Em entrevista para a CoinDesk.tv, o bilionário fundador da empresa de inteligência de negócios – MicroStrategy, Michael Saylor, disse que Bitcoin é a melhor proteção contra a inflação, sendo a melhor reserva de valor mundial da atualidade, mas dólar é a melhor moeda mundial para, por exemplo, comprar uma xícara de café.

A figura de Michael Saylor

Michael Saylor começou a ganhar relevância na comunidade do bitcoin de um tempo para cá por sua opinião a respeito da tecnologia como um ativo que irá substituir o ouro e outras reservas de valor, como a propriedade imobiliária.

O investidor se viu envolvido em algumas afirmações polêmicas, quando em vídeo ele diz que:

Pegue todo seu dinheiro e compre bitcoin; então tome todo seu tempo para pensar em maneiras de como conseguir mais dinheiro emprestado para comprar mais bitcoin; então tome mais tempo para descobrir o que você pode vender para comprar mais bitcoin; e se você absolutamente amar essas coisas e não quiser vender, vá e faça uma hipoteca da sua casa e compre bitcoin; e se você tem um negócio que você ama, porque sua família trabalha nesse negócio por 37 anos e você não pode vendê-lo, hipoteque-o, consiga investimentos para seu negócio, pegue esse dinheiro e transforme no dinheiro mais forte do mundo, que é o bitcoin”.

Michael Saylor distorcido

Essa recomendação de investimento, que teve o apoio de uma grande parcela dos entusiastas da criptomoeda líder, inclusive, ocorreu por volta de maio de 2021, quando a cotação do bitcoin saiu de US$59k e alguns meses depois chegou a US$28k.

Michael Saylor também ensinou o segredo dos bilionários para evitar impostos e manter riqueza, usando bitcoin como colateral para conseguir empréstimos e aumentar o poder de compra em dólar, sem precisar vender ou gastar seus bitcoins.

Ele vem se posicionando como um grande entusiasta, investidor e influenciador da criptomoeda, tendo participado como palestrante em conferências, comprando BTC em momentos de queda com o caixa de sua empresa – MicroStrategy e sendo uma figura que consegue adoradores, haters ou pessoas que flutuam entre um misto de admiração e cautela em relação ao bilionário.

Bitcoin como ativo digital de investimentos

Na entrevista ao CoinDesk.tv, publicada na noite de quinta-feira (02 de dezembro de 2021), quando questionado sobre o alvo de preço para US$100k e qual a projeção para quão alto bitcoin pode chegar, Saylor diz que não tem uma projeção de curto prazo para o preço.

Ele acredita que “qualquer hora é uma boa hora para comprar bitcoin”, pois o Bitcoin é: 

“Uma tecnologia crítica para a raça humana. É propriedade digital e, como propriedade digital, ele deve desmonetizar o ouro e investimentos em propriedades como ‘segundas casas’; índices monetários; ETFs; o que significa que certamente ele deve superar a capitalização de mercado do ouro e de outras propriedades de investimento”.

Michael Saylor olhos laser

Também afirma que como uma classe de ativo, ele deve continuar valorizando muito com o tempo, mas que não pode prever a volatilidade em alguns períodos curtos e não tentará fazê-lo.

Quando questionado sobre as criptomoedas; os diferentes rumos sendo tomados em questões regulatórias; o surgimento das CBDCs; e o que ele vê acontecendo a partir de agora, Michael Saylor diz que:

“Acredito que esse tenha sido um ótimo ano para a institucionalização e o amadurecimento da indústria cripto e as pessoas estão percebendo que existem moedas digitais (digital currencies) e ativos digitais (digital assets), e que existe um consenso entre os Bancos Centrais e os reguladores, tanto nos Estados Unidos quanto na Índia, de que o Bitcoin é um ativo digital e não uma moeda digital.”

“Eles são chamados de ativos especulativos, ou ativos de reserva de valor, mas é um ativo e não uma moeda (currency)”.

“Por ativo, significa que você pode segurá-lo como uma reserva de valor e ele compete com o ouro ou com uma segunda casa (second home), como propriedade de investimento.”

“Uma moeda (currency) é um meio de troca que você consegue transferir livre de impostos e é bem óbvio que os governos querem manter o controle sobre as moedas como a rupia, o dólar, o euro, o CNY… Moedas que as pessoas podem usar para trocar por bens e serviços sem precisar pagar impostos, mas eles não se sentem ameaçados por um ativo digital enquanto as pessoas concordarem em pagar impostos quando precisarem transferi-los”.

“Estas regulamentações são sobre o uso dos ativos digitais como moeda, mas não como investimento. Então você ainda pode ter quantos bitcoins quiser, desde que você se comprometa a pagar os impostos sobre ganho de capital quando vendê-los e tiver lucro”.

“Porque o Bitcoin pode se tornar um ativo de 1 trilhão de dólares, como ativo digital, e ainda assim nunca substituir a rupia ou substituir o CNY como moeda”.

“Eu acredito que a verdadeira briga entre moedas digitais será a stablecoin de dólar, emitida pelos bancos americanos, contra a rupia digital, ou o CNY digital e a preocupação dos governos com moedas mais fracas, estará no medo das pessoas trocarem suas moedas pelo dólar digital. É essa manobra que está ocorrendo hoje por trás das cortinas com os reguladores”.

O dólar digital é a moeda que será utilizada para comprar um café

O CEO da Microstrategy continua dizendo que enquanto houver governos e empresas, continuaremos vendo a dicotomia entre propriedade (ativo) e moeda (currency), e que talvez, em países onde governos colapsem, a propriedade pode se transformar em moeda.

No ponto de vista dele, é muito mais interessante utilizar o dólar como moeda para comprar coisas, como um café, por exemplo, por se tratar de um ativo mais fraco que tende a perder valor, enquanto o bitcoin é um ativo mais forte que tende a ganhar valor e, por isso, você está incentivado a guardar para sempre.

entrevista michael saylor na coindesk tv com jornalista

Isso se dá pelo fato também de que, segundo Saylor, com a vinda das moedas digitais dos bancos centrais (CBDCs), as pessoas terão carteiras digitais em seus smartphones, carregadas com dólar, euro, rupia ou CNY digital, e utilizarão estas moedas que podem ser transferidas instantaneamente, sem impostos diretos (tax free), para fazer compras do dia-a-dia, enquanto em locais mais protegidos terão suas carteiras digitais de Bitcoin.

Já o bitcoin, Michael Saylor diz que as pessoas podem vender por dólar (pagando os devidos impostos) ou pegar empréstimos sobre o ativo para realizar compras, mas não utilizar o BTC diretamente para isso.

Ele encerra o raciocínio dizendo que as pessoas querem transacionar dólar na velocidade da luz, de graça e também querem transacionar ativos na velocidade da luz de graça.

Agora é apenas uma questão do mundo decidir como isso será feito.

Michael Saylor tem razão?

Não é a primeira vez que o influenciador demonstra essa opinião sobre a relação Bitcoin vs Dólar, como bem registrado pelo Neto Guaraci (@netoxmr) em seu twitter pessoal:

Saylor sem dúvida tem um ponto muito relevante sobre o Bitcoin ser o melhor hedge contra a inflação – ao se comparar com o ouro e outros investimentos tradicionais, e solucionar muito bem esse problema, mas a proposta do Bitcoin nunca se limitou apenas em ser uma reserva de valor que ajude investidores institucionais e indivíduos a se protegerem da impressão de dinheiro estatal.

Bitcoin foi criado para oferecer soberania monetária em uma rede descentralizada ponto-a-ponto. Uma propriedade inviolável, livre de censura e qualquer tipo de controle exercido por governos, bancos centrais, redes bancárias e demais corporações que tiram proveito de uma posição de controle.

Quando as pessoas continuam dependentes das moedas fiduciárias, digitais ou não, o Bitcoin cumpre parte de seu propósito, mas falha em outra parte igualmente importante.

E como já foi discutido inúmeras vezes, as moedas digitais emitidas pelos bancos centrais, não apenas mantêm o mesmo problema do dinheiro fiduciário atual, mas permitem ainda um maior controle e monitoramento sobre as finanças pessoais.

Podendo congelar e confiscar fundos arbitrariamente, inclusive por motivações puramente políticas.

É preocupante que uma figura, tão influente no mercado, esteja ignorando abertamente este “outro lado” das criptomoedas, que, inclusive, já possui soluções como Monero (XMR) para transações privadas, Nano (XNO) para transações na velocidade da luz, sem taxas e ainda menos inflacionária que o próprio Bitcoin, já que novas unidades nunca serão colocadas em circulação (como ainda acontece no líder do mercado e acontecerá por mais de um século).

Estas declarações vêm em boa hora para lembrarmos de que sempre devemos fazer nossas próprias pesquisas e tirar nossas próprias conclusões. Sem confiar cegamente em figuras públicas de influência, que possuem seus próprios interesses e uma agenda própria de opinião.

Saylor fala sobre o “Conselho de mineração do bitcoin”

Quando questionado sobre sua participação no Bitcoin Mining Council (Conselho de Mineração do Bitcoin) e sua opinião sobre o ataque da China contra as mineradoras chinesas e o êxodo da indústria de mineração para a América do Norte, Michael Saylor disse que:

“O crackdown na China foi uma lástima para a China, mas um ‘envio divino’ para as mineradoras e negócios de Bitcoin da América do Norte, fazendo uma transição da indústria de mineração para o ocidente”.

Segundo Saylor, foi “uma sorte econômica inesperada, pois companhias como a minha puderam comprar bitcoin com um tremendo desconto, comparado ao que teriam que pagar caso isso não tivesse acontecido”.

“Foi bom para os holders de Bitcoin no resto do mundo, foi bom para os mineradores de Bitcoin dos Estados Unidos, apesar de ter sido uma tragédia para os holders e mineradores de Bitcoin na China”.

E continua dizendo que foi um evento catalisador para acelerar a adoção institucional do bitcoin e de sua tecnologia para o mundo ocidental. “Bitcoin é uma tecnologia ocidental, é bom para os Estados Unidos, é bom para a Europa ocidental, é bom para o dólar e acredito que este foi um evento crítico para o desenvolvimento do bitcoin”.

O entusiasta mais uma vez erra e acerta.

Bitcoin não é e nunca foi uma tecnologia ocidental, nem criada para favorecer nenhum país específico ou grandes instituições.

Bitcoin é uma solução global, pseudo-anônima, sem fronteiras, que não deveria se encaixar em nossas limitações geopolíticas tradicionais.

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