 nos EUA, quando confiscaram o ouro da população. Com Bitcoin, isso não seria possível.

Outra demonstração de manipulação aconteceu logo antes da criação do Bitcoin, quando o governo salvou as instituições financeiras de quebrarem após descobrirem que grandes fraudes estavam inflando o mercado imobiliário e a bolha estourou em 2008/09.

Hoje, políticos falam abertamente que o Bitcoin poderia destruir uma economia ou desestabilizar nações.

Para Paolo, o motivo pelo qual o Bitcoin pode destruir uma economia é porque essa economia é falha. “Se uma economia é sólida, ela não deveria temer o Bitcoin. O BTC seria apenas mais uma maneira de transacionar dinheiro.”, disse ele.

Na Itália, contou ele, existem conversas sobre tomar parte do dinheiro da população para pagar as dívidas que foram acumuladas pelo governo ao longo dos anos. Se todos utilizassem o bitcoin, isso simplesmente não seria possível.

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