Durante um mercado em alta, também conhecido como bull market, diversas moedas podem subir absurdamente mesmo sem apresentar fundamentos sólidos. Isso acaba por distorcer a avaliação dos novos investidores, que nunca assistiram à morte de centenas de moedas.

No mercado, chamamos as moedas ruins de “shitcoins”, muitas vezes criadas apenas para surfar em uma onda momentânea e morrer em seguida. Algumas, porém, tem um nome bonito, roadmap mais elaborado e um nível de aceitação maior, mas ainda são shitcoins.

Pensando no longuíssimo prazo, você não quer ter uma moeda que a única tendência é caminhar para o seu túmulo. Portanto, é necessário muito cuidado na hora de decidir onde alocar o resultado do seu trabalho para manter seu poder de compra estável ou, de preferência, crescendo.

Se preferir, veja um resumo do conteúdo em web story:

Abaixo, faço uma lista de 5 moedas com uma explicação mais detalhada de porque, na minha opinião, elas são shitcoins e não devem ser usadas como reserva de valor.

5) Bitcoin Satoshi Vision (BSV)

Para entender essa moeda, você deve conhecer um pouco sobre o surgimento do Bitcoin Cash. Durante muito tempo, a comunidade discutiu sobre qual seria a melhor forma de escalar o Bitcoin para o mundo, o que acabou dividindo o projeto em dois, o Bitcoin (BTC) e o Bitcoin Cash (BCH).

Um grupo de desenvolvedores preferiu focar em soluções de segunda camada como a Lightning Network, estes decidiram manter os blocos do Bitcoin pequenos, outro grupo (que incluía um australiano chamado Craig Wright) optou por aumentar o tamanho dos blocos e criou o Bitcoin Cash.

No entanto, Craig Wright dizia ser o próprio criador do Bitcoin, Satoshi Nakamoto, e teve problemas em atingir consenso para atualizar a moeda da sua própria maneira. Por esse motivo, ele criou o Bitcoin Satoshi Vision (BSV).

Ou seja, o BSV é o fork do fork do Bitcoin, com uma comunidade minúscula e dependente da figura de um único desenvolvedor. A centralização do projeto é clara como a luz do dia.

Curiosamente, Wright nunca provou publicamente ser Satoshi, o que ele teoricamente poderia fazer assinando uma mensagem com uma chave criptográfica que pertencia ao criador do Bitcoin. Por isso, ele é mais conhecido como Faketoshi.

Veja aqui uma extensa lista de mentiras de Craig Wright.

Além disso, a rede BSV possui apenas 69 nodes ativos, sendo apenas 34 deles atualizados para a última versão, contra 1.059 na rede do BCH (Bitcoin Cash) e 9.680 nodes (descobertos) no Bitcoin (BTC).

E o que o mercado está nos dizendo através da demanda observada por essa moeda? Com a mesma oferta máxima de moedas que o BTC, o Bitcoin Satoshi Vision custa apenas 149 dólares. Se o Bitcoin Cash é precificado em apenas 0,01 BTC, o BSV vale apenas 0,26 BCH.

Pense bem antes de deixar seu dinheiro no Bitcoin do falso Satoshi. Esse é o BSV em relação ao Bitcoin nos últimos anos:

4) Nióbio Cash

Essa moeda já fracassou algumas vezes, mas continua tentando emplacar no mercado brasileiro. Criada no Brasil, ela já passou por algumas reformas, de forma semelhante à própria moeda estatal, que também já teve diversas mudanças de padrão monetário.

Ela surgiu depois dos discursos protecionistas do presidente Bolsonaro sobre o metal nióbio. Ou seja, já começou errado. O nióbio, apesar de ser um metal importante para a indústria, se tornou um assunto recheado de mentiras (hoax) populistas e ignorâncias econômicas.

O whitepaper do projeto também foi um desastre, uma verdadeira ode ao nacionalismo e mentiras sobre o Bitcoin, a moeda mais forte do mercado. Você pode assistir uma análise completa e detalhada de Guilherme Rennó, do Criptomaníacos, sobre a Nióbio Cash clicando aqui.

O projeto dizia que “era melhor que cada país tivesse sua própria criptomoeda”, como se fronteiras tivessem alguma relevância para as criptomoedas. Além disso, havia a promessa de incentivar financeiramente pesquisas sobre nióbio com 5% do total minerado.

Só isso já seria o suficiente para mostrar a centralização do projeto, mas o white paper foi mais longe em dizer que é a “Equipe Nióbio Cash” que iria escolher os projetos que receberiam as doações. E teve um portal de cripto dizendo que Nióbio Cash era “uma criptomoeda descentralizada”.

Tecnicamente, eles começaram com uma criptomoeda focada em privacidade, apenas utilizando o código de Cryptonote. Como criptos de privacidade não são bem aceitas pelas corretoras, a moeda morreu e surgiu de outra forma: “COPIAMOS O BITCOIN PARA VENCER O REAL”, escreveram na página oficial.

Além de se tornar uma cripto completamente transparente, fizeram um “COPOM” para definir o preço da moeda de forma centralizada e controlada. Mais recentemente, de novo, publicações foram apagadas das redes sociais e tentaram uma nova abordagem, implorando a ajuda de corretoras.

A moeda está próxima da morte, mas quer o seu investimento. Vai confiar que dessa vez é diferente?

Esse foi o desempenho da criptomoeda brasileira em relação ao Bitcoin este ano, cuidado para não evaporar suas economias nisso:

3) Shiba Inu

Talvez as moedas meme recebam mais hate dos bitcoiners do que realmente merecem, mas a verdade seja dita: são todas shitcoins. Nenhuma criptomoeda baseada em piada traz um avanço tecnológico relevante que justifique trocar suas economias por ela.

A primeira criptomoeda meme que surgiu foi a Dogecoin (DOGE) em 2013, quando um desenvolvedor quis fazer uma piada unindo o Bitcoin com o meme doge, viral na época.

A sua tecnologia é fruto de uma cópia (Luckycoin) da cópia (Litecoin) do Bitcoin. O Dogecoin não trouxe uma inovação significativa ou uma característica monetária melhor, apenas mais complexidade e bugs para a moeda digital.

Você pode entender a fundo sobre a Dogecoin assistindo ao vídeo completo da NovaCast sobre o assunto. Mas o mais importante para este texto é entender que a Shiba Inu (SHIB) tomou um caminho parecido.

O Shiba Inu, além de ser uma cópia descarada da DOGE, não traz nenhum aperfeiçoamento em relação a outras centenas de criptos. É só mais um token ERC-20 da rede Ethereum, com promessas de integrações com outros ecossistemas DeFi, incluindo uma exchange descentralizada (ShibaSwap).

O hype em volta do meme fez o token subir absurdamente, mas o movimento gira apenas em torno do meme e do crypto unit bias (a visão distorcida de que, por exemplo, só porque um ativo vale poucos centavos, ele deve facilmente valorizar porcentagens absurdas).

Veja abaixo o gráfico de preço da SHIB/BTC, dependendo de quando alguém comprou essa moeda, ela pode ter multiplicado o capital em várias vezes ou perdido mais de 40% na brincadeira. 

Nada contra a especulação, mas o meme não tem fundamentos para competir no mercado de moeda forte, por isso é uma shitcoin.

2) Viralata Finance

“Quando você tem insônia, tudo se torna uma cópia da cópia da cópia” – Clube da Luta, 1999.

A lista pode acabar ficando repetitiva com outra moeda de cachorro, mas estamos no Brasil e a REAU (Viralata Finance) acabou se tornando uma moda aqui. Eu devo falar dela.

A memecoin do vira-lata caramelo vai na mesma direção da Shiba Inu, mirando no mercado DeFi. Os desenvolvedores pretendem criar uma exchange descentralizada e competir nesse ramo.

Porém, a sua péssima liquidez e oferta circulante (quase tão grande quanto a de Shiba Inu) devem manter sempre o seu valor unitário baixo. Por isso, é absurdo que a página oficial do projeto tenha dito que o objetivo seria chegar em R$1 o preço por token (não caia nessa).

A comunicação oficial já melhorou e ficou mais transparente, porém o histórico não deve ser esquecido. Inclusive, um relatório acusou a moeda de scam (golpe) ao relatar várias movimentações que indicavam que os criadores estavam supostamente despejando os tokens nos novatos.

A exchange brasileira Mercado Bitcoin também já se manifestou em relação a Viralata-finance, chamando a moeda de shitcoin (apesar de terem listado Shiba Inu recentemente).

Veja o que aconteceria com o seu dinheiro investido em Viralata Finance (REAU) durante 2021, de acordo com dados do Coinmarketcap:

A imagem seria ainda mais feia se a moeda fosse comparada ao Bitcoin, como fizemos com outras moedas da lista, mas a liquidez nesse par é tão baixa que o gráfico ficaria distorcido.

1) Real Digital

Por último, mas não menos importante, a moeda digital de banco central (CBDC) brasileira deve ser a próxima shitcoin do cripto-mercado. Com possível integração à DeFi, IoT, NFT, metaverso e tudo.

Para ser justo, antes de começar com os pontos negativos, devo dizer que essa shitcoin é diferente das demais. O real possui uma liquidez altíssima, 100% de aceitação (pelo menos no Brasil) e uma grande facilidade de uso, afinal todos estamos acostumados com ela.

A digitalização da moeda não vai ser diferente de, por exemplo, a chegada do Pix, com todo mundo tendo que se adaptar com a nova tecnologia. A adoção certamente vai explodir em pouco tempo. Essas são vantagens que nenhuma outra moeda tem por aqui.

Mesmo assim, seus fundamentos são fraquíssimos. Uma demonstração óbvia de sua fragilidade está no fato de que a adoção depende da força da lei. Como os seus desenvolvedores não confiam que seu projeto será adotado de forma pacífica, eles contam com o sistema legal para empurrar goela abaixo a sua shitcoin na população.

Para começar, falta transparência no desenvolvimento, pois o Banco Central do Brasil até hoje não disse se o código da moeda será aberto e, possivelmente, acabará sendo uma das poucas moedas digitais de código fechado.

Além disso, se a história se repetir com o Pix, o investimento em segurança provavelmente não estará nem aos pés do que é alocado em uma moeda forte como o Bitcoin, por exemplo, que conta com desenvolvedores do mundo inteiro.

Ainda diferente do Bitcoin, o real não possui políticas monetárias bem definidas por consenso distribuído, mas as regras podem facilmente mudar e estão nas mãos de poucas pessoas. A taxa de juros, que é basicamente o custo da moeda em relação ao tempo, é definida pelo Copom (ideia que o Nióbio Cash quis imitar).

O supply total não é limitado e, pior, a expansão monetária é baseada em decisões centralizadas e pode depender do cenário global, econômico e/ou político. Quase tudo em relação à moeda estatal é baseado na confiança e, portanto, incerto.

O aumento da base monetária acaba por inflar o preço dos produtos e serviços e, por conta disso, o real vale cada vez menos. Desde a sua fundação em 1994, o real já desvalorizou cerca de 85% apenas levando em consideração os números da inflação pelo IBGE.

Comparado ao Bitcoin, esse foi o desempenho da moeda brasileira:

99,62% de queda em alguns anos. Eu sempre digo, invista em real apenas a quantidade de bitcoin que está disposto a perder, pois o real é shitcoin.

O pior é que muita gente está 100% exposta a essa shitcoin, aqui que mora o maior risco de todos. Você estaria preparado para um cenário de fim do real?

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